Voltar para casa pelo caminho sombrio e assustador em plena madrugada havia sido fácil. Difícil fora entrar em casa discretamente.
A rua onde morava estava deserta e silenciosa como sempre àquela hora, mas ao virar a esquina, os cachorros no quintal de uma residência começaram a latir, começando a caótica série de eventos que ocorreriam em seguida.
Como sempre acontece, os cães latindo em uma casa no fim da rua fazem com que os cães na casa do vizinho repitam o processo, respondendo os latidos. Esse efeito dominó sempre dura até chegar em sua própria casa e Isadora sabia que naquele ritmo, em menos de cinco minutos, Leon, Claire e Albert, os três Yorkshires de sua mãe levantariam de suas camas para começar o terror. Quem tem essa raça de cão sabe como são barulhentos.
Disposta a não ser pega fugindo atrás de homem pela primeira vez, Isadora correra o mais rápido possível, como o Zé Carioca sentindo a presença de cobrador. Ironicamente, não considerara uma pequena falha em seu plano: as botas que usava.
Ao correr desenfreadamente pela calçada, os saltos faziam mais barulho que se caminhasse silenciosamente. Isso alertara possivelmente os cães de todo o quarteirão ainda mais rápido.
Chegando onde morava, parara próxima a um ponto na cerca com acesso direto para a janela de seu quarto. Havia deixado uma tábua solta na cerca do jardim de sua mãe a fim de poder passar por ela e não ter de pular o muro ou fazer barulho abrindo o portão.
Quase tudo saíra como planejado. Quase.
Quando já havia passado todo o corpo para dentro do quintal, sem ver o que tinha pela frente no escuro, Isa pisara na cauda de Fionna, a gata do vizinho que dormia tranquilamente. A criatura miara tão alto que certamente seria o foco das fofocas na rua no dia seguinte.
Por que o mundo conspirava contra ela? – pensara Isa.
Agora era uma corrida contra o tempo antes que seus pais acordassem.
Felizmente havia deixado a janela aberta com as cortinas fechadas, pronta para quando voltasse. Correra e saltara, caindo de cabeça para baixo no lado de dentro, a cara enfiada em uma enorme almofada estrategicamente posicionada.
Os óculos tinham ido parar longe e na escuridão era impossível os encontrar. De qualquer forma, não havia tempo. Engatinhara para a cama enquanto soltava os cabelos e se desvencilhava da jaqueta e da blusinha. Entrara por debaixo das cobertas ainda vestindo as calças e as botas.
Deitara a cabeça no travesseiro no momento exato em que ouvira as batidas na porta, três, como sempre. Logo em seguida viera o som da maçaneta girando e uma pequena fresta se abrira, por onde Dona Lúcia olhava para a escuridão no interior.
—Isa? Está dormindo? – indagara a mãe quase em um sussurro – Parece que Fionna estava namorando no nosso quintal de novo e acordou a cachorrada da vizinhança toda. Por via das dúvidas, seu pai foi dar uma espiada.
Improvisação. Isadora estava com a expressão cansada e assustada e ainda que o quarto estivesse com a luz apagada, Dona Lúcia tinha um radar que nunca falhava em identificar como a garota se sentia. Felizmente há anos Isadora tinha aprendido a arte de improvisar.
—Ela não estava no quintal, mãe – respondeu – Estava aqui no quarto. Levei um susto quando ela saltou pela janela. Deve ter saído para caçar.
—Dormindo com a janela aberta de novo? – Dona Lúcia não era severa, mas adorava repreender – Já te disse para evitar. Mesmo com a segurança no bairro, é melhor não dar brechas. Tente dormir de novo.
—Vou passar uma água no corpo. Esse susto me despertou – respondeu a garota segurando a respiração ofegante pela corrida – Depois caio na cama de uma vez.
—Lembre-se que tem inglês pela manhã, não vá dormir muito tarde – dissera a mãe, já fechando a porta – Boa noite, te amo, querida.
—Boa noite. Também te amo, mãe.
Após Dona Lúcia fechar a porta, Isa fechara os olhos e contara mentalmente até dez. Era o tempo que a mãe costumava ficar do lado de fora espionando até desistir e sair.
