Vê-la entrar e me deixar sozinha depois de me dizer todas aquelas coisas foi como receber um soco no estômago, minha mente está gritando irritantemente que eu fui i****a e que devia ter pensado melhor antes de falar qualquer coisa, porque apesar dos métodos ela estava aqui cuidando de mim, ela me salvou e temos uma ligação.
Meu Deus !
Eu tenho uma ligação com Pandora.
Eu preciso me recompor, preciso tentar absorver todas essas novidades para poder seguir adiante, porque ainda há tantas coisa que eu quero perguntar, tanta coisa que provavelmente eu preciso saber e não sei se estou preparada. Respiro fundo e ouço a porta ser aberta, me viro rapidamente pensando que ela havia voltado, mas ao ver Petra suspiro e ela sorrir.
- Mandou m*l abelhinha. - diz e eu reviro os olhos sentindo vontade de soca-la.
- Você estava ouvindo nossa conversa ? - questiono e ela n**a.
- Digamos que você falou um pouco alto. - responde e eu respiro fundo. - Não foi legal culpa-lá por uma escolha que eu fiz. - diz se aproximando me olhando séria. - Os planos foram dela e de sua mãe, mas a escolha de participar foi minha, a decisão de me afastar de você foi minha, ela sempre me deu escolha. - continua parando a minha frente ficando cara a cara comigo. - Eu quis fazer parte disso, eu quis te deixar, eu te tratei m*l, fui uma vaca porque eu quis e fiz isso porque eu acredito em você, assim como ela acredita. - completa e em seguida respira fundo parecendo tentar se acalmar.
- E não poderia ter sido diferente ? - questiono e ela n**a.
- Seu pai tinha que achar que eu te odiava de verdade e que era leal a ele pra que eu pudesse agir sem levantar suspeitas e antes que pergunte, te contar não era uma alternativa e nem seria a melhor coisa a se fazer, pois colocaria sua vida em risco. - responde e em seguida agarra minhas mãos. - Seu pai sempre soube que de todas as mulheres da linhagem Blackwood, você seria a que despertaria a maldição, por isso sempre tentou te controlar, porque ele tinha medo de você destruir tudo o que ele venera. - diz e eu respiro fundo ainda processando essa última informação.
- Como ele sabia ? - pergunto confusa.
- Porque a senhora Espósito não é a sua verdadeira mãe. - responde e eu sinto como se tivesse acabado de levar um soco no rosto.
- Para de brincadeira. - digo incrédula e ela agarra as laterais do meu rosto com as mãos.
- A senhora Espósito é na verdade sua tia, a irmã mais nova dela era a sua mãe e a sua verdadeira mãe era uma bruxa com quem seu pai teve um caso, ela ficou grávida e então sua avó Cassandra obrigou seu pai a se casar com ela, mas quando ele descobriu que ela era uma bruxa, ele a matou após o parto e teria te matado também se a sua mãe pouco antes de morrer não tivesse dito que você não herdou os genes de bruxa. - diz e eu não consigo mais olhar para ela, tudo isso é loucura demais. - Luna ! - me chama sacudindo meu rosto me obrigando a olhar para ela. - A família da sua mãe era um misto de lobos e bruxas, enquanto sua mãe herdou o lado bruxa a sua tia herdou o lado lobo e por isso ela se casou com seu pai e ficou no lugar da sua mãe para garantir que o conselho não descobriria sobre você ter sangue de bruxa. - diz e eu n**o com a cabeça.
- Você tá me zoando. - digo e ela n**a.
- Eu queria que fosse isso, mas não é, eu tô falando a verdade, eu descobri isso na noite em que teve o jantar com os Collymore no castelo, naquele dia eu entrei no escritório do seu pai e encontrei uma passagem secreta que me levou até uma sala de arquivos que continha a história de cada alfa Blackwood escrita em diários e foi assim que eu soube da sua mãe. - diz me olhando nos olhos e o fato de eu não enxergar nenhum indício de que ela esteja mentindo ou brincando me faz prender a respiração.
Isso é loucura demais !
Minha mãe não é minha mãe.
Minha mãe é minha tia... ?
