Nem toda lembrança é um presente. Algumas são chamas que queimam até a alma.
Kael, Liora e Irian seguiram para o sul, rumo ao Círculo das Chamas Antigas — um lugar onde o passado e o presente se entrelaçavam num eterno uivo de dor e esperança.
Era dito que ali, sob as árvores de fogo eterno, as memórias rejeitadas podiam ser evocadas, trazidas à luz... mas a um custo.
Ao chegarem, encontraram uma clareira iluminada por chamas azuladas que dançavam no ar, sem consumir nada. O ar pulsava com uma energia antiga e volátil.
— Aqui, — disse Liora — a mente deve estar pronta para encarar o que o coração tentou enterrar.
— Se falharmos, podemos perder mais do que a memória.
Kael segurou firme os fragmentos do Coração de Tharn. Sentiu o peso do mundo sobre si, mas também a chama viva da esperança.
Cada um se concentrou.
As chamas se ergueram em volta deles, formando símbolos antigos. Memórias começaram a surgir — não só suas, mas as do próprio mundo.
Kael viu imagens de lobos ancestrais, de batalhas antigas, de traições, perdas, e amores que o tempo não pode apagar.
Mas as memórias também doeram.
Irian soluçava baixinho. Liora mordeu os lábios para conter um grito.
Kael viu o Lobo Sem Nome pela primeira vez em sua mente — não como sombra, mas como um ser inteiro, ferido, perdido.
O Espírito Sombrio não era só um inimigo. Era uma parte esquecida da alma deles.
Ao fim da evocação, Kael compreendeu que para salvar o mundo, precisariam trazer o Lobo Sem Nome de volta não como inimigo, mas como um irmão perdido.
A jornada estava apenas começando.