O sol já começava a se pôr quando eles retornaram à lancha. O céu de Angra se tingia em tons dourados, refletindo sobre o mar calmo. Anne estava sentada à frente, o cabelo ruivo dançando com o vento, o olhar distante. Lord pilotava em silêncio, os olhos vez ou outra indo até ela, como se gravasse cada detalhe daquela imagem. Ao chegarem à casa, tomaram banho juntos — dessa vez em silêncio. Foi um momento de cuidado: ele lavou os cabelos dela com paciência, ela acariciou as tatuagens dele com os dedos trêmulos de carinho. Anne vestiu um moletom dele e se encolheu no sofá da sala, enquanto Lord organizava as malas. Não queria ir embora ainda. Não queria que o silêncio e a leveza daquele lugar terminassem. — Vai ser difícil voltar? — ele perguntou, sem encará-la. — Um pouco. Lá parece ou

