Logo após Isa deixar o casal de amigos e seguir seu caminho, Ken acenara para a garçonete, pedindo a conta. Explicara a Katie que tinha planos diferentes para os dois naquele dia e que ela iria gostar do que ele tinha em mente.
A garota concordara. Katherine não era o tipo de mulher que acatava ordens, mas algo no rapaz a fazia ficar envolvida por suas palavras e desejos. Encantara-se ainda mais ao ver a linda Mercedes CLS Coupé black piano que o rapaz tinha estacionada em frente à lanchonete.
Não era interesse, nem inveja. A loira tinha um Porsche 718 Cayman S em seu próprio nome, o que fazia inveja a todos no colégio. Entre os estudantes do Delphine’s, Katie era uma das alunas com maior patrimônio pessoal sem a ajuda dos pais. O que a encantava em Ken era seu estilo e bom gosto.
Após deixarem o local, o passeio pela cidade durara pouco mais de quarenta minutos até que a garota entendesse para onde se dirigiam. Estavam bem diante dos portões da área do imponente hotel Venatores et Luna, propriedade do pai adotivo do rapaz e onde o mesmo era gerente.
—Uau – dissera a garota enquanto os enormes portões duplos de metal da frente da propriedade se abriam – Esperava que me trouxesse aqui, mas… não achei que seria tão rápido. Nos conhecemos semana passada. Devo confessar, fiquei apaixonada pelo pouco que vi do hotel na visita com meu pai.
—Eu a traria antes, mas raramente consigo tempo para descansar. O Mestre conta comigo para o bom funcionamento do hotel, deve entender que não é uma tarefa simples administrar tudo isso. É a primeira garota que vem aqui comigo – comentara o rapaz.
—Estou lisonjeada – Katie estava sendo sincera – E ansiosa.
—Como sabe, o Venatores et Luna é um hotel particular. Apenas pessoas indicadas por clientes de confiança são aceitos e suas reservas são feitas meses antes de virem para cá. A qualidade de atendimento e discrição nos conferem o interesse de milhares de indivíduos ao longo do globo. Por isso, infelizmente, o acesso a diversas áreas é restrito – dissera o garoto ao volante – Irei lhe mostrar meus aposentos e lhe apresentar à nossa anfitriã. O Mestre não se encontra no país no momento, mas será um prazer apresentá-la à Louise.
—Louise?
—Ela é a representante das Corporações Silverglade. Sua voz tem o mesmo efeito que a voz do Mestre. De forma resumida, o que ela diz, acontece. É uma mulher excepcional. E o mais perto que tenho de uma família, além de meu pai.
—Me sinto cada vez mais honrada – respondera a garota.
Katherine admirava impressionada a grandiosidade e beleza dos jardins do hotel enquanto o veículo seguia entre eles. Haviam reproduções de cavaleiros, magos, princesas e dragões esculpidas em arbustos com mais de três metros de altura, além de dezenas de estátuas.
Em certo ponto, pudera ver ao longe o que parecia um gigantesco tabuleiro de xadrez, com enormes estátuas nas posições das peças, todas em tamanho natural de uma pessoa.
Era muito luxo, muito investimento e muita paixão em cada detalhe. Que tipo de homem arcaria com tantos custos e com que propósito? Um dia perguntaria ao pai, embora já esperasse que ele não fosse responder, o valor de uma reserva para jantar naquele lugar.
Entre o momento que haviam passado pelos portões de entrada da área do Venatores et Luna e a chegada ao estacionamento subterrâneo do hotel, Katie contara vinte e dois minutos no celular. Aquela propriedade era incrivelmente grande, muito mais que a menina tinha imaginado.
Ken explicara que haviam câmeras de segurança por todo o jardim e pelos muros, todas escondidas estrategicamente.
Não mostre sua segurança às claras. Deixe que seus invasores descubram o erro cometido na prática – dissera o oriental. Não apenas câmera, mas também sensores de movimento, som e temperatura, além de lasers invisíveis eram parte do sistema. Para completar o luxo da segurança e privacidade, o hotel possuía seu próprio gerador de energia no subsolo e monitoramento via satélite.