Eu só posso estar tendo uma alucinação ou morri e estou no inferno sendo atormentada pelo d***o.
Tudo isso não é possível.
- Seu pai é um grande mentiroso, assassino, manipulador, escroto e miserável, aquele cara é um monstro que precisa ser detido e cabe a você fazer isso, ele tentou te afastar da sua natureza te fazendo ver coisas que uma criança não deveria só pra que você odiasse estar ali e quisesse ter uma vida humana. - diz e eu solto todo o ar que estava prendendo. - Ele te deixou ir pra escola dos humanos pra tentar te manter sobre controle, afinal você nunca se encolheu na presença, a voz e os olhos nunca te fizeram abaixar a cabeça ou sentir medo. - continua e em seguida respira fundo. - Eu estou com alguns diários do seu pai e você pode confirmar tudo isso. - completa e eu tento falar, mas não consigo.
Permaneço em silêncio tentando assimilar tudo isso enquanto a minha mente tá uma loucura, a minha mãe aparentemente era uma bruxa, meu pai a matou e teria me matado também, a minha tia me criou como se fosse minha mãe e nunca nem sequer tentou me contar a verdade. Eu sou amaldiçoada, tenho uma ligação com a Pandora que eu não entendo, ela fez coisas por mim que eu nem consigo imaginar, a minha melhor amiga não me odeia, ela apenas escolheu ser uma b****a para me ajudar, a mãe da Pandora é a bruxa do conto.
Isso é loucura.
Eu vou surtar !
Eu tô pirando.
Isso tudo é demais pra mim.
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Esperar que ela pudesse digerir tudo isso em um dia foi exigir demais da garota e para piorar as coisas Petra falou demais, deveria ter deixado para o próximo dia assim a garota levaria um tombo de cada vez e quem diria que logo eu que odeio arrodeios estava cogitando usá-los com a garota para que ela não acabasse da maneira que está agora.
Esgotada.
Emocionalmente e fisicamente.
Ajeito o cobertor a cobrindo direito me sentando na ponta da cama tocando seu rosto em seguida, eu adoro cada detalhe de seu rosto e a maneira como ela sorrir me deixa... As vezes parece que eu me desmonto perto dela e cada toque, olhar ou fala tem um efeito tão grande sobre mim que parece que estou carregando o peso do mundo inteiro nas minhas costas, também não posso esquecer do meu coração i****a que parece querer dançar reggaeton o tempo todo só porque ela está aqui.
Isso é tão patético.
As vezes penso que sou uma adolescente humana de filmes românticos.
Isso soa ridículo para mim.
Eu tenho pensado bastante em como ela irá reagir ao saber que matei alguém da sua família, eu não me importo de m***r quem quer que seja, mas ela claramente se importa e eu já sabia disso, ela não está pronta para lidar com a sua nova realidade, pelo menos não sozinha, ela pode ser um ser sobrenatural de natureza destemida, agressiva e instintiva, mas seu coração é puro. Isso será um problema em breve e então ela terá que decidir sobre ser protagonista ou coadjuvante da sua própria história e não tem nada mais triste do que ver a sua história ser narrada por outra pessoa, mas eu torço para que a sua curiosidade e seus instintos sirvam de combustível para que ela aceite seu destino o mais breve possível.
- Você sempre quer uma explicação para tudo né ? - questiono em um sussurro acariciando seu rosto da maneira mais suave que consigo para não acorda-la. - Eu sei que tem muita coisa para você assimilar, sei que está se sentindo traída e que provavelmente não sabe em que deve confiar, mas eu estou aqui lobinha e sempre vou estar. - digo suspirando em seguida me sentindo i****a por de certa forma estar me explicando para ela mesmo que ela não possa ouvir. - Eu fiz escolhas para te manter segura que talvez não tenham sido as melhores, mas eu não me arrependo de nenhuma, porque se fosse para ser de outra maneira então simplesmente teria sido e não estaríamos nessa situação agora, então porque eu deveria me lamentar pelas coisas que já foram feitas. - faço uma pausa ouvindo passos no corredor. - Tudo por você, eu não menti quando eu disse isso mais cedo, essa parte da história não tem vírgulas ou interrogações, apenas exclamações que afirmam que eu só estou aqui por você. - completo beijando sua bochecha e em seguida sinto a presença de Petra.