Finalmente abrira os olhos e esticara o braço para o lado, puxando um velho Garfield de pelúcia que ganhara de aniversário de Katie anos atrás. O abraçara e suspirara pensando que tinha sobrevivido. E tinha sido por pouco. Mas aquela aventura havia valido a pena.
Mordera o lábio inferior se lembrando de Leonel. Embora o sujeito fosse um completo desajeitado, Isadora tinha se surpreendido em como ele a deixava com t***o. Nas sombras abaixo daquela ponte, ela vira um homem sedutor e atraente diante de si, não o nerd que só falava em fórmulas e códigos.
Talvez valesse a pena o ver novamente. Mas e se na próxima ele quisesse f***r com ela? Com certeza iria querer f***r com ela! Era algo a se ponderar. A garota tinha dúvidas se seria tão boa fazendo um boquete quanto as atrizes que via em filmes pornôs e aparentemente era, mas t*****r era bem diferente.
De qualquer forma, tudo que pensava naquele momento era em poder ver aquele p*u maravilhoso novamente. Não apenas ver, mas tocar, senti-lo entre seus dedos, em sua boca novamente. Senti-lo a invadindo.
Em todas as centenas de orgasmos que tivera assistindo vídeos e pensando em amigos ou amigas, nada se comparava a sentir o calor de perto, o cheiro, o toque, pele com pele, o sabor. Isadora agora sabia como era a sensação de uma relação real e negar o desejo de repetir era impossível.
À essa altura a calcinha já estava encharcada novamente e a garota sabia que se quisesse acordar pela manhã para o curso de inglês precisava relaxar e dormir ao menos algumas horas.
E só conhecia uma forma de fazer isso.
Menos de cinco minutos depois lá estava a encantadora garota n***a de um metro e sessenta e cinco abrindo a torneira do chuveiro. Isa tomava cada banho como se estivesse fazendo amor, era seu refúgio, seu ponto de relaxamento e reflexão. O único lugar onde esperava não ser incomodada ou espiada.
Não até o momento certo de isso acontecer. Um dia.
Esticara a perna direita colocando o pezinho pequeno e bem cuidado sob a água morna que caía. Mordera os lábios como sempre fazia experimentando a sensação da temperatura que lhe agradava. Sentira aquele arrepio lhe subir pela espinha enquanto os pelinhos de todo seu corpo eriçavam.
Seus pensamentos ainda estavam embaixo daquela ponte, a deixando com um t***o tão grande quanto jamais sentira. Fechara os olhos se lembrando de cada detalhe. Havia deixado um completo estranho gozar em sua boca!
Mas havia sido tão bom… e queria mais!
Dera outro passo, as águas agora tomando seu corpo. A garota amava a cor de sua pele. Seus pais contavam que os tataravós haviam vindo da Espanha e de Portugal, mas antes disso a família se originara na África. Não haviam apenas negros na família, contudo, mamãe era dessa etnia e ela herdara cada traço com orgulho.
Avançara mais, deixando que os longos cabelos cacheados molhassem. Ia dormir com os cabelos molhados, não havia tempo para secar. A questão era que precisava relaxar, apagar aquele fogo queimando por suas células.
Apanhara o sabonete e passara de leve nos s***s, mais pela excitação que pelo banho. Pesava sessenta e cinco quilos, com destaque para as sinuosas curvas do bumbum e os fartos s***s.
Suspirava imaginando as mãos de Leon lhe tocando, a acariciando. Queria os lábios dele sugando os s***s com vontade. Tinha as aureolas dos m*****s pequenas, com biquinhos que se elevavam e se destacavam fácil sob qualquer tecido quando estava excitada, como naquele momento.
Precisava t*****r, tinha certeza disso.
Descera uma das mãos pela barriga, escorregando pela pele cor de bombom macia até atingir a b*******a molhada por mil razões. O g***o estava dolorido antes mesmo que o tocasse. Tinha a b****a pequena e apertada, os grandes lábios quase invisíveis sob o pequenino risco entre suas pernas. Colocara o dedo médio sob o c******s e o acariciara delicadamente.
