Romances novos, romances antigos

2885 Palavras
Lá estava a linda garota com os olhos colados na tela do notebook, fingindo que não ouvia a amiga bem ao lado, embora fosse impossível não dar atenção à Katie quando a mesma queria ser ouvida. Desde a noite em que Leonel chegara no colégio trazendo Trixie com ele, a loira e Leonard estavam a infernizando, alegando que aquele gesto tinha sido uma afronta ou uma mensagem a ela por não ter avançado a relação entre eles. Embora não dissesse nada, a verdade, pelo ponto de vista de Isadora, era bem diferente do descrito pelos amigos. Ela havia agido por impulso, contemplado uma oportunidade de provocar o rapaz e sem pensar nas consequências, tinha feito. As coisas saíram dos trilhos quando tornara tudo mais pessoal, propondo se encontrarem pessoalmente. O boquete fora maravilhoso e a sensação de pegar em um p*u de verdade e daquele tamanho era algo que não saía de sua mente nas últimas semanas. Claro que depois do ocorrido não tinham tocado mais no assunto, ambos tinham compromissos reais e mais importantes para pensar. Não podia correr o risco de que suas notas caíssem. Pelo contrário, precisava que aumentassem, pois era a segunda melhor da sala perdendo por pouco para ele. Fora iludida ao imaginar que ele vinha pensando nela tanto quanto ela nele enquanto estudava. Ficara claro que Leonel tinha outras coisas para se divertir quando o vira surgir de braços dados com a v***a loira. Avançar o relacionamento entre eles? Que relacionamento? —Isa? Isadora?! Quer parar de fingir que não está me ouvindo! Katherine não lidava muito bem com a rejeição. Isa sempre dizia que deveria ser algo relacionado à infância da amiga, mas Katie sempre brigava dizendo que não era louca, como a outra sugeria. A linda menina de pele cor de bombom parara instantaneamente, os olhos negros por detrás das lentes fitando a expressão severa e estressada da outra na mesa bem diante dela. Havia ficado imóvel, as mãos que antes teclavam um relatório freneticamente no notebook paradas como se fosse uma estátua. Não apenas ela, mas vários outros casais e pessoas nas diversas mesas ao ar livre da lanchonete tinham parado, dirigindo os olhares para Katie, que parecia não se importar nem um pouco com a atenção recebida. Por sorte – pensara Isadora – Leon não estava com elas naquela manhã. A única coisa que fazia Katie ser mais explosiva que naquele momento era estar na companhia do rapaz. —Estou te ouvindo, querida – respondera Isadora erguendo as sobrancelhas – Apenas não quero me perder no relatório sobre Phyton que estou escrevendo. —Isso nem é uma tarefa do curso. Por que está fazendo, afinal? Embora parecesse um pouco alienada, Katie era extremamente inteligente. Mantinha um website pornográfico e assessorava diversos atores e atrizes desse meio, promovendo festas e atuando na produção de filmes. Tecnologia era um hobby, uma vez que, alheio ao conhecimento de quase todos, exceto Leonard e Isadora, seus melhores amigos, a maior parte de seu patrimônio próprio vinha da mineração de Bitcoins. —Na verdade estou apenas tentando descobrir algo que não notei ainda na linha de programação que possa usar em meu TCC. Não espero revolucionar a segurança, mas pretendo apresentar o protótipo de um sistema que possa ser vendido por um bom valor posteriormente – explicara Isadora. —Assunto chato. Estou decepcionada com você – a expressão de Katie era de descaso, mesmo diante dos lábios torcidos de Isa em vista do comentário – Combinamos que nessa manhã iríamos falar sobre o gostosão do Leonel e como vamos tirar a loira aguada do caminho para você atacar. Isadora suspirara. —Primeiro, você disse que queria falar sobre Leonel. O que eu disse é que não havia nada para falarmos e que tomaríamos café juntas. Segundo, não acha um pouco estranho você fazendo críticas a loiras? – Isa sabia que a provocaria. —Nem todas as loiras podem ser como eu, o que posso fazer? Ignoremos o menor dos problemas. Você acha que eles estão namorando? Katherine não tinha nada melhor para fazer que planejar a vida amorosa da amiga? Certamente tinha, mas preferia estar ali. —Não