Machiavelli.

4359 Palavras
Destino. O que isso quer dizer ? Eu não consigo entender como é possível que eu tenha vivido mais de dez séculos e não me lembre de nada, mas o mais importante é, porque tais memórias estão retornando a minha mente agora e o que aquelas caixas significam para mim e como elas me afetam. E Kora ? Como ela pode entrar na minha mente ? Como posso ter me apaixonado por outra Blackwood no passado e no presente isso está se repetindo ? Por acaso isso é destino ? E aquela garota que vi, quem é ela ? Tomo mais um gole de whisky direto da garrafa enquanto espero pacientemente sentada no sofá da sala, observando as fotos de Kimora com sua família que parece ser bem pequena, pois da para contar nos dedos de uma só mão quantos parentes ela tem. Isso me lembra que eu poderia ter vindo em um horário em que sua família estivesse em casa para lhe impor medo, mas algo me diz que minha presença por si só já é algo a ser temido, eu também poderia ter a chamado até minha casa, mas com o treinamento de Luna e seus ouvidos agora sensíveis escutariam coisas que ela não precisa saber no momento, pois seu foco tem que ser somente sua batalha contra seu pai. Seu treinamento é muito mais importante que tudo isso. Ela precisa aprender a lidar com sua própria fraqueza primeiro, se quiser se tornar forte para então seguir adiante. Isso me faz lembrar da primeira vez que ouvi isso da minha mãe, eu era só uma criança descontrolada quando ela me disse que minha fraqueza era perder o controle de quem eu sou, para ela meu único problema sempre foi comigo mesma, minha fraqueza se tratava de algo interior e mesmo depois de tanto tempo eu sinto que isso ainda a preocupa, sua atitude mais cedo só provou isso. No entanto, ela não pode controlar tudo a minha volta como quando eu era criança e nem me conter, então eu a entendo de certa forma, afinal ela é minha mãe, sempre irá se preocupar comigo mesmo quando se tratar de algo bobo, porém nossos últimos diálogos tem me ajudado a criar uma suposição de que ela sabe de algo mais sobre tudo isso, sabe de algo crucial e por alguma razão não quer dividir isso comigo, talvez possa ser algo sobre minha mãe biológica e ela não quer conter por pensar que eu a deixaria para ir em busca da mulher, o que em outra época eu faria somente por querer saber quem eu sou, mas não agora, muitas coisas mudaram e acho que de certa forma eu faço parte delas. Reviro os olhos tomando outro gole de whisky pensando no quão inútil é pensar nesse tipo de coisa agora e então sorrio com a voz da minha mãe em minha mente repetindo aquelas palavras que ela me disse semanas após o evento em Chicago " um dia você terá pensamentos tão bobos e sentimentais que aí finalmente você entenderá o que é ser humano, também entenderá que ser humano não se trata de não ter nenhum legado sobrenatural ou fazer parte desse grupo específico e assim muitas vezes ser esmagado por ele, mas sim do fato de sentir, de se alegrar, se aborrecer, se apaixonar, se perder e no fim se encontrar, porque ser humano é simplesmente ser alvo de uma força maior e invisível que envolve esse mundo e todos os seres que vivem nele os deixando a mercê de uma coisa chamada destino ". Eu lembro que nunca ri tanto quanto ri ao ouvi-la falar isso, eu ignorei totalmente esse fato e acho que agora ele me persegue, pois acho que finalmente estou no caminho para entender o que é ser humano, no entanto eu ainda sou o que sou e não sei se isso vai mudar mesmo que eu entenda totalmente isso. Respiro fundo sentindo o aroma saindo da boca da garrafa de whisky e ao ouvir um barulho de motor se aproximando da casa, seguido das batidas irregulares de um coração ficando mais constante tão de repente e então eu sei que ela finalmente chegou e ver meu carro parado do outro lado da rua com toda certeza a deixou alarmada e com medo por sua família, então não leva muito tempo para que ela desça do carro apressada e segundos depois abra a