- Ela não está te odiando ou algo assim, você sabe disso né ? - questiona após abrir a porta do quarto e eu assinto.
- Eu sei, mas por mais que eu odeie ter que dar explicações uma parte de mim quer que ela saiba o que se passa na minha mente. - digo franzindo o cenho confusa comigo mesma. - E essa parte de mim também quer que ela me entenda. - confesso a olhando e ela sorrir.
- Isso é porque você gosta dela e não é da mesma maneira que gosta de mim ou de James, Calvin. - diz e eu arqueio uma sobrancelha.
- Eu não gosto de você querida experiência m*l feita da área cinquenta e um. - digo divertida e ela revira os olhos sorrindo enquanto se aproxima de mim.
- Eu te conheço por tempo suficiente pra saber que se você não gostasse de mim teria me matado há muito tempo. - diz e eu sorrio de maneira contida olhando para Luna. - Deveria dizer a ela como se sente quando ela puder ouvir. - sugere e eu a olho. - É sério Chucky, para com essa m***a de só falar as coisas quando ela tá dormindo pra ela pensar que foi um sonho, tem coisas que só um velho e bom olho no olho resolve. - completa me dando um t**a na minha cabeça e eu semicerro os olhos para ela que revira os seus em resposta me olhando com desdém e eu sorrio.
Atrevida !
Tem sorte de eu gostar dela ou como ela mesma disse, eu já teria a matado há muito tempo.
- Você abriu o bico demais hoje, parecia um papagaio recém liberto da gaiola reencontrando seus familiares. - digo sarcástica e ela ri colocando a mão sobre a boca para abafar o riso.
- Nossa como você é engraçada, eu não sei porque estou tão surpresa, afinal todo psicopata tem seu charme. - diz no mesmo tom e eu olho em seus olhos.
- Se bata. - digo usando a coerção com ela que se dá um t**a em seguida me fazendo ri baixinho.
- b****a ! - exclama irritada. - Você prometeu não usar mais essa m***a comigo, Chucky. - reclama indignada e eu me levanto me afastando de Luna.
- Eu não me lembro de ter prometido nada. - digo divertida caminhando para fora do quarto parando em frente a porta e então me viro para a olhar. - Se bem que eu não sei se a minha psicopatia me permite cumprir promessas. - completo debochada e ela me mostra o dedo do meio.
- Eu espero que você tropece, role escada abaixo e morra. - diz e eu pisco um olho para ela e em seguida saio do quarto rindo.
Sigo para o andar de baixo gostando de não ter mais que fingir não conhecê-la, eu passei meses com ela, meses divertidos sendo sua mentora, a quase tudo o que sei e durante esse tempo nos tornamos amigas, eu gosto dela, gosto de sua companhia e dessa nossa amizade implicante, mesmo que eu ainda não tenha dito a isso ela.
Obviamente não irei falar, pois sei que ela iria encher o saco que eu não tenho se eu dissesse, sem contar que eu sou péssima com palavras quando se trata de me expressar, então é melhor assim, melhor ela ficar sem saber que foi a primeira pessoa que eu permiti ter um contato comigo, a minha primeira amiga.
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A madrugada conturbada para alguns na pequena cidade de Mount Holly deu um novo ponto de vista para aqueles que permaneciam de olhos abertos, incapazes de dormir após toda a agitação de horas atrás, isso nos leva a figura desesperada de Conan Blackwood caminhando apressado até o quarto de seu filho ao lado de sua cunhada Alina, uma mulher alta de olhos verdes, pele bronzeada e traços similares ao de Luna, com toda certeza há uma semelhança gritante entre elas.
- Você tem certeza de que chegou o momento, Alin ? - questiona Conan em um sussurro olhando de canto para a mulher ao seu lado.
- A lua de sangue será no décimo sétimo aniversário dela que é daqui há dez dias, antes de morrer a minha irmã foi bem clara, a Luna é mais do que uma lenda viva, ela não terá os mesmos limites que nós temos, ela será diferente por ter herdado os dois genes . - responde vendo Conan abrir a porta do quarto de Kai.