—Nossos servidores de rede também são próprios, localizados em uma área segura, fortemente protegida no próprio hotel – comentara – O Mestre costuma dizer que a falha na tecnologia é que se alguém puxa o fio da tomada e corta a energia, um computador passa a ser não mais que um monte de plástico e ferro inúteis. O mesmo ocorre se invadirem os servidores onde você hospeda seus dados. Dessa forma, a melhor maneira de manter a ordem é controlar a energia e a nuvem que mantém o fluxo de informações.
—É… – Katherine estava de queixo caído. Como estudante de Ciências da Computação, aquele tipo de linguagem simples do rapaz era como um tipo de escrita rupestre em uma caverna. Por outro lado, aquele lugar era como uma verdadeira fortaleza digital séculos à frente de seu tempo. Se Johan não fosse o homem mais rico dos EUA, certamente tinha centenas de investidores entre eles – Não tenho palavras. É formidável, fantástico. Isa morreria se ouvisse isso. Ela é fanática por segurança.
—É uma pena que eu não possa compartilhar dados, mas posso conceder algumas dicas para vocês algum dia, se for útil – respondera o garoto.
—Espero muito mais de você, querido – emendara a loira, colocando o dedo indicador no peito do rapaz e alisando de leve o suéter n***o que o mesmo usava com a unha vermelha afiada – Mas… ainda falando sobre a segurança, acredito que a única coisa com a qual vocês tem de se preocupar são as mãos por trás dos teclados, certo? Há sempre um homem por trás de uma máquina. E falhas humanas são imprevisíveis – completara.
—Bem observado, como já esperava de você, minha pequena deusa linda e inteligente – dissera o rapaz com um sorriso. Katie quase abrira a boca surpresa novamente. Ken sabia sorrir? – No entanto, o Mestre Silverglade tem um talento especial para lidar com questões humanas. Mas não…
—Não pode falar sobre isso – dissera Katie, completando a frase – Não se preocupe, podemos falar sobre coisas mais interessantes que trabalho.
—Claro que sim. Me acompanhe, tomaremos o elevador particular. É hora de apresentá-la à Louise. E depois podemos relaxar um pouco.
—Estou ansiosa pelo depois… – sorrira a garota.
Ken era alto e magro, embora seu corpo fosse bem definido. Se vestia com um suéter n***o de mangas longas, quase a mesma cor das calças. Katherine podia jurar que ele portava alguma arma escondida. Considerando sua posição no hotel, não seria surpresa que estivesse sempre pronto para se defender.
O rapaz tinha cara de segurança, sabe esses j*******s e chineses que são mestres de Kung Fu ou Karatê? Pois bem, era assim que o imaginava, sempre parecia que um bando de homens surgiriam das sombras e ele os abateria todos. Aquele pensamento quase infantil a fazia rir.
Ela, por outro lado, saíra naquela manhã com um vestido rosa de alças finas e colocara uma gargantilha com uma minúscula pedra verde que imitava a cor de seus olhos. Na bolsa pequena havia apenas batom, o celular e cartões. Nunca lhe ocorrera que seria convidada para ir ao famoso Venatores et Luna.
Quinze minutos depois…
Após saírem do elevador, a linda loira de olhos verdes acompanhara o rapaz por três ou quatro corredores, embora tenha ficado tão entretida com os detalhes que perdera o rumo de onde estava.
Era impossível não ficar tentada pelas peculiaridades daquele ambiente. O som do Scarpan de Katie contra o chão indicava um piso de madeira, marrom e tão brilhante que parecia um espelho, como se tivesse sido encerado há poucos instantes. Os corredores eram escuros, interiores no prédios a julgar pela falta de janelas.
As paredes eram vermelhas, revestidas por algum tipo de tecido aveludado e ao longo era possível se ver belíssimos quadros com diversas pessoas que ela não ousara perguntar quem eram. Também não perguntara os autores, as datas daquelas artes e quanto elas valiam. Mas imaginava ali uma grande fortuna.
Haviam luminárias e candelabros estrategicamente posicionados. As formas da linhas nas peças desenhavam anjos, demônios e dragões e sua cor dourada sugeria serem feitas em ouro, adornados com pequeninas pedras preciosas.