porta de maneira desesperada. - Achei que iria me fazer esperar o dia todo. - digo olhando para a foto da família outra vez. - Bela família, principalmente as crianças. - continuo diante de seu silêncio sem me preocupar em me virar para a olhar, pois eu sei exatamente que ela está paralisada em frente a porta aberta, com uma expressão incrédula e assustada me olhando sem saber o que fazer, acho até que em sua mente ela está me imaginando matando toda a sua família. - Cuide bem delas, pois ouvi por aí que as crianças são o futuro e a esperança da humanidade. - completo divertida tomando outro gole de whisky. - O que faz aqui ? - pergunta tão baixo que só escuto graças a minha audição aguçada. - A pergunta certa é... - faço uma pausa tomando outro gole de whisky. - Qual é o seu verdadeiro papel nessa história e porque eu não devo te m***r nos próximos minutos. - digo voltando a cheirar a boca da garrafa para sentir o aroma forte da bebida. - Eu nunca menti pra você e eu sei que é isso que você realmente quer saber. - diz e eu sorrio achando graça desse seu tom audacioso mesmo estando em uma situação que a deixa vulnerável. - De certa forma também sei porque está aqui e o que quer ouvir, mas não sou quem você precisa encontrar para ouvir tais coisas. - completa e eu deito minha cabeça nas costas da poltrona olhando para o teto. - Eu vejo com meus olhinhos que nesse teto está escrito que você quer meu beijinho. - brinco colocando a tampa na garrafa de whisky e então salto para o outro lado tão rápido e de repente que ela dá dois passos para trás assustada. - É muita audácia sua achar que sabe o que eu quero. - digo olhando em seus olhos azuis de gatinho assustado. - Então estou errada por concluir que não irá me m***r ao chegar e encontrar minha casa invadida, porém intocada e sem contar que não vejo nenhum m****o da minha família sendo torturado por você. - diz tentando soar o mais firme possível, mesmo que seus olhos digam que ela ainda está preocupada com a possibilidade de eu ter feito outra coisa. - Tortura é algo bem óbvio e esperado por quem me conhece, então o que te faz pensar que eu corresponderia as expectativas assim tão facilmente ? - questiono de maneira sarcástica e a vejo engolir sua própria saliva. - Então diga o que quer de verdade. - pede e eu sorrio. - A cabeça da sua mestra m*l passada servida em uma bandeja com bastante batata frita ao redor. - digo e ela faz uma careta. - Diga a ela que a espero na lojinha para brincarmos de convenção das bruxas ou algo assim. - completo e ela assente. - Eu direi. - diz e então eu ando para o lado abrindo espaço para que ela entre totalmente em sua casa. - E enquanto a mim ? - questiona me olhando. - O que muda entre nós ? - questiona agora de maneira direta. - Se fizer sua parte direitinho, então nada mudará por enquanto. - respondo e ela assente indicando entender. - Nossa conversa acaba aqui, espero as duas no local combinado. - completo e ela franze o cenho. - Devo ir também ? - questiona e eu assinto. - Claro, o prato principal é a sua mestra, então te resta me servir de entrada. - respondo divertida e ela sorrir. - Até mais, Pandora. - diz e eu apenas lhe entrego a garrafa de whisky. - Toma, você vai precisar. - digo olhando uma última vez em seus olhos antes seguir para fora da casa. Eu poderia máta-la, poderia, no entanto ela está certa, eu estava em sua casa a esperando de maneira pacífica porque queria saber se ela havia quebrado minha confiança e se tivesse a quebrado, agora ela não estaria respirando aliviada enquanto eu sigo para o meu carro. Mais não devo me atentar somente à isso agora, eu preciso focar em meus deveres novamente, eu estive tão focada em Luna que deixei certas coisas passarem despercebidas e isso não pode mais se repetir, não posso esquecer que vim para Mount Holly não somente por ela, apesar de que ela é o principal motivo da minha vinda, entretanto eu também para descobrir minhas origens, vim para