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Sempre foi minha

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Sinopse

Vinicius sempre esteve ali. Oito anos mais velho, ele viu Melissa nascer, crescer… e se transformar em uma mulher impossível de ignorar. Entre eles, surgiu uma amizade intensa, daquelas que parecem inquebráveis — até a vida separá-los por um tempo.Anos depois, o reencontro muda tudo.Melissa não é mais a menina que ele conhecia. Agora, ela desperta nele desejos que ele lutou por anos para esconder. Já Vinicius deixou de ser apenas o amigo protetor — tornou-se um homem poderoso, seguro de si… e perigosamente determinado.O que antes era inocente, agora arde.Entre lembranças, tensão e uma atração que foge do controle, eles vão descobrir que alguns sentimentos nunca foram apenas amizade… e que certos desejos não pedem permissão.🔥 Da amizade ao desejo. 🔥 Do passado ao inevitável.Porque, no fundo… ela sempre foi dele.

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Capítulo por Vinícius, No Aeroporto
Estou inquieto. Não é só ansiedade. É algo mais profundo, mais difícil de controlar. Uma sensação incômoda que vem crescendo desde que pisei aqui hoje cedo. Faz três anos. Três anos desde a última vez que vi Melissa pessoalmente… mesmo depois de todo esse tempo, parece que nada dentro de mim realmente mudou. Talvez tenha piorado. Encosto no vidro do aeroporto, observando os aviões pousarem e decolarem, tentando me distrair, mas é inútil. Minha mente insiste em voltar para ela. Sempre volta. A nossa história começou antes mesmo dela saber falar. Nossas mães sempre foram próximas, daquelas amizades que atravessam anos como se fossem laços de sangue. Minha mãe me teve muito nova, e a mãe da Mel esteve presente em cada fase da minha vida. Até que, quando eu tinha oito anos… ela nasceu. Lembro daquele dia com uma clareza absurda. A maternidade cheirava a limpeza e novidade. Minha mãe me levou para conhecer a filha da melhor amiga dela. Melissa tinha apenas um dia de vida. Pequena. Frágil. Mas com um detalhe que me marcou sem que eu entendesse o porquê: os olhos. Castanhos, mas com um fundo esverdeado que parecia brilhar diferente. — Olha, Vini, sua nova amiguinha — minha mãe disse, sorrindo. Eu não respondi. Só fiquei olhando. Talvez ali tenha começado tudo. Crescemos praticamente juntos. Vizinhos, inseparáveis. Eu sempre estava na casa dela, ela sempre estava na minha. Quando Melissa tinha três anos, eu já tinha onze… e ela me seguia como uma sombra. — Vini, me espera! — Vini, olha isso! — Vini, você é meu herói! Eu ria. Sempre ria. Era fácil ser o herói de uma criança. O problema… foi quando ela deixou de ser criança. Quando Melissa fez dez anos, eu já estava com dezoito. Minha vida tinha mudado completamente. Festas, amigos, mulheres… eu já estava vivendo coisas que ela nem imaginava. Mas Melissa continuava ali. Observando. Curiosa. Atenta. Um dia levei uma garota para o meu quarto. Minha mãe não estava em casa, tudo tranquilo. Estávamos distraídos, envolvidos demais… até a porta abrir de repente. Melissa. Parada. Com os olhos arregalados. Tentando entender o que estava vendo. — Vini… por que ela tá colocando a língua na sua boca? A garota se afastou na hora, constrangida. Eu passei a mão no rosto, tentando não rir da situação. — Mel… isso não é coisa pra você ver. Ela cruzou os braços, emburrada. — Você não é meu herói? Anos depois, tudo saiu completamente do controle. Quando Melissa fez quinze anos, eu estava com vinte e três e prestes a ir embora. Tinha acabado de me formar em Direito e estava com tudo pronto para me mudar para os Estados Unidos. Harvard, doutorado Um novo começo. Uma nova vida. Mas, antes de ir… eu esperei. Esperei o aniversário dela. A festa. A valsa. E foi ali que eu perdi o controle pela primeira vez. Melissa desceu as escadas… e eu simplesmente parei. Ela não era mais uma menina. Não tinha mais nada de infantil nela. O vestido marcava o corpo de um jeito que eu não deveria estar notando. O rosto mais maduro, os olhos mais intensos… E quando eu segurei a cintura dela para dançar… foi impossível ignorar. Meu corpo reagiu. Minha mente travou. E, por alguns segundos… eu esqueci completamente quem ela era. Ou quem deveria ser pra mim. — Vini… promete que não vai esquecer de mim? A voz dela me trouxe de volta. Eu pisquei, tentando afastar aqueles pensamentos. — Isso é impossível, menina linda. Ela me olhou diferente naquele momento. Não como antes. E aquilo me deixou desconfortável. — Mesmo se você encontrar alguém lá… Aproximei ela um pouco mais, quase sem perceber. — Eu sempre vou estar aqui. E talvez… eu não devesse ter dito aquilo daquele jeito. Porque não foi só uma promessa. Soou como algo mais. Quando a música acabou, ela encostou a cabeça no meu peito… e chorou. E eu fiquei ali. Sem me afastar. Sem querer me afastar. Fui embora pouco depois disso. E achei que a distância resolveria tudo. Não resolveu. Dois anos depois, voltei ao Brasil. Uma visita rápida. Só que bastou um olhar. Melissa estava com dezessete anos. E completamente diferente. Mais mulher. Mais segura. Mais… provocante. Ela estava namorando. E eu odiei perceber o quanto aquilo me incomodava. Fui até a casa dela tentar agir normalmente, conversar com a mãe dela, fingir que estava tudo sob controle. Até que ouvi a porta do banheiro abrir. E ela apareceu. Molhada. Enrolada em uma toalha curta demais. Distraída. Natural. Como se nada tivesse mudado. Ela sorriu quando me viu… e simplesmente correu até mim, me abraçando forte. Como sempre fez. Mas não era mais como antes. Ela estava se tornando uma mulher linda. Meu corpo reagiu na hora. Tenso. Imediato. Incontrolável. Segurei ela, tentando disfarçar, respirando fundo… lutando contra algo que eu não queria sentir. Ela era muito nova. Mas naquele momento… eu tive certeza. Ela era especial para mim, mais do que eu queria. A semana passou rápido demais. Saímos, rimos, conversamos… e cada momento ao lado dela só piorava a situação. A proximidade. O jeito como ela me olhava. As pequenas provocações que ela nem parecia perceber que fazia. Ou talvez percebesse. No dia de ir embora, ela chorou de novo. Nos meus braços. E pediu… mais uma vez… para eu não esquecer dela. Como se isso fosse possível. Depois disso, mantivemos contato. Todos os dias. Mensagens. Chamadas. Fotos. Ela estava sempre presente. Mesmo longe. Principalmente longe. E eu… nunca deixei de pensar nela. Nunca. E agora… eu estou aqui. Esperando. O avião pousa. Os passageiros começam a sair. Meu coração acelera de um jeito ridículo. Até que eu vejo. Melissa. E tudo ao redor simplesmente desaparece. Ela está diferente. Mais bonita. Mais mulher. Mais perigosa. E quando os olhos dela encontram os meus… eu sei. Não tem mais volta. Ela caminha na minha direção com um sorriso que sempre teve efeito sobre mim. Só que agora… é pior. Muito pior. — Vini… A voz dela é mais baixa. Mais firme. Mais… adulta. E naquele exato momento, eu entendo uma coisa com clareza absoluta: Eu estou completamente ferrado. Porque ela não é mais a menina que me chamava de herói. E eu… já não quero mais ser só isso...

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