sei e não me interesso. O que Leonel e Trixie fazem não é da minha conta. Eles são adultos como nós, sabia? Podem tomar decisões sozinhos. A loira estreitara o olhar sem dizer nada, refletindo. Então apanhara o copo de suco, abacaxi com hortelã e sugara lentamente no canudinho ponderando o que fazer. Isadora precisava de um empurrãozinho para entrar no maravilhoso e envolvente mundo do sexo e cabia a ela fazer esse favor – era o que pensava. —Negação é o primeiro sinal de um ego ferido, sabia? – começara – Ambas sabemos a verdade simples e inegável. Você provou o sabor da maçã, embora eu pense que nesse caso seria melhor usarmos outra metáfora como linguiça, salame, salsicha, cenoura, pepino, mandioca… enfim, provou o calor do toque sublime, quente e sedutor da carne e queria mais, não tente negar… —Não estou negando – retrucara a nerd que havia voltado a teclar. —Mas aí deixou o boy na mão e sinto dizer, não sei qual de vocês é o mais i****a quando o assunto é assumir o t***o que sentem… Leonel pode ser aquele pedaço de m*l caminho rico, lindo e gostoso, mas ele vacilou feio em não ter te procurado depois que caiu de boca no sorvete dele… —Metáfora r**m, querida. É quente, duro e não derrete – corrigira a outra. —Ok, my fault, vou pensar em algo melhor na próxima – se desculpara Katie – De qualquer forma, ambos certamente estavam loucos para se reencontrarem e pularem para o próximo nível e… —E…? —E vacilaram. Simples assim. Nem dá pra acreditar que são os nerds mais inteligentes do colégio. Deveriam tomar penalidade nas notas por gafes desse tipo. Principalmente você, que deu bobeira, deixou a fila andar e agora tem uma v***a no seu caminho… – Katie adoraria enforcar Trixie se pudesse. —Certamente temos coisas mais importantes para pensar. Também deveria tentar, Kat. Já lhe ocorreu que a vida não é apenas sexo? – argumentara Isa. —Hum… já pensei no caso, não gostei e esqueci. Obviamente a vida não é só sexo, mas é muito melhor com sexo e sexo é a melhor parte. Confie em mim, análise de profissional da área – respondera sorrindo. Isadora sabia que Katie não desistiria até ela tomar alguma decisão e que não aceitaria qualquer decisão passiva e sensata de ignorar o novo casal e focar nos estudos. Se queria paz para se concentrar no que desejava, teria de jogar o jogo da amiga, como acontecia desde que eram crianças. —Tudo bem, vamos fazer um acordo – propusera a garota encarando a loira nos olhos – Embora eu não deva satisfações da minha vida pessoal para você e nem ninguém, vou lhe dizer o que farei. —Estou ouvindo… – respondera Katie em tom sonoro e provocativo. —Irei falar com o Leo e descobrir o que está rolando entre ele e a Trixie. Se não estiverem namorando, vou descobrir se ainda existe algo entre ele e eu – em seu íntimo, Isadora não acreditava que houvesse algo, exceto por ela agindo como uma v***a na noite do boquete – Se decidir que vale a pena investir, então o farei, mas se sentir que ele e eu não temos nada em comum, não me interessa que seja o cara mais gato da escola, estou fora. E não venha me pegar no pé por isso depois, ok? Katherine parecia pensativa. Isa afastara o corpo na cadeira, cruzando os braços enquanto fitava a loira. Já esperava por uma contra proposta, mas não aceitaria termos. Por que ela deixava Katie e Leon manipularem sua vida? —Certo – Katherine havia mesmo concordado com ela? – Concordo com o que decidir sob uma condição – claro que havia uma condição – Se escolher não sair mais com Leon, chamarei alguns amigos para sairmos. Um encontro duplo, você, euzinha e mais dois gatos da minha escolha. Alguém precisa fisgar esse seu coraçãozinho, querida. Não pode ficar apenas com a cara enfiada em livros. Posso sim – pensara a mulata sem dizer em voz alta. —Posso aceitar isso desde que não termine em uma suruba entre os quatro. Sabe que se aprontar pra mim vou te deixar sozinha – negociara Isadora. A garota já ia responder algo quando um rapaz se aproximara das duas. Era um jovem oriental alto e magro. Não era o tipo de cara anabolizado como alguns ratos de academia que as duas conheciam, mas tinha um corpo