Capítulo 17: Os Olhos e Ouvidos da Sombra

427 Palavras
POV: Yasmin A vingança não é um tiro no escuro; é uma conta matemática. Se os assassinos do Guel fugiram, eles precisaram de dinheiro, de um carro e de alguém que garantisse o caminho. Ninguém some do mapa sem deixar um rastro de migalhas, e eu ia começar a recolher cada uma delas. Eu não podia sair perguntando por aí. Se eu fizesse barulho, os ratos se esconderiam mais fundo. Então, usei o meu melhor disfarce: a depressão. Voltei a frequentar os lugares onde o Guel costumava fechar negócios, mas sempre com o olhar baixo, parecendo uma mulher destruída pelo luto. Enquanto o Vítor cuidava da segurança, eu me sentava nos cantos e "plantava" meus informantes. Meus informantes não eram bandidos de farda. Eram as pessoas invisíveis. — Dona Maria — chamei a mulher que limpava as mesas de um bar onde os traidores costumavam beber. — O Guel sempre falou bem da senhora. Ele sabia que a senhora via tudo o que acontecia aqui. Deslizei uma nota de cem reais por baixo de um guardanapo. — Eu não quero saber onde eles estão hoje. Eu quero saber quem conversou com eles no dia 1º de janeiro, antes da confusão. Quem deu o carro? Quem trouxe a notícia que fez eles correrem? A mulher olhou para os lados, pegou a nota e sussurrou: — Teve um rapaz, Yasmin... um que o Guel chamava de 'Sobrinho'. Ele não fugiu com eles. Ele ficou por aqui, mas anda muito nervoso, gastando um dinheiro que não tem. O estalo da bomba no meu peito foi seco. O 'Sobrinho'. Eu sabia quem era. Um moleque que o Guel ajudou e que agora, provavelmente, era a ponta do fio da minha teia. — Obrigada, Dona Maria. Se ele aparecer de novo, ou se alguém falar o nome de uma cidade vizinha, a senhora me avisa. O Benjamin vai recompensar muito bem quem ajudar a família. Saí dali sentindo o sangue pulsar nas têmporas. Eu estava plantando sementes de traição dentro do próprio círculo de quem nos traiu. Garotos de recado, frentistas de postos de combustível, gerentes de motel... eu estava criando uma rede de olhos que os assassinos não podiam ver. — Eles acham que o silêncio é o aliado deles — murmurei para o Vítor enquanto voltávamos para o carro. — Mas o meu silêncio é que vai achar o pescoço deles. A caça ia ser longa, sim. Mas eu estava começando a cercar o mato. E quando o cerco fechasse, não haveria buraco no mundo onde eles pudessem se esconder.
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