Quando começava a se acariciar naquela região não tinha pressa em parar. Sabia exatamente o que fazer, como fazer, onde ir e vir enquanto enlouquecia com o t***o. Embora soubesse que o p*****g ficava na região interna da v****a, longe do c******s, conhecido e explorado por bem poucas mulheres, para ela, seu maior prazer estava ali, não apenas por ser a zona mais erógena do corpo, mas por considerar seu universo pessoal de prazer, seu Ponto I.
E quem sabe o amigo um dia não aprendesse a tocá-la daquele jeito?
Se lembrara de Leonel a tocando naquele ponto. Ele não era delicado como ela, mas não haveria nenhum problema em educá-lo, pensou esboçando um sorriso. Sem que percebesse estava gemendo mais alto. O atrevido dedo médio no grelinho era agora acompanhado pelo indicador e enquanto se masturbava Isadora sonhava com mil fodas que ainda não havia provado.
Finalmente dera dois passos para trás se encostando na parede de azulejos gelada e se segurara para não exagerar em um gemido mais alto quando fora ao orgasmo fantasiando coisas que nem tinha certeza se teria coragem para um dia realizar. Precisava ser mais controlada. Nos livros tudo parecia tão gostoso e… fácil. Mas era diferente no mundo real.
Voltara para baixo do chuveiro apanhando novamente o sabonete. Tinha de ser realista, tomar um banho de verdade e dormir. Poderia pensar em sua vida s****l quando saísse do curso de inglês.
Dia seguinte.
—Menina, não acredito… – dizia Katie, amiga de infância de Isadora – Está mesmo dizendo que fugiu no meio da noite para se encontrar, não com qualquer aluno, mas com um dos caras mais conhecidos do colégio no sigilo?
—Girl, que ba-ba-do – emendara Leonard, o outro melhor amigo da garota. Leon, como o chamavam, era gay e não tinha papas na língua – De estudante de m*********o a mais nova p*****a dos cursos técnicos do Colégio Delphine, a ex boca virgem, e não estou falando de beijos – ressaltara – Isadora DJ.
Leonard parecia mais empolgado que Isadora diante do ocorrido. Ainda mais depois que a garota revelara o tamanho do p*u de Leonel. Katie não deixara a surpresa por menos, igualmente impressionada com a ousadia da amiga.
A verdade era que Isa conhecia Leon e Katherine desde o jardim de infância e mesmo que ambos fossem pouco mais jovens que ela, eram obcecados por sexo e haviam perdido a virgindade tinha muitos anos.
Apenas Isadora, do trio, permanecia a virgem santa imaculada, sendo o alvo das piadas dos amigos. E mesmo que em seus pensamentos fosse uma menina totalmente pervertida e má, junto dos dois era apenas uma garota inocente.
—Ainda estou absorvendo essas informações. Nem eu mesma acredito que tenha acontecido – explicara a garota com os olhos arregalados por trás das lentes dos óculos – Confesso que vi a mensagem no celular dele durante a aula e pensei em fazer uma brincadeira. Mas ele topou e não tive como fugir, quando vi já estava acontecendo.
Isadora caminhava pela movimentada calçada abraçada pelos amigos, um de cada lado de sua cintura. Quando mandara mensagem para Katie naquela manhã dizendo que precisava falar sobre algo sério, recebera como resposta um simples ok, mas na saída do curso de inglês, lá estavam os dois a esperando.
—Querida – dissera a loira, esperando que Isa a encarasse para continuar – Preste atenção e veja se acompanha meu raciocínio, tudo bem? Vou falar bem devagar para que não se perca – a garota odiava quando decidiam tratá-la como criança, mas quando o assunto era sexo, Katie e Leon realmente entendiam mais que ela – Você é simplesmente um pedaço de m*l caminho, uma garota perfeita, da cor do pecado, a mais inteligente da sala e a única que durante nove meses de curso não deu atenção para nenhum dos rapazes. E de repente você para um dos homens mais cobiçados do colégio e por livre e espontânea vontade se oferece para chupar o p*u dele até o mesmo gozar. Que desfecho esperava para essa história? Seja sincera.
—Bom… não sou a mais inteligente da sala, ele é…
O amigo sequer a deixara concluir a frase, se soltando do abraço em grupo e abrindo os dois braços para chamar atenção. Obviamente não atraía a atenção apenas das duas, mas de todos que passavam por eles na calçada.