Ficava claro para a garota a importância da segurança naquele lugar.
E quem seria Louise? Uma velha com crises de nostalgia?
Ao se aproximarem de uma grande porta dupla de madeira com inscrições em relevo gravadas dentro de um escudo com as letras LS, a maçaneta girara e as asas se abriram ao mesmo tempo. O interior do aposento parecia escuro até que o casal passara por ele.
—Katherine Patterson – dissera uma voz tão harmoniosa no ambiente que parecia estar vindo de todos os lados, como se estivessem em uma sala com um Home Theater ativado – A garota que conquistou a atenção de nosso querido Ken. Confesso que estava curiosa em a conhecer.
Katie varrera o local com os olhos verdes. Havia um sofá com estofado de couro marrom que parecia ter sido tirado de um museu e restaurado bem ao lado de uma grande poltrona que deveria ser parte do conjunto. Duas estátuas, em cantos opostos, guardavam o aposento, um anjo esculpido em mármore branco e uma armadura medieval de cavaleiro de cor n***a.
Haviam quadros como os do corredor e o que parecia um gigantesco monitor com mais de cinquenta polegadas onde se via dezenas de imagens das câmeras espalhadas pelo hotel. Apenas dois candelabros e uma luminária no alto serviam como iluminação na sala, mas permitiam que a jovem contemplasse a textura das paredes de madeira, brilhantes e lustrosas.
Por que aquele tom obscuro? Quem morava ali? Um vampiro?
Finalmente a garota notara a presença de uma mulher ao lado de uma mesa cheia de garrafas de bebidas que ela não reconhecia. Era alta, uma mulata forte e imponente que poderia passar facilmente como mãe de Isadora por seus traços e trejeitos. Usava um vestido de alças finas vermelho que descia por seu corpo até escorrer pelo chão, destacando suas curvas perfeitas.
Os cabelos negros caíam como ondas por suas costas. Tinha olhos negros e profundos como a noite, com um brilho que lembrava as estrelas salpicadas no universo. Estranhamente, mesmo com a escuridão dominante, Katie podia ver cada detalhe da mulher, as sobrancelhas finas, os lábios carnudos, a pele de cor do ébano lisa e perfeita.
—Louise, presumo – respondera a loira – Senhora ou senhorita? – indagara.
—Louise Silverglade, apenas Louise para uma amiga está ótimo. Se tem a confiança e atenção de Ken, tem meu apreço também – respondera.
—Silverglade? Esposa de… – perguntara a garota.
—Não, não, não – dissera a mulher erguendo a mão esquerda e acenando em negativa. Em seguida enchera uma taça de cristal até a metade com vinho, ao que Katie imaginara e oferecera para a jovem – Adotei o nome Silverglade há algum tempo a fim de facilitar meu trabalho. Minha função é manter a Corporação Silverglade em ordem e o sobrenome me ajuda a pular centenas de burocracias, se me entende. Stanley e eu somos amigos com benefícios em comum.
—Compreendo – confirmara a garota, ainda cheia de dúvidas.
Ao sorver o primeiro gole da bebida, Katherine sentira que o líquido passara por sua língua deixando uma sensação doce e dormente ao mesmo tempo em que descia quente por sua garganta e o álcool lhe subia à cabeça.
Não sentira qualquer tontura ou coisa do tipo, comum em bebidas fortes. Em compensação um calor inexplicável invadira seu corpo, conferindo um êxtase inexplicável no mesmo instante. O que era aquilo?
—Lux Mane – dissera Louise, exibindo a taça com a mesma bebida.
—O que significa? – Katie não entendera, mas sabia que era bom.
—Luz da Manhã – respondera Ken – Temos um amigo na Pensilvânia que produz sua própria safra. Às vezes, ele compartilha conosco. É único.
—Delicioso – comentara a garota.
Deliciosa é você.
Katie ouvira o comentário dentro de sua mente, como um leve sopro em seu ouvido. Ao se virar, afastara assustada com uma linda jovem mordendo os lábios e a encarando bem ao seu lado. Quando ela havia entrado ali? O susto fora mais pela surpresa, pois era uma garota encantadora. Além disso, seus pensamentos estavam envoltos por inebriantes desejos de paixão e luxúria.