bonito. O rapaz se agachara e beijara Katie na face. Ambos se encararam e a loira mordera os lábios, certamente pensando em alguma bobagem. A outra garota à mesa parara de encarar a tela do notebook por um instante, notando o garoto, seus cabelos negros lisos e brilhantes e os óculos de armação redonda bem ao estilo Harry Potter. —Sente-se, me deixe apresentá-lo à minha melhor amiga, Isadora – dissera Katherine enquanto o rapaz puxava uma cadeira e se sentava ao seu lado – Isa, esse é o Ken, meu mais novo amigo. Estamos transando há pouco mais de uma semana, mas sentimos que já temos muito em comum – concluíra diretamente. O rapaz a encarara, então mudara o olhar para Isadora e de volta para Katie, claramente desconfortável com a afirmação tão direta da garota. —Não preciso saber dos detalhes – comentara Isa. —Ela não precisa saber dos detalhes – reforçara Ken. —Ela diz isso, mas adora saber dos detalhes. Sempre ouve tudinho, querida – entregara a loira com um sorriso desinibido nos lábios. —Porque você insiste em contar… – rebatera a nerd – Que tal mudarmos de assunto… – sugerira a garota de cabelos negros. —É uma boa ideia – argumentara o rapaz. —Por quê? – persistia a loira. —Então, como se conheceram? – prosseguira Isadora, ignorando a amiga. Katie ficara em silêncio por alguns segundos. Seus olhos, normalmente com o tom verde de esmeraldas, agora castanhos com a luz da manhã. Isadora sabia do histórico da amiga, qual seus olhos mudavam de cor de acordo com o humor em que se encontrava. Finalmente a loira sorrira, aparentemente havia relaxado enquanto refletira naqueles poucos segundos. Mas havia levado as coisas numa boa ou estava, no fundo, planejando algo? Quem saberia dizer? —Eu sou Ken Akamatsu – respondera o rapaz, quebrando o gelo – Trabalho em um hotel no centro da cidade e o pai de Katie sempre vai lá em reuniões. Ele recentemente levou Katherine e a mãe dela lá para jantarem e assim a conheci. Havia algo na voz do garoto que deixara Isadora com o olhar vidrado, quase hipnotizada. O que aquele menino tinha? Sua simples presença era impactante em um tom quase sobrenatural de charme e encanto. —Ele está sendo modesto – emendara a loira – Ken é filho daquele magnata que tem o hotel mais chique da cidade no centro. Ele também é gerente do lugar e é muito inteligente, algo que sempre amei nos orientais. A garota de óculos parada à frente do notebook percebera o encanto nas palavras da amiga ao falar do rapaz. Era bom saber que não tinha sido a única cativada pelo mesmo. Ao que tudo indicava, o garoto tinha um charme natural que atraía a atenção do sexo oposto. —Katie está exagerando um pouco – sorrira Ken ao explicar – Fui adotado por Johan Stanley Silverglade quando era ainda bebê. Meus pais biológicos não sobreviveram a um acidente de avião e o Mestre se solidarizou com meu caso, me tirando do orfanato. Ele me educou e me forneceu os recursos para que eu estudasse e me formasse. Sou apenas grato por tudo que fez, cuidando do hotel de meu pai. Não é nada demais. —Mestre? – Isadora ficara curiosa. O que ele queria dizer? —Silverglade é um nobre europeu – explicara o rapaz – Ele vem de uma longa linhagem de nobres versados em muitas áreas. Nem eu mesmo o conheço bem a ponto de saber tudo sobre ele, exceto que é um grande empresário, filantropo, filósofo e gênio das artes. É uma pena que esteja sempre viajando a negócios, seria um prazer as apresentar um dia. —Quem sabe um dia tenhamos a oportunidade? – indagara Isadora – Agora entendo como você fisgou o coração de minha doce amiga. Katie tem um padrão de escolha bem peculiar, ela não se deixa encantar por qualquer um. —Além disso – comentara a loira – Esqueça o que dizem sobre os orientais, Ken aqui é muito bem dotado…  Os outros dois se encararam sem dizer nada. Ken então voltara o olhar na direção de Katie enquanto Isa tomava um gole do suco de maracujá que pedira, fingindo estar olhando para outro lado. Talvez devesse tomar alguns calmantes mais fortes quando saísse com a amiga. —Bom… eu acho que preciso ir – dissera a nerd esperando que a desculpa colasse – Preciso rodar esses códigos