- Nesse caso Kai não pode voltar para cá, eu conheço bem o meu filho e sei de que lado ele vai ficar, eu o criei para ser diferente e mesmo que eu esteja preso aqui, isso não significa que ele também tenha que ficar. - diz Conan indo até o closet do garoto.
- Você é um ótimo pai, eu queria que a minha irmã tivesse se apaixonado pelo irmão certo. - diz Alina seguindo até o closet vendo o homem juntar todas as coisas de seu filho e jogar em malas espalhadas pelo chão.
- Não sou um cara legal e o erro da sua irmã foi ter se apaixonado por um Blackwood, nós somos criaturas miseráveis e amaldiçoadas, sua irmã pagou com a vida por se envolver com Cerberus e você perdeu anos da sua presa a essa casa por amor a sua sobrinha e por uma promessa de guia-la quando chegasse o momento. - diz o homem e a mulher sorrir. - Por isso eu quero que você vá embora e cumpra com a sua promessa. - completa e a mulher suspira.
- Eu ainda não posso deixar essa casa, eu sei que depois de hoje estou correndo um sério risco de vida, mas eu preciso achar o colar da minha irmã, eu sei que Cerberus está com ele e eu o quero de volta, ele pertence a Luna. - diz Alina séria e Conan a olha.
- Porque quer tanto esse colar ao ponto de se prender a esse lugar ainda mais ? - questiona curioso.
- Cada família tem seu legado, sua herança passada de geração pra geração e aquele colar faz parte do nosso, então ele tem que ficar com ela, a única digna de usar aquela jóia. - responde e ele assente.
- Entendi, me ajuda a terminar isso aqui e eu te levo a um lugar que talvez esse colar possa estar. - diz Conan sorrindo para ela que retribui assentindo.
Os dois se apressam para terminar de arrumar as malas do garoto antes que Cerberus retorne da reunião com o conselho após os acontecimentos as coisas haviam ficado tensas na vila e o alfa teria que lidar com as consequências, por isso ele suspira ao ouvir um dos membros relembrar o momento em que sua filha o acertou no rosto na frente de toda a vila.
- Ela te socou na frente de todos da alcatéia, depois matou nossos irmãos e o que diabos foi aquilo com o jovem McMillan ? - questiona e Cerberus revira os olhos.
- Aquilo obviamente não foi obra dela, eu conheço Luna, ela só fala, não faz. - responde convicto.
- Então sabia que ela ia te humilhar na frente da alcatéia ? - questiona outro m****o e Cerberus o encara irritado. - Você disse que a conhece, então eu presumo que escolheu ser humilhado daquela maneira. - completa e o homem se levanta de sua cadeira furioso.
- Aquilo não irá se repetir, Luna vai pagar com a vida pelo que fez e vocês verão. - diz tentando conter a raiva.
- Então eu sugiro que tá na hora de seu sobrinho voltar da casa da vovó e nos contar onde aquela traidora insolente está. - diz e Cerberus sorrir.
- Não se preocupem, eu mesmo irei buscá-lo. - diz gostando da sugestão.
Enquanto a breve reunião era encerrada do outro lado da cidade Pandora observava o híbrido dormindo após uma sessão de tortura onde ela somente conseguiu arrancar do homem que ele foi enviado pela tríade para encontra-la. A garota sabia que havia mais para arrancar a força do homem, mas ela estava com sua mente perturbada demais para garantir que não iria máta-lo.
Ela está preocupada com a garota de olhos verdes, Luna Blackwood está tomando conta de sua mente, seu coração, pensamentos e vontades mesmo sem sequer tentar, ter noção de que a garota está entrando ainda mais em seu coração e sua vida está deixando a loira maluca, pois ela saiu de um estado onde não sentia nada para um em que ela sente até o que não quer sentir. Ela suspira irritada consigo mesma e toda essa bagunça que está seu coração e a sua mente e em seguida se levanta decidida a ir finalmente tentar descansar percebendo que já é de manhã. Ela para na cozinha para pegar uma bebida infantil como ela gosta de chamar os achocolatados e em seguida sobe as escadas colocando o canudo no buraco da caixinha, mas para ao ouvir um suspiro e então levanta a cabeça vendo uma silhueta conhecida na varanda encostada no parapeito observando o lento nascer do sol. Ela volta a caminhar lentamente pelo corredor em direção a varanda, seu corpo pedindo pra que ela siga para seu quarto e descanse, mas seu coração dizia para ela ir até lá e nesse momento ela estava seguindo seu coração como nunca o fez antes, então quando ela para entre a porta de vidro aberta ela pensa por um momento em dar meia volta, mas ao ouvir a voz de Luna ela sorrir incapaz de voltar atrás.