—Sami, não assuste nossa convidada – dissera Louise.
—Me perdoe – dissera a garota, se afastando alguns passos, acenando com a mão direita e colocando a língua para fora – O que posso dizer? Você é mesmo linda. Miau! O que te atrai, apenas homens ou fêmeas também? – emendara se dirigindo diretamente à loira.
Katie encarara Ken e resistira ao impulso que sentia em dizer que se atraía, não por garotas, mas por ela. Aliás, desde quando mulheres a atraíam? A loira sorvera de um novo gole da bebida e fechara os olhos por um segundo, quase tendo um orgasmo com aquele sentimento. O que havia naquele copo?
—Katie é uma amiga e minha convidada, Sami – dissera Ken – A trouxe para conhecer Louise. Essa é Samira, uma residente de nosso hotel que vive por aí espionando os outros – concluíra o rapaz, apresentando a garota para Katherine ao mesmo tempo que a repreendia com o olhar.
Samira era uma menina que aparentava ter não mais que vinte anos, baixa e bem mais magra que a loira. Tinha cabelos cor de fogo, a cabeça era raspada nas laterais, contudo, tinha algumas pequenas tranças amarradas juntas no alto na parte de trás. Pequenas mechas lhe caíam sobre os olhos cor de esmeralda, assim como os da convidada. As sardas nas maçãs da face eram outra coisa em comum com Katie, lhe conferindo um charme especial.
Havia ainda um ar de rebeldia difícil de explicar. A menina tinha um piercing de argola prateado no lado direito do nariz e também na sobrancelha do mesmo lado. Usava pequenos brincos de argola igualmente prateados, com uma pena verde balançando na argola esquerda.
Se vestia com uma jardineira jeans e uma camiseta de manga longa listrada de preto e branco. Mesmo com as repreensões, continuava a encarar Katie com o olhar penetrante e mordendo os lábios.
—Espero que desfrute dos momentos em nosso hotel, Katherine. Ken vive aqui desde que nasceu. Não há ninguém melhor para a receber – dissera Louise.
—Katie, pode me chamar de Katie – dissera a loira.
Ao voltar-se na direção da linda mulata, Katherine quase arregalara os olhos pela nova surpresa. Boquiaberta, a loira tentava entender se não havia notado aquele detalhe antes ou se era algum efeito da bebida.
Louise estava encostada em uma enorme escrivaninha de escritório, com uns três metros ou mais de largura. A mesa, assim como o restante da mobília, era de madeira maciça e parecia ter sido tirada de algum castelo medieval.
Havia uma pequena luminária sobre ela, bem ao lado de um notebook. Além disso, uns poucos papéis, canetas, um grampeador e outros pequenos objetos, como clipes de papel e alfinetes. Louise parecia uma mulher ocupada.
Mas não fora isso que chamara a atenção da loira e sim o que vira atrás da mesa, ocupando toda a extensão da parede ao fundo. Ostentando o espaço com majestade, havia um gigantesco quadro com cores quase tão vivas, que parecia se mexer, com destaque para a armadura dourada e as chamas alaranjadas e vermelhas.
A imagem mostrava uma guerreira, cuja pele, traços e até mesmo o cabelo lembravam Louise vestindo uma armadura dourada e empunhando espadas. O cenário trazia um campo de batalha com inimigos sendo abatidos. As chamas na espada e o brilho da armadura lhe conferiam uma aura mística.
Katherine não resistira um suspiro de admiração.
—É você? – perguntara à anfitriã enquanto dava um passo à frente, a fim de conferir melhor os detalhes.
—Não. Quem me dera – respondera Louise, se virando na direção da arte – É uma ancestral, pelo que tudo indica. Stanley encontrou essa arte em algum lugar da Europa e me presenteou logo que assumi minha posição na empresa. Gosto de pensar nela como uma referência de que sempre existiram mulheres fortes na história.
—Também gosto desse pensamento – comentara Katie.
—Louise, se nos der licença, gostaria de mostrar a vista de minha suíte para Katie antes que a noite caia – dissera Ken.