—Para, para, para – intercedera Leon ao ver que as garotas olhavam para ele – Katie, meu anjo – dissera focando a loira por um instante – Ela – agora era Isa o alvo dos comentários novamente – não entendeu o que está acontecendo. Isadora Diaz Jimenez – o amigo adorava usar o nome completo da menina – Se estivéssemos na savana, Leonel seria um leão, o rei da selva, o topo da cadeia alimentar, entende? Você domou o leão, é isso. Comemore.
—Tente ignorar a metáfora do Leo, Isa – explicara Katie – Mas ele tem razão. Esqueça por um instante as notas, códigos, fórmulas, linhas de programação, pense só na questão social. Se ele gostou tanto quanto você, tem uma chance de saírem juntos oficialmente. Vão morrer de inveja.
—Então… o que rolou além do sexo? – indagara Leonard – Falaram sobre algo mais, estreitaram amizades, planos? Vão ser dupla oficialmente agora nos trabalhos do curso? Por favor, diga que isso não – ressaltara fazendo expressão de pânico – Precisamos de um de vocês para nos salvarem nos grupos.
—Alertei que se ele contasse para alguém iria matá-lo.
Leon e Katie simplesmente pararam observando a garota.
Ela tinha mesmo ameaçado o rapaz depois do sexo?
Naquela noite.
Whatsapp – De Katie para Isadora. 23h44min.
Ainda não acredito que o ameaçou. Achou mesmo que ele diria para alguém e perderia a chance de repetir?
Whatsapp – De Isadora para Katie. 23h44min.
Não pensei nisso. Fiquei apavorada.
Whatsapp – De Katie para Isadora. 23h44min.
Fique tranquila, amiga. Deixe as coisas rolarem. Leon é adulto e maduro, ele não vai abrir o bico para ninguém e se fizer, quem vai matá-lo sou eu.
Whatsapp – De Isadora para Katie. 23h45min.
Ele não comentou nada na aula de hoje, mas nem tivemos tempo para falar, foi puxado. Vou me desculpar quando tiver a chance.
Whatsapp – De Katie para Isadora. 23h45min.
Não se desculpe. Espere que te procure e aja com naturalidade, deixe rolar. Acredite, ele vai te procurar.
Whatsapp – De Isadora para Katie. 23h45min.
Ele está ligando. Falo com você depois. Bjs.
—Alô. Isa falando – disse a garota procurando não gaguejar – Digo, oi, esse é meu número, não é? Quem mais falaria? – emendou rindo.
—Hum… – o sujeito no outro lado parecia ponderar – Fico feliz que seja você mesma. Seria decepcionante ligar para seu número e encontrar outra pessoa.
—Ah, não nos falamos muito na aula. Foi bem corrido e as meninas quiseram minha ajuda o tempo todo, me desculpe.
—Não precisa se desculpar. Eu também estive enrolado ajudando o pessoal. Então, como está? Queria saber se estamos bem depois de… você sabe. Digo, foi ótimo, mas quero te ouvir dizer que está tudo bem entre nós.
Tudo bem entre nós? – pensara a garota – Desde quando existia nós?
—Está tudo bem. Foi perfeito. Me desculpe por ter te ameaçado, sei que não vai dizer nada para ninguém. Combinamos que ficaria tudo entre a gente.
—Fiquei preocupado que pudesse ter te chateado, afinal, o local e a situação poderiam ter sido melhor planejados. Espero que isso não afete nossa amizade. Ainda temos mais de um ano de curso e conto muito com você. Tenho certeza que faremos grandes coisas juntos.
Amizade? Era com isso que Leonel estava preocupado?
Bom, qual o problema? Ao menos ele a notava e se importava com ela.
—Não se preocupe, foi tudo ótimo – ele se importava com ela, era tudo que a garota conseguia pensar e tinha de contar para Katie – Estou com um pouco de sono, tenho natação logo cedo. Podemos falar mais amanhã?
—Claro – respondera o rapaz – Posso te ligar antes do curso?
—Eu mando mensagem.
Leonel é o rei da selva e está na sua onda, garota.
Isadora desligou o celular e suspirou sorrindo. As coisas estavam mudando para ela. Como lidar com aquelas mudanças?