- Eu pensei que tivesse saído, eu fui até o seu quarto e você não estava lá. - diz e em seguida se vira para encarar a loira.
- Precisa de algo ? - pergunta olhando nos olhos da garota que desvia o olhar parecendo envergonhada e isso faz a loira querer rir, mas ela se contém.
- Eu só... - começa porém não consegue terminar.
- Só queria me pedir desculpas por quase fazer meus ouvidos sangrarem ? - questiona Pandora se divertindo com a situação e então Luna a olha.
- Te ver. - diz séria olhando para a loira que toma um gole do achocolatado enquanto retribui o olhar da garota de olhos verdes. - Eu só queria te ver, é isso. - completa gesticulando e a loira arqueia levemente uma sobrancelha.
- Bom, eu estou aqui na sua frente agora, te olhando e te ouvindo. - diz tranquila e Luna morde o lábio inferior na tentativa de conter o nervosismo e esse gesto não passou despercebido pelos olhos ágeis da loira que desceu seu olhar para aquela região focando na ação da garota desejando que ela estivesse maltratando os lábios dela daquela maneira.
Pandora leva o canudo até seus lábios tomando mais um gole do achocolatado e em seguida suspira.
- Eu vou indo. - diz se virando somente para instigar a garota a falar e então sorrir ao ouvir Luna pedir para que ela não vá.
- Espera, não vai ! - exclama dando um passo a frente parando ao ver a loira se virar para ela e então ao ter aqueles olhos azuis focados nos dela, ela soube que não poderia deixa-la ir e que somente aquela garota poderia lhe ajudar a passar por isso.
- Vem cá, eu sei do que você precisa. - diz Pandora estendendo sua mão para a garota ao notar a confusão em seus olhos.
- Para onde vamos ? - pergunta segurando a mão da loira que revira os olhos sorrindo.
- O que tem de linda, tem mais ainda de curiosa. - brinca fazendo a mais nova ri enquanto ela a guia em direção as escadas. - Isso, você fica bem melhor assim. - diz Pandora olhando de canto para a garota sorrindo da mesma maneira sem ter noção do quanto isso faz o coração dela acelerar.
Elas seguem em silêncio até o andar de baixo e então Pandora a leva até uma canto da casa que ela ainda não havia explorado, a sala onde a loira faz suas pinturas e se distrai tocando seu belo piano de calda preto.
- Toma, acho que você vai precisar encher a cara depois de ouvir e ver o quanto eu sou péssima nisso. - diz Pandora entregando o achocolatado para Luna que sorrir a vendo seguir até o piano.
Ela levanta a tampa do mesmo e em seguida se senta no banco e então bate no espaço vazio ao seu lado, sem pensar duas vezes Luna segue até lá e se senta ao seu lado sorrindo tendo o olhar de canto da loira sobre si.
- Dois gatos cegos cruzando a rua, o que acontece ? - questiona tocando o piano. - Dois gatos cegos cruzando a rua, o que acontece ? - cantarola e Luna ri. -
- Acho que não acontece coisa boa. - diz ainda rindo e Pandora sorrir assentindo.
- Eles se esbarram e atropelados no meio da rua eles morrem. - cantarola divertida e Luna n**a com a cabeça tomando um gole do achocolatado.
- Toma um pouco, porque você é uma péssima compositora. - diz divertida levando o canudo até os lábios da loira que toma um gole da bebida fechando os olhos.