encontrar ao menos alguns vestígios de laços do meu passado e acho que finalmente encontrei algo. E irei fazer o que for preciso para alcançar meus objetivos. Custe o que custar. ____________________________________________ Caminho tranquilamente pelo corredor principal do castelo pensando no que ela faria se estivesse em meu lugar agora, como ela agiria e como trataria esses três e seu bando de idiotas. Acho que não tenho como saber isso agora. Entretanto isso acabou de me dá uma idéia bem divertida. Suspiro me sentindo entediado enquanto observo os guardas com seus mantos vermelhos chamativos, não que o meu não seja, mas nem se compara ao deles, todo esse bordado dourado por cima do tecido de veludo é coisa de outro mundo. - Senhor Machiavelli, o conselho lhe aguarda. - a voz de Mitre seguida de sua figura abrindo a enorme porta para mim me faz sorrir. - Esse seu dom de fazer a sua voz ecoar na mente das pessoas é bem interessante. - digo e ele sorrir de maneira contida ajeitando sua gravata borboleta me olhando com seus olhos castanhos escuros e enigmáticos. - Acho que devo confessar que já imaginei você em outras ocasiões abusando desse seu dom como maneira de estímulos para um bem pessoal. - completo e ele faz uma careta. - Isso foi inesperado meu senhor. - diz e essa sua maneira de me tratar formalmente todas as vezes que venho aqui me faz rir, pois ele nunca perde a postura. - O senhor Machiavelli retornou de sua breve jornada na América. - diz e então todas as cadeiras se voltam para mim como se eu fizesse parte de uma peça que seria apresentada agora. - Machiavelli, a que devemos a honra de sua presença em nosso conselho ? - pergunta Angelina Lumiere tomando a frente e eu sorrio. - Como foi está na presença daquela criatura deslumbrante ? - pergunta Arzur animado e eu respiro fundo. - Foi muito interessante e esclarecedor. - respondo tranquilo e ele sorrir. - Ela ainda tem aquela presença forte ? - questiona e eu assinto o vendo sorrir ainda mais. - Fascinante, eu adoraria ver o demônio de Jersey em ação outra vez, mas diante das últimas informações há outras coisas que devemos priorizar nessa reunião. - diz e então Ruby se põe de pé fazendo com que Arzur ao seu lado volte sua atenção para ela. - A pauta desta reunião essa noite se trata da concretização de uma maldição lançada há mil anos atrás. - diz Ruby chamando a atenção de todos. - Como todos sabem Mikhaela McCracken, a herdeira do clã extinto pelos lobos Blackwood após falsa acusação de uso de magia proibida que necessita de sacrifício humano, ela em seu leito de morte lançou uma maldição sobre a família Blackwood desafiando assim todas as leis da natureza e dando vida a lenda intitulada de " a primeira alfa ". - completa e eu sorrio me lembrando da garota que Pandora protegia, a herdeira dos Blackwood. - A maldição foi concretizada na noite passada, a primeira alfa vive entre nós e pelo que sabemos, agora ela trava uma batalha contra seu próprio pai. - diz Caleb finalmente se pronunciando e Arzur e Ruby olham para o homem sentado a sua esquerda. - Qual é o problema nisso ? - pergunto chamando a atenção dos três sentados em cadeiras acima das demais ao redor. - Não acha que uma guerra entre lobos pode ser um problema para nossa segurança ? - questiona Caleb curioso com minha colocação. - Não vejo as coisas dessa forma, mas sim como uma oportunidade de presenciar a evolução das espécies, afinal o nascer da primeira alfa é algo encorajador, interessante e inacreditável, então não devemos nos opor se o próprio destino parece ser a favor disso. - respondo tranquilo. - Além do mais, guerras entre lobos sempre existiram, assim como guerras entre vampiros e bruxas, afinal a guerra em si é algo inevitável quando se há criaturas com egos tão grandes envolvidas em diálogos anti imbecis. - digo me lembrando do pouco que vi sobre quem é Cerberus Blackwood. - Acho que podemos nos beneficiar com essa batalha, vocês querem o demônio