Olho em volta do bar me sentindo desconfortável com tantos olhares direcionados a mim e me pergunto porque diabos Petra me trouxe para esse lugar, afinal ela sabe que eu não consumo bebida alcoólica, o que me faz pensar que talvez agora ela goste de consumir álcool, afinal se passaram meses, suspiro vendo um homem se aproximar sorrindo abertamente e olho para trás conferindo se ele está realmente vindo até mim.
- Boa noite gatinha, você é nova por aqui ? - pergunta e eu arqueio uma sobrancelha.
- Bom, aposto que nunca me viu aqui antes, então acho que é o que parece. - respondo sarcástica e ele sorrir.
- Bravinha, gosto disso. - diz e eu reviro os olhos enquanto tento localizar Petra. - Acho que poderiamos nos divertir muito essa noite e eu também posso te mostrar a minha moto. - completa e eu respiro fundo tentando conter a irritação repentina que me faz querer arrancar a cabeça dele.
- Pode até gostar, mas ela não é para o seu bico, então fica longe ou vai se arrepender. - a voz de Petra me faz pular de susto enquanto me viro para trás a vendo sorrir com uma expressão assassina em seu rosto encarando o homem.
- Que isso gatinha, não precisa ficar com ciúmes, podemos fazer algo a três assim ninguém fica de fora da diversão. - diz o homem e Petra arqueia uma sobrancelha, esse gesto por alguma razão me faz lembrar de Pandora.
Talvez seja porque ela faz isso quase que o tempo todo.
É uma mania engraçada e fofa que ela tem.
E eu gosto disso.
- Ah, claro, inclusive eu conheço a pessoa perfeita para te ajudar a se divertir. - diz minha Petra de maneira sarcástica enquanto olha nos olhos do homem. - Sai daqui antes que eu quebre todos os ossos da sua mão. - completa mostrando seus olhos de lobo e o homem dá um passo para trás.
- Okay, fica com ela só pra você, posso achar outra garota. - diz se afastando e eu reviro os olhos.
- Eu poderia quebrar todos os ossos da mão dele sem me arrepender depois. - digo e Petra me olha sorrindo enquanto arqueia uma sobrancelha.
- Tem certeza ? - questiona de maneira sugestiva e eu junto as sobrancelhas desconfiada.
- Sim, tenho certeza. - respondo e ela suspira.
- Então vai em frente, o atraia lá pra fora e depois quebre a mão dele, na verdade quebre todos os ossos do corpo dele se quiser. - diz com uma expressão de diversão e eu faço uma careta.
- Tá falando sério ? - pergunto e ela assente.
- Muito sério. - responde sorrindo. - Coloca toda a sua raiva para fora, aquele cara merece, ele é um assediador de m***a de alguma alcatéia de outra cidade que acha que pode fazer o que quiser na nossa cidade. - diz e eu olho para o homem perto do bar falando no ouvido de uma mulher que está visivelmente incomodada com a sua presença. - Quem sabe se ele não faz coisa ainda mais r**m. - completa e eu suspiro.
- Eu não sou forte o suficiente, não sou como você. - digo e ela ri.
- Não é o que o banheiro da escola me contou após a sua seção de diversão com paranóia. - diz divertida e eu n**o com a cabeça.
- Eu não sei o que foi aquilo. - digo e ela sorrir.
- Eu sei que não sabe, mas isso não quer dizer que eu não saiba. - diz ainda sorrindo e eu fico surpresa. - Talvez você não curta o que eu vou dizer agora, mas não posso mentir para você. - continua se aproximando e em seguida agarra meus ombros e me olha nos olhos. - Alguns de nós tem visões com o seu lobo interior antes da primeira transformação, as vezes até alucinações, então o que quer que tenha visto aquele dia, da próxima vez não tenha medo, porque é o que está dentro de você, só deixe sair e verá que não é tão r**m quanto você acha. - completa de maneira suave e calma enquanto sorrir amigavelmente.
Engulo seco me lembrando daquele dia e do quanto tudo aquilo foi bizarro demais, aquelas patas eram diferentes das de um lobo normal, eram maiores, muito maiores. Mais acho que isso não é o mais importante no momento, afinal eu entendi o que ela quis dizer, eu estou prestes a passar pela minha primeira transformação.
E porque só alguns tem essas visões ?
Será que isso é um m*l presságio ?
E porque meus genes defeituosos tinham que inventar de funcionar logo agora ?
Que inferno !
Minha vida humana pacífica já era.
- Eu não quero isso. - digo e Petra sorrir assentindo.
- Eu sei que não quer, eramos melhores amigas e crescemos juntas lembra. - diz em tom de diversão e eu respiro fundo. - Também sei que parece r**m, mas não é, quer dizer, a primeira transformação costuma ser traumatizante para alguns, ainda mais quando são alfas ou betas, mas também tem muita coisa legal nisso. - completa e eu arqueio uma sobrancelha a encarando.
- Tipo, fazer os olhos mudarem de cor achando que isso vai assustar todo mundo ? - questiono divertida e ela sorrir.
- A vida é muito mais que brincar de biokinesis. - responde no mesmo tom me fazendo sorrir. - Olha só, você ainda sabe o que é sorrir. - debocha e eu reviro os olhos.
- Tava bom demais pra ser verdade todo esse seu momento de não falar m***a por não mínimo cinco minutos. - digo no mesmo tom e ela sorrir.
- Sinto muito se não sou a criada que você sonhou abelhinha rainha. - diz divertida e em seguida agarra minha mão e me puxa para fora do bar rapidamente.
- Ei, para onde vamos ? - pergunto curiosa.
- Para um lugar aonde eu possa te mostrar que ser um lobo não é tão r**m. - responde me olhando por cima do ombro enquanto passamos pela porta e eu sorrio.
Sorrio porque apesar de não sermos mais como antes ela se lembrou da promessa que fizemos quando ainda eramos crianças e não tinhamos noção das coisas para desejar fazer parte da alcatéia de maneira ativa. Prometemos estar ao lado uma da outra durante todo o processo da primeira transformação, prometemos que faríamos uma lista com todos as coisas boas e ruins de se tornar um lobo.
Ela lembrar disso significa que a Petra que conheci não morreu de verdade.
E por mais que ela tenha mudado muito, ainda há esperança para ela.
Ainda tem muito da garota que era minha melhor amiga nela.
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Viajar de avião sempre me pareceu algo irritante apesar de ser útil, passar horas dentro de uma caixa metálica em forma de pássaro é algo extremamente estressante para alguém tão agitada quanto eu, ficar parada por muito tempo e uma coisa que eu não consigo.
Eu nasci para estar em movimento constante.
Eu preciso sentir que de alguma maneira estou viva.
Suspiro balançando a perna sem parar tentando não me irritar com a lerdeza do taxista, isso me faz pensar que se eu não estivesse com pressa eu teria vindo de carro de Mount Holly até aqui, seriam horas de viagem ainda mais cansativas do que essas foram, porém eu estaria dirigindo e com isso chegaríamos mais rápido a casa do b****a do pai de James.
- Você tá balançando tanto a perna que por um momento jurei ter sentindo o carro chacoalhar junto. - diz James com um tom de diversão e eu o olho vendo ele me encarar com um sorriso de canto.
- Estou impaciente com essa demora. - digo e ele n**a com a cabeça achando graça e isso me faz querer soca-lo.
- Você precisa relaxar, já vamos chegar e eu preciso de você bem calma. - diz e eu arqueio uma sobrancelha.
- Porque ? - pergunto e ele suspira.
- Preciso da minha melhor amiga calma para poder permanecer calmo. - responde sorrindo fraco e eu respiro fundo parando de balançar a perna entendendo que estar aqui é difícil para ele, apesar de ter vindo de boa vontade.
- Pronto, relaxei, posso até te contar histórias ou cantar uma música para dormir. - digo divertida e ele me olha com uma careta. - Bela adormecida, Branca de neve, Cinderela, Alladin, João e o pé de feijão, conheço várias, mas Alladin é a mais divertida. - completo e ele ri de maneira escandalosa.
- Você não parece o tipo que curte animação infantil. - diz ainda rindo e eu sorrio.
- Eu gosto de coisas que as pessoas nunca imaginariam. - digo olhando para ele que retribui o olhar atento as minhas palavras. - Confundir as pessoas é a minha natureza, posso até dizer que talvez seja uma máscara. - completo divertida.
- Confundir as pessoas é mais fácil do que ter que tá sempre explicando como se sente. - diz pensativo olhando pela janela do carro. - Colocar uma máscara que agrada ou afasta a todos é muito mais fácil do que mostrar do que você e feito. - completa e eu sorrio.
- Nossa como esse meu menino de ouro é filósofo. - digo bagunçando o cabelo dele que sorrir e em seguida olho para o motorista que é um senhor de idade. - Falta muito para chegarmos ? - pergunto e ele n**a.
- Já estamos chegando senhorita, pelo endereço passado e a próxima rua a direita. - responde sorrindo.
- Está pronto para um reencontro familiar ? - pergunto olhando para James.
- Não, mas temos que ajudar a Luna, então vamos nessa. - responde sorrindo de canto.
Assinto enquanto penso na garota de olhos verdes, eu queria estar com ela agora porquê eu prometi que estaria lá por ela, eu disse que ela poderia contar comigo e agora que ela precisa eu não estou cumprindo com a minha palavra. Isso faz eu me sentir de uma maneira estranha, me sinto m*l e ansiosa, sim, ansiosa para voltar para aquela cidade e ir atrás da garota, mas eu não posso, eu tenho coisas a fazer e irei fazer, na verdade também estou ansiosa para encontrar com esse tal vampiro que hipnotiza outros vampiros.
Eu preciso máta-lo com minhas próprias mãos.
Preciso saber quantos sabem sobre Luna para eliminar um por um antes que possam ao menos sonhar que chegam perto dela.
Tenho que descobrir o que ele quer com ela.
Fico tão focada em meus próprios pensamentos que só noto que paramos em frente à um prédio chique quando James chacoalha a mão em frente ao meu rosto chamando minha atenção.
- Chegamos. - diz quando o olho e eu assinto o vendo sair do carro.
- Quero nos espere aqui, se fizer isso eu pagarei o dobro do que você ganha por dia. - digo chamando a atenção do homem que me olha surpreso.
- O dobro ? - questiona desconfiado e eu reviro os olhos.
- O dobro, fora o valor da corrida, então fique aqui. - respondo olhando em seus olhos usando a coerção com ele só para garantir que ele não vá a lugar nenhum.
- Eu vou ficar aqui. - diz de maneira robótica.
- Se ficar entediado compra um lanchinho e não esqueça de trazer um Milkshake de chocolate para o meu amigo e um capuccino pra mim. - digo e em seguida saio do carro.
Observo James parado em frente a entrada do prédio olhando tudo com atenção parecendo perdido em seus próprios pensamentos, me aproximo dele e paro ao seu lado o olhando de canto, ele retribui o olhar e eu faço um gesto com a cabeça para que ele me siga e então caminho a sua frente. Caminhamos em silêncio para dentro do prédio sob o olhar atento do porteiro, ao entrar no hall vejo algumas pessoas sentadas em uma área reservada enquanto a nossa esquerda mais a frente havia um balcão com uma mulher bem vestida atrás dele fazendo anotações em um caderno, olho em volta analisando a decoração chique e moderna achando engraçado como tudo aqui tem um ar meio esnobe e as pessoas nos encarando com uma expressão claramente acusativa me faz sorrir enquanto me pergunto porque diabos tem tanta gente acordada de madrugada em lugar como esse.
- Com licença, eu vim visitar meu pai, ele se chama James Anthony Cavill White. - diz James para a mulher do outro lado do balcão e eu faço uma careta.
- Por favor me diz que você não herdou o Anthony também. - digo e ele ri me olhando enquanto a mulher digita algo no computador.
- Eu sou James Alexander Campbell White. - diz rindo e eu arqueio uma sobrancelha. - Alexander do meu avô e Campbell é o sobrenome da minha mãe, inclusive seria bom você não a chamar mais de senhora White, ela não se incomoda, mas eu sei que a faz lembrar dele, então não vamos trazer de volta as lembranças ruins para ela. - completa claramente preocupado em não soar rude ao me pedir isso e ao mesmo tempo sendo um bom filho preocupado com sua mãe.
- Claro, não vamos trazer de volta o passado senhor Alexander. - digo com um tom debochado ao falar seu nome e ele revira os olhos.
- Vovozinha McCracken pode dar um tempo ? - questiona debochado e eu arqueio uma sobrancelha o encarando e ele me imita com uma expressão de diversão.
- Com licença, pode me mostrar um documento de identificação para confirmarmos que você é realmente um familiar do senhor White ? - pergunta a mulher chamando nossa atenção e James rapidamente pega sua carteira de identidade no bolso da calça e mostra para a mulher que confere e em seguida sorrir. - Apartamento quatrocentos e trinta, décimo andar, tenham uma ótima madrugada. - diz ainda sorrindo e eu a encaro.
- Obrigada. - diz James passando o braço em volta do meu pescoço e em seguida me guia para o elevador.
Sigo para a caixa metálica olhando de canto tudo a nossa volta memorizando cada pequeno detalhe do lugar, ao entrar no elevador com James espero ansiosa para chegarmos ao décimo andar, m*l posso conter a animação com a possibilidade desta noite ser mais animada do que pensei.
Estou torcendo para que o pai de James não colabore.
Quero muito poder ao menos quebrar o nariz do b****a.
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