—Claro – respondera a mulata – Katherine, digo, Katie, foi um grande prazer conhecê-la. Garanto que irá amar a vista mencionada por Ken. Deveria vir uma noite para conferir o brilho das estrelas também. É algo sobrenatural.
—Se houver a oportunidade, prometo não a desperdiçar. E me permita dizer que o prazer em a conhecer foi meu. Ken disse que você e o Mestre Silverglade são sua família. Agora entendo perfeitamente todo o orgulho que ele sente.
—Miau! Posso ir com vocês? – indagara Samira enquanto o casal deixava o escritório.
Ken estreitara o olhar, mas antes que pudesse chamar atenção da gata, a anfitriã chamara a atenção da mesma.
—Sami, creio que vá precisar da sua ajuda. Que tal conceder um pouquinho de privacidade a Ken e sua companheira? – sussurrara.
Poderia ser o efeito da bebida, mas Katie juraria que ao olhar para dentro do aposento novamente enquanto saíam, os olhos de Louise pareciam púrpuras. Claro que era bobagem de sua cabeça. Devia ser algum reflexo, poucas luzes no local. Certamente a bebida era mais forte do que ela estava acostumada.
Após seguir por alguns metros no corredor e a porta atrás de si se fechar, a moça se voltara para Ken.
—Louise… – começara – Devo dizer que ela…
—Te assusta? – completara o rapaz.
—Hum… não sei se diria isso, mas ela é uma grande mulher – emendara a loira – Uma mulher forte, claramente. Chega a ser um pouco assustador.
—Ela é mais que isso. Mas tenho que admitir que gosto disso nela. Há dois anos ela não sabia nada sobre o hotel, a Corporação ou os negócios. Agora ela comanda tudo de frente. É alguém notável.
—Concordo. Então, finalmente sós? Para onde vamos agora? Esse lugar me dá um pouco de medo – confessara Katie, olhando em volta no corredor.
—Todo esse andar pertence à Louie – respondera o japonês, chamando a mulata pelo diminutivo do nome, uma i********e que poucos tinham – Entretanto, quase tudo já estava aqui quando ela veio, noventa por cento da decoração foi feita pelo Mestre anos atrás. Ele é um grande colecionador de antiguidades.
—Entendo de onde vem seu gosto bom e único para as coisas. Agora vamos conhecer seu quarto? – sugerira pretenciosa.
—Vamos para a torre leste do hotel – explicara o rapaz arrumando os óculos – Lá fica uma parte do sistema de vigilância e minha suíte. Nada mais.
Segurando a loira pela mão, Ken a conduzira até o elevador particular outra vez. Aquele lugar era simples exótico, inebriante – pensava a garota. Seria difícil esquecer aqueles momentos vividos ali.
Cerca de cinco minutos depois, as portas se abriam diante dos dois, exibindo um exterior diferente e aconchegante.
Isa vai morrer de inveja quando contar que estive aqui.
Ao contrário do andar escuro e misterioso onde se localizava o escritório de Louise, a suíte de Ken era clara e iluminada. Diversas portas e paredes de vidro permitiam que a luz de fora entrasse pela sacada, revelando todo o interior da belíssima cobertura.
As cores predominantes eram apaziguadoras, azul claro, salmão, branco, dourado, prata e gema clara. A estética dos objetos fazia parecer que estavam em algum lugar futurista, anos à frente do tempo atual. Havia espaço entre as mobílias no interior e o ar era carregado por um perfume de flores e maçã.
—Estou impressionada. Mora aqui sozinho? Louise certamente desaprova esse tipo de interior – sorrira a menina.
—Louie tem seu próprio estilo. Eu gosto de apreciar a luz da manhã e o pôr do sol. As pessoas não entendem o valor dessas pequenas coisas – respondera.
—Você… não tem amigos? – indagara a garota – Esse lugar seria perfeito para uma festa de fazer inveja aos ingleses… – um instante depois a loira pedira desculpas pela indiscrição. Ken era realmente muito reservado.
—De fato – dissera ele – Não tenho amigos. Não tenho tempo para isso. O hotel é minha vida, minhas preocupações, minhas realizações, o lugar onde tudo acontece, onde recebo clientes e estou perto da família. Mesmo que eu quisesse, não poderia dar uma festa aqui. Convidados para o Venatores são selecionados a dedo, se lembra? – indagara voltando o olhar para ela – Também tenho algo que devo lhe confessar, Katherine. Você surgiu como um anjo em meu caminho e admito que estou feliz que esteja aqui.