de Jersey e eu lhes garanto que ela estará caminhando entre as pilhas de corpos desse embate entre pai e filha, pois tem algo que prende seu interesse na pequena cidade de Mount Holly. - completo ouvindo os cochichos irritantes de todos exceto os três que permaneciam em silêncio me olhando com atenção. - Sábias palavras meu jovem. - diz Arzur batendo palmas. - No entanto não podemos deixar que tudo isso aconteça sem alguém de confiança para supervisionar este embate emblemático de forma neutra é claro. - completa olhando para Ruby que sorrir. - Acho que você ganhou uma passagem só de ida para Mount Holly. - diz a mulher e eu sorrio. - Alguém se opõe ? - questiona olhando em volta e todos apenas negam. - Boa viagem, Machiavelli. - diz Caleb se levantando. - Será um prazer lhes servir nesta breve jornada. - digo e em seguida me retiro sorrindo triunfante, afinal eu consegui o que queria. Então me aguarde Pandora, pois eu tenho tantas perguntas que apenas um chá da tarde não será o suficiente, mas que bom que agora eu tenho bastante tempo para tratarmos disso. Horas, dias e meses. Temos todo o tempo do mundo. ____________________________________________ Sangue, suor e lágrimas. Isso deveria servir, mas não serve. Não é o suficiente para me fazer permanecer inteira diante desse desafio. Merda ! Eu me sinto quebrada e talvez eu esteja mesmo, passar meu aniversário dentro de uma caixa metálica mágica que deveria ser um simples porão esgotou todas as minhas energias, eu não consigo nem sequer levantar agora. Suspiro odiando a sensação crescendo em meu peito a cada segundo, uma sensação de estar falhando miseravelmente no meu primeiro dia e de certa maneira pensar que é meu primeiro dia apenas me trás algum conforto, sorrio pedindo calma a mim mesma mentalmente, ouvindo batidas na porta a minha frente. - Terminou de brincar de cãozinho raivoso ? - ouvir a sua voz me acalma imediatamente dando lugar a uma sensação de conforto. - Porque não entra para ver por si mesma ? - questiono divertida e então segundos depois a porta se abre e eu a vejo com seu estilo habitual, a calça jeans preta com rasgos no joelho, uma regata branca com uma estampa do ACDC, jaqueta de couro preta e um coturno de salto baixo, também da mesma cor. Isso me faz lembrar que eu já notei que ela costuma se vestir quase totalmente de preto quando sai para fazer aquelas coisas que não me agradam muito, não que essa já não seja uma cor que ela usa no dia a dia, afinal ela sempre opta por tons mais escuros e neutros, suas regatas geralmente são brancas e pretas e com estampas de bandas, já as duas camisas de mangas curtas e compridas costumam não ter estampa alguma, ela tende a escolher roupas não chamativas, mas que nela ficam chamativas. Falando nisso... Acho que devo presentear ela com alguma roupa chamativa. Seria interessante ver ela vestindo algo mais colorido. - Será um prazer. - responde jogando um cobertor para mim, seus olhos estão fechados e só se abrem assim que me cubro, o que eu acho bem fofo da parte dela fazer isso por mim, apesar de não ser necessário. - Você está lindamente acabada lobinha. - diz divertida sorrindo de canto me olhando ainda da porta e agora eu posso ver seus olhos azuis brilhantes que eu adoro tanto. - Pandora McCracken, ninguém me coloca pra cima e depois para baixo tão rápido e fácil como você. - digo no mesmo tom sorrindo para ela. - Acho que é um dom. - brinca caminhando até mim. - Devo me preocupar em ser mordida se eu te tocar ? - pergunta com uma sobrancelha arqueada e uma expressão acusativa que me faz rir. - Se você gostar de mordidas, então eu posso te morder. - respondo e ela solta meus braços um por um do aperto das correntes para em seguida fazer o mesmo com os pés. - Por acaso está planejando me morder e me tornar sua companheira para toda a eternidade ? - questiona divertida me puxando com cuidado para cima. - Não é perigoso me deixar sem correntes ? - pergunto e ela faz uma