e o notebook não tem a potência para o desempenho ideal. Vou deixá-los a sós para aproveitarem a manhã. Nos falamos mais tarde, querida. E foi um prazer o conhecer, Ken. O rapaz se levantara ao mesmo tempo que Isadora, lhe estendendo a mão. Quando a menina retribuíra o gesto, Ken se inclinara e a beijara. —Não fique ofendido com a fuga da Isa, querido, não é nada com você. Ela ainda é virgem, então fica um pouco envergonhada quando falamos de sexo – comentara a loira ao mesmo tempo que ambos se tocavam nas mãos. Juro que vou te enforcar – dissera Isadora apenas movendo os lábios. —Também foi um prazer te ver, amor – sorrira a mulata para a amiga – Ligo mais tarde para colocarmos a conversa em dia. —Aos antigos romances, aos novos romances e aos futuros romances – Katie erguera o copo de suco sorrindo debochadamente. —Eu brindo a isso – concordara o rapaz, apanhando uma garrafa plástica com água na mesa e tocando o copo da loira. Sem opções e não querendo parecer indelicada, Isadora apanhara o copo de suco que bebia, tocando o copo da amiga e a garrafa que Ken segurava. —Tintin. Que os romances nos tragam bons momentos e boas lembranças. Mais que depressa, logo em seguida colocara o note na bolsa e jogara a alça no ombro, se virando e saindo logo dali. O que mais Katie contaria aos quatro ventos sobre sua vida pessoal? Era melhor não a provocar ou acabaria vendo sua história nos contos de algum site erótico.   Naquela noite. Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h15min. Então, você e Trixie. Estão namorando? Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h15min. Somos apenas amigos. Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h15min. Amigos com benefícios? Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h16min. Algo assim. Ciúmes? Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h16min. Não. Claro que não. Somos amigos também, certo? Vocês parecem ter algo mais. Por que não namoram? Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h16min. Acredito que seja preciso algo mais que química s****l para relacionamento. Trixie e eu estamos além disso, nos conhecemos desde crianças.   Então eles se conheciam desde muito antes daquele curso. Leonel parecia o tipo que teria interesse em Ciência da Computação, mas não Trixie. Teria ela se matriculado no curso para ficar perto dele? – pensara Isadora.   Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h17min. Entendo e concordo contigo. Estou feliz que esteja bem. Vocês dois parecem um ótimo casal juntos.   Ela tinha mesmo os elogiado com um casal? Onde estava com a cabeça? Teria de apagar aquela mensagem antes que Katie ou Leon lessem aquilo em seu celular. Vivia o escondendo e trocando as senhas, mas eles sempre davam um jeito de espionar, até suspeitava que o tivessem clonado.   Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h17min. Eu transaria com você também.   Bem direto. E agora? O que dizer? A garota percebera que de excitada como estava antes, agora estava suando de nervosa. Pense em algo. Pense rápido! – dizia a si mesma em silêncio.   Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h20min. Ainda está por aí? A assustei? Me desculpe. Acho que fiz uso inapropriado das palavras. Eu quis dizer que transaria com você também se quisesse. Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h20min. Quem sabe um dia? Vamos amadurecer essa ideia. Whatsapp – De Leonel para Isadora. 00h21min. Vamos sim. Agora preciso dormir, meu anjo. Academia pela manhã e então duas reuniões do estúdio antes do almoço. A vida de quem trabalha não é fácil. Nos falamos no curso. Boa noite. Whatsapp – De Isadora para Leonel. 00h21min. Boa noite, querido. Bons sonhos.   Então ele transaria com ela? Isso não era novidade, quem não transaria com ela? Era charmosa, inteligente, bonita e gostosa. Sabia suas qualidades. A questão era, e depois? Como ficariam as coisas entre eles? Ela seria mais um caso do gostosão da escola? Leonel havia sido claro, era preciso mais que química s****l para um relacionamento. Eles tinham isso?
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