Katie ponderara por um instante. Ken nunca havia trazido amigos ou garotas ali? Ela era a primeira convidada? Tudo indicava que sim. Isso levantava ainda mais questões.
Quando haviam trocado números de telefone e ele a ligara, ao se encontrar com o rapaz, o mesmo lhe parecera cavalheiro e sedutor, algo bem diferente da maioria de sua idade, afinal, o rapaz tinha apenas vinte anos.
Tinha o masturbado, chupado e fodido rápido no carro e ele não parecera inexperiente para ela, mas ao que tudo indicava, até aquele momento o garoto era… virgem?
Atrevida, a loira voltara o olhar para ele enquanto mordia o lábio inferior em um sorriso. Era um rapaz educado, dotado, atraente e obediente. Aquelas lhe soavam como ótimas referências no currículo. Talvez não fosse experiente, mas isso era irrelevante, afinal, ela era.
—Ken, querido, eu… – começara – Preciso ser sincera com você.
—Não espero menos, Katie. Algo a incomoda? – respondera o rapaz.
—Gosto de você, sinceramente. Acho que gosto de você ainda mais que de todos os outros garotos que já conheci. E estou lisonjeada pelo convite para vir aqui e conhecer coisas que as pessoas normais jamais vão ver. Também por me apresentar à Louise e tudo mais. Mas preciso ser clara… não quero namorar. Se é isso o que pretende, ao menos não acho justo o iludir. Não estou pronta para me amarrar em alguém nesse momento, entende?
Os segundos seguintes foram angustiantes. Katherine aguardava por uma resposta ansiosa pelo que viria. Talvez tivesse de ir embora sem a transa que imaginara horas mais cedo ou talvez não o visse mais depois daquilo. A verdade era que daquela forma seria melhor. Não queria ninguém em seu pé por causa de uma boa f**a.
—Entendo você – dissera o rapaz finalmente – Estou feliz que tenha dito isso, aprecio sua sinceridade e temia que pudesse ferir seus sentimentos.
—Quer dizer… – a loira erguera uma sobrancelha. Agora o rapaz parecia tão enigmático quanto Louise.
—Não posso namorar. Sequer posso firmar qualquer tipo de relacionamento. Temo que esse seja nosso único encontro. Queria lhe dizer isso antes, mas não sabia como. Ainda não sei, na verdade e isso me assusta, fui educado para saber como reagir em qualquer tipo de situação. Mas vou tentar – explicara ele – Veja bem, em breve devo partir para a Europa. Tenho uma tarefa a cumprir por lá e não sei quanto tempo deve levar para que eu volte. Na verdade, sequer sei se voltarei. Deveria ter partido uma noite após aquela qual a conheci, mas decidi estender minha estadia por mais uns dias. Compreende? Sabe, eu diria que você surgiu como um anjo, me refreando enquanto organizo meus pensamentos. É por isso que estamos aqui nesse instante.
—E essa tarefa… não pode falar sobre ela.
—Acho que você entendeu, afinal.
—Vou ligar para a Isa e dizer que não vou à aula essa noite. Se me permitir ficar aqui com você, é claro.
—A melhor noite da minha vida, posso garantir – respondera o oriental – Não há alguém que ficara preocupado com isso? Seus pais? Posso pedir que alguém a leve até sua casa e depois a traga de volta, se desejar.
—Isadora sabe lidar com meus pais. Ela pode cuidar disso. No momento, eu ouso dizer que meu lugar é aqui com você – respondera o encarando nos olhos.
Katherine se aproximara e o tocara na face. Erguendo o corpo até ficar na ponta dos pés, o beijara nos lábios. Por que em seu coração ela se sentia triste? Não fora ela quem dissera primeiro que não queria um relacionamento naquele momento?
Então por que sentia aquela pontada no coração ao pensar que o perderia para sempre?
—Vamos fazer essa noite ser inesquecível – sussurrara ao ouvido do rapaz.
—Como desejar, meu anjo.