Luigi
Me identifico como médico e sou liberado para acompanhar a paciente. No caminho para o hospital verifico seu pulso, seus olhos e até o momento nada que me preocupe de verdade surge.
As duas ambulâncias seguem para o hospital onde trabalho a meu pedido ou elas seriam levadas para outra cidade. Aqui eu posso acompanhar o progresso das duas e dar a assistência necessária.
Fanny é levada imediatamente para a sala de tomografia, iniciar os exames necessários para que o médico de plantão possa iniciar o tratamento necessário. Alessa também é levada para fazer os exames, mas sua prima exige mais cuidados.
Fico na recepção a espera de notícias, mas o hospital hoje está lotado. Sou informado que há vitimas de outro acidente de carro com três rapazes gravemente feridos. Isso pode deixar o atendimento lento, e por isso demoro a ser atualizado sobre o estado das garotas.
Vejo um homem alto com uma barba farta e bem aparada, usando óculos escuros, chegar na recepção. Ele começa a ficar nervoso e eu me aproximo, tentando ajudar a recepcionista. Vez ou outra precisamos lidar com pessoas alteradas no hospital.
— Com licença, senhor, no que posso ajudar?
O homem vira sua atenção para mim e tento afastá-lo da recepção.
— O que você é?
Me pergunta friamente. Olho para a moça na recepção e ela me lança um olhar agradecido ao chamar a próxima pessoa da fila.
— Eu sou médico, senhor...
— Vicenzo.
Entendo minha mão para apertar a sua.
— Eu sou o doutor Luigi, em que posso ajudá-lo?
— Trabalha neste hospital? - Ele parece desconfiado. - Não vejo sua identificação.
— Não estou de plantão, hoje, mas acompanhei duas vítimas de acidente e por isso estou aqui. Mas se o senhor me disser o que deseja, talvez eu possa ajudá-lo.
Ele retira os óculos e vejo seu interesse.
— Essas duas vítimas eram Fanny e Alessa Bernardi?
Não sei o sobrenome das jovens, mas os nomes são os mesmos. O sobrenome não me é estranho e tenho certeza que já ouvi, mas como trabalho em hospital e passa tantas pessoas por aqui, deve ter sido algum paciente.
— As duas vítimas se chamavam Fanny e Alessa, sim, só não sei o sobrenome. São parentes do senhor?
— São minhas sobrinhas. Qual o estado delas?
— Alessa estava desacordada, mas deve despertar em breve, isso se já não despertou. Fanny necessita de mais cuidados, precisou usar um colar cervical, bateu a cabeça com força no volante e tem um hematoma considerável no local da batida e está desacordada. Precisamos aguardar os resultados dos exames.
Ele balança a cabeça.
— Não, elas serão levadas daqui agora.
Encaro o homem que deve estar louco ou surdo, será que não ouviu que Fanny está fazendo os devidos exames e não sabemos qual a gravidade do caso dela?
— Senhor Vicenzo, provavelmente Alessa será liberada após o período de observação, mas Fanny não há previsão.
Ele parece irritado depois de minha declaração.
— Eu não estou pedindo, estou informando que as duas jovens serão removidas. Uma equipe de nossa confiança está chegando e elas serão levas. Só preciso saber o quarto em que elas estão, mas se não informarem, eu descubro do meu jeito.
Sinto a ameaça na voz do homem e algo começa a circular minha mente. O nome Bernardi não me era estranho, mas atribuí ao meu trabalho, porém, começo a associar a outra coisa. Esse homem intimidador, falando com tom de ameaça...
— Vai me dizer o quarto onde elas estão ou não?
— Eu mesmo não sei...
Ele nem mesmo me deixa terminar falar e vira as costas.
O homem com cara de poucos amigos deixa o hospital sem falar mais nada, mas algo me diz que sua atitude não significa que ele desistiu que levar as duas daqui.
Passa alguns minutos, até começo a achar que o homem acabou desistindo, mas então eu vejo uma ambulância diferente. Enfermeiros saem dela com uma maca, logo em seguida encosta outra e saem mais dois enfermeiros com outra maca e eles vêm na direção do hospital.
Os seguranças tentam impedir, mas o tal Vicenzo o intimida, mostrando a arma que carregava sob a camisa. Os homens invadem o hospital e as pessoas ficam assustadas.
Vicenzo segue os enfermeiros com as macas e com ele mais dois homens de mesmo porte. Todos armados e não tentam mais esconder as armas. Os sigo com medo do que eles irão fazer, embora eu tenha certeza que não teria condições da fazer nada contra eles.
O homem começa a interrogar as enfermeiras e médicos que encontra pelo caminho, assustados, todos falam o que sabem, mas é muito pouco. As garotas estariam ainda fazendo exames, então provavelmente estariam na parte da emergência ainda.
Os homens andam de um lado a outro, chutando portas e assustando as pessoas, perguntando a todos sobre as duas jovens e eles acabam encontrando a primeira.
Alessa já estava acordada, mas estava tomando soro, provavelmente ficaria em repouso por algum tempo e então teria alta.
— Vicenzo! - Ela se espanta com a presença do homem, mas vejo que ela o conhece - O que está fazendo aqui?
— Só vamos embora, Alessa, onde está Fanny?
Ela concorda com facilidade, como se já esperasse por aquilo.
— Não sei, mas a gente acha.
Me espanto com a naturalidade dela. A jovem retira o soro como se já tivesse feito isso antes, pula da cama aparentemente bem, e anda pelos corredores em busca de sua prima. Em um minuto ela a encontra, estava a espera de mais exames, ao que parece, e ainda desacordada e usando o colar cervical.
Os enfermeiros a pegam com cuidado e colocam sobre a maca, retornam pelo caminho e a levam para a ambulância. Não sei o motivo, mas eu queria muito estar perto dela quando acordasse.
— Senhor Vicenzo, gostaria de acompanhar Fanny.
Ele me analisa com aqueles olhos que me fuzilavam.
— Não - decreta.
— Mas eu sou médico, posso ajudar.
— Temos muitos médicos a disposição.
Eu sou um homem alto, mas ele consegue ser mais alto que eu, me fazendo olhar para cima ao dialogar com ele.
— Em qual hospital ela vai ficar?
Ele se vira e vai para um dos carros estacionados, as ambulâncias já estão fechadas e prontas para partir. Acho que ele não quis me dar resposta alguma nem mesmo um não, mas ele se vira e responde.
— É sigilo. - Então ele olha para o parceiro e fala com ele - Vamos logo, que a polícia está chegando e não são os nossos.
Ele entra no carro e imediatamente ele sai em disparada, com aquela resposta eu só tive a confirmação de minhas suspeitas. Fanny e Alessa e aqueles homens pertencem à máfia Italiana.