- Você vai mudar de idéia quando ouvir essa. - diz abrindo os olhos virando o rosto na direção do da garota para poder olhar em seus olhos. - Lindo olhos verdes. - cantarola e Luna arqueia uma sobrancelha sorrindo de canto a olhando. - Eu não consigo parar de te olhar e acho que eu quero te beijar. - cantarola divertida balançando a cabeça de uma lado para o outro sob o olhar atento da garota. - Você tá fazendo eu me sentir i****a e brega, mas eu gosto de como isso está te fazendo sorrir agora. - diz ainda tocando mesmo que não esteja mais seguindo o ritmo da melodia. - Eu sei que tá tudo uma bagunça na sua cabeça agora e que você tem motivos para desconfiar de mim, mas eu estou aqui bancando a boba só pra te ver sorrir por um momento. - faz uma pausa parando de tocar passando uma perna para o outro lado se sentando de frente para a garota que a olha em silêncio incapaz de dizer qualquer coisa no momento. - Eu sei que a verdade pode ser dolorosa e que escondemos coisas que podem estar te magoando agora, mas pode contar comigo lobinha, eu tô aqui para qualquer coisa. - completa tocando a lateral do rosto da garota que coloca sua sobre a dela.
- Eu sei e obrigada por isso. - diz sorrindo para a loira que retribui. - Obrigada por tudo na verdade, você cuidou de mim por todo esse tempo e ao invés de te agradecer eu surtei com você. - faz uma pausa olhando para baixo. - E que tudo isso é demais pra minha cabeça nesse momento entende ? - questiona olhando para a loira que assente. - A verdade sobre mim não é algo que eu sonhava para a minha vida, a minha mãe não é minha mãe, mas sim minha tia e agora eu entendo porque meu pai sempre foi um b****a comigo, eu achava que ele passou a me odiar depois que eu não me transformei como o esperado, mas ele já me odiava desde sempre e me mantia perto apenas para tentar me controlar e não porque sentia nem que fosse um pouco de carinho por mim. - suspira incapaz de conter suas emoções enquanto a loira enxuga suas lágrimas. - A minha verdadeira mãe tá morta e eu nem sei como me sentir em relação a isso, porque eu tô confusa, eu não sei o que fazer daqui pra frente, não sei como lidar com isso. - completa e Pandora sorrir.
- Não importa como vai lidar com isso ou o que vai fazer, eu estarei ao seu lado a todo momento. - diz tranquila sob o olhar atento de Luna. - Mesmo que você não queira eu estarei. - brinca e a garota sorrir entre lágrimas.
- Eu não queria só ver o lado r**m das coisas, não queria te ver da maneira que descrevi ontem, eu sei que não é uma princesa de um conto de fadas, porque diferente delas você é real e tá aqui sendo boa e compreensiva comigo mesmo depois de eu ter sido i****a. - diz e a loira a observa em silêncio.
Sua mente gritando para que ela diga algo relevante e a voz de Petra em sua mente repetindo as mesmas coisas de mais cedo a faz suspirar.
" É sério Chucky, para com essa m***a de só falar as coisas quando ela tá dormindo pra ela pensar que foi um sonho, tem coisas que só um velho e bom olho no olho resolve. "
Ela revira os olhos por até o maldito apelido implicante se repetir sem parar em sua mente e então ela decide acabar com essa agonia.
- Não foi pela ligação ou pela maldição. - diz chamando a atenção da mais nova que franze o cenho a olhando confusa. - Eu queria te conhecer, queria entender como alguém podia ser tão linda e curiosa. - continua divertida fazendo uma pausa breve. - Foi porque você ficou na minha cabeça desde o primeiro sonho com você, eu tentei ignorar isso por muito tempo, mas não deu e então eu vim para cá. - diz olhando nos olhos da garota que respira fundo sentindo as palavras da garota literalmente tocarem seu coração. - Eu te observei por meses até decidir que não podia mais ficar só te assistindo de longe, eu tinha que te ouvir e te ver ser essa garota encantadora que você é de perto, porque eu já estava me sentindo atraída por você e quando você me olhou aquele dia enquanto Kai tentava te fazer ir até mim após notar que eu estava te olhando, eu não consegui mais me manter longe, eu tinha que te fazer ver que