careta confusa. - A porta está aberta, eu posso acabar fugindo e machucando alguém. - digo e então ela sorrir parecendo entender. - Não se preocupe, cancelei todos os feitiços assim que me aproximei da porta. - diz tranquila tocando meu rosto. - Chega de sofrer por hoje. - completa e eu assinto concordando olhando em volta vendo como o chão está nojento, cheio de sangue e pele, sem contar nos restos de panos rasgados que sobraram das minhas roupas. - Que garota eficiente. - brinco ajeitando o cobertor desviando meu olhar do seu por um momento. - Eu sou ainda mais eficiente em outras coisas, mas acho que esse não é o momento para termos um diálogo sobre o quão eficiente eu sou. - diz divertida e eu reviro os olhos. - Como prefere ser carregada, maneira tradicional ou cavalinho ? - questiona ainda no mesmo tom e eu junto as sobrancelhas em confusão. - Maneira tradicional então. - diz e então me pega no colo e em seguida me carrega para fora. - Eu posso andar sabia ? - questiono agarrando sua jaqueta com uma mão enquanto a outra segura o cobertor. - Mais eu quero te carregar. - responde e isso é o suficiente para que eu me cale e apenas deixe que ela me leve. E assim seguimos em um silêncio confortável onde eu aproveito para sentir seu cheiro bom, muito bom mesmo. Todo o trajeto é tranquilo e quando chegamos a casa, eu penso que Pandora me colocará no chão, mas ela não o faz, apenas segue comigo para as escadas enquanto todos na sala nos olham, enquanto Calvin e Mikhaela riem, Kai e Petra nos lançam olhares maliciosos, reviro os olhos em resposta enquanto subimos as escadas e quando finalmente chegamos aí quarto, ainda assim ela não me coloca no chão, ao invés disso ela segue direto para o banheiro e então finalmente ela me coloca no chão. - Eu preparei um banho quente pra você. - diz e só então eu noto um cheiro bom vindo do box. - Eu coloquei velas aromáticas pra te ajudar a relaxar. - completa e eu suspiro. - Está tentando me conquistar ? - pergunto divertida. - Preciso ? - questiona no mesmo tom e eu n**o rapidamente. - Entra logo naquela banheira. - praticamente ordena e eu o faço enquanto ela segue até os armários. Solto o cobertor o deixando cair no chão e em seguida entro no box vendo as velas acesas do outro lado encima da prateleira de vidro, respiro fundo sentindo o cheiro doce e suave para finalmente entrar na banheira. Sentir a água quente contra minha pele faz com que todos os músculos do meu corpo relaxem de uma só vez e que por um momento eu esqueça toda aquela tensão de falhar diversas vezes em um só dia. - Os primeiros dias nunca são fáceis, então não se cobre tanto lobinha. - diz entrando no box com shampoo, condicionador e um banco. - O que pretende com isso ? - pergunto divertida sabendo exatamente o que ela pretende. - Cuidar da minha companheira de alma. - responde no mesmo tom colocando o banco ao lado da banheira e em seguida se senta tirando a jaqueta, a colocando no suporte para toalha e então eu me ajeito na banheira ficando de costas para ela. - Quando eu era pequena, Mikhaela sempre fazia isso comigo após um dia de treino. - diz e eu sorrio imaginando como ela devia ser fofa pequena. - Ela costumava recitar poemas pra mim durante o banho ou só cantar canções. - completo parecendo voltar a esses momentos. - Foi assim que você passou a comprar somente regatas de bandas de rock ? - pergunto divertida e ela ri, um riso tão sincero e espontâneo que me deixa ainda mais encantada por ela. - Talvez. - responde divertida e então eu sinto seus dedos adentrando os meus cabelos de maneira gentil esfregando meu couro cabeludo em seguida. - Recita um poema pra mim ? - pergunto ouvindo seu riso agora breve. - Eu não quero te fazer sair correndo daqui lobinha, principalmente nessa situação. - responde divertida. - Se bem que eu ia adorar apreciar a essa bela visão, mas odiaria ter outras pessoas te olhando. - diz tão séria que eu me sinto na obrigação de me esticar para a olhar. - Então você é ciumenta. - brinco a olhando de maneira desconfortável por estar jogando a cabeça para trás por tempo demais e ela sorrir. - Eu apenas gosto que o que é meu continue sendo exclusivamente meu, e se enxergar a garota linda e deslumbrante que você é significa ser ciumenta por saber que qualquer outra pessoa adoraria te ter ao lado, então eu sou com muito orgulho. - diz e em seguida junta nossos lábios em um selinho breve. - Agora fica quietinha e deixa eu cuidar de você igual a minha mãe cuidava de mim, mas não espere ouvir um poema ou uma canção. - completa divertida. - Tá legal, vou ficar quietinha aproveitando esse mimo. - digo sorrindo e ela o retribui. Eu realmente pretendo aproveitar esse mimo, não que ela não seja atenciosa e carinhosa comigo, mas é que hoje tem algo especial no ar e a prova disso foi ouvi-la falar sobre si mesma de maneira tão espontânea e tranquila, eu gosto disso e espero que ela fale mais sobre sua infância. Porque eu quero conhecê-la por inteiro. Quero saber cada mínimo detalhe, até mesmo os que possam não me agradar. ___________________________________________ Três batidas leves na porta são o suficiente para que eu saiba exatamente de quem se trata e ver que ele se deu ao trabalho de vim até meu quarto me deixa curioso, então quando abro a porta e vejo o homem de olhos verdes esmeralda, cabelo castanho penteado para trás e vestindo um de seus ternos chiques feito sob medida. - Arzur, a que devo a honra de ter sua bela presença em meu quarto a essa hora ? - pergunto e ele sorrir. - Me desculpe pelo horário, mas eu estou ansioso para saber como elas são. - responde e eu sorrio dando espaço para que ele entre e ele o faz se sentando na cama em seguida. - A sua descendente parece uma cópia de Selene Blackwood, porém ela herdou a sua força meu querido e devo dizer que ela tem um futuro brilhante e não estou falando isso só por causa de seu papel nessa jornada. - digo e ele sorrir parecendo orgulhoso. - E Pandora ? - questiona e eu suspiro. - Não mudou nada, mesmo depois de séculos e sem suas memórias ela ainda tem a mesma essência poderosa e aquela presença forte que arrepia até os cabelos da sua alma, se é que ela tem. - respondo divertido e ele ri. - Eu sei bem do que está falando. - diz se levantando e em seguida me olha. - Eu gostaria de vê-las pessoalmente, mas minha condição impede, por isso eu quero te perguntar uma coisa. - continua sério e eu assinto. - Sua irmã será um problema ? - pergunta e eu n**o. - Pode deixar, que dá minha irmãzinha cuido eu. - respondo firme e ele assente. - Ela não será um problema, até porque ela sabe que para conseguir o que deseja, ela não deve interferir no envolvimento de Pandora com Luna e nem nos acontecimentos necessários para o crescimento pessoal delas. - completo e ele suspira. - Espero que seus instintos de irmão mais velho não atrapalhem o seu julgamento e assim coloque tudo a perder. - diz e eu apenas sorrio em resposta. - Mais não vou me preocupar com isso agora, afinal você parece ter tudo sobre controle até o momento, então apenas peço que me mantenha informado sobre a ascenção da minha garotinha. - completa e eu assinto. - Claro, o manterei informado. - digo e ele sorrir. - Tenha uma boa noite e uma boa viagem meu jovem. - diz e então se retira sob meu olhar atento. Sua preocupação é valida, pois minha irmã tende a ser bem impulsiva as vezes e eu sei bem de quem ela herdou isso, no entanto não há nada com o que se preocupar, ela não atrapalhará aquelas duas pois ela entende que precisa delas mesmo que isso não a agrade nada, porém isso não quer dizer que ela não vá tentar se divertir em algum momento as atormentando, então terei que realmente ficar de olho em seus passos sorrateiros. Afinal, mas vale se precaver em meio a um prelúdio de tempestade, do que esperar para ser arrastado por ela. ________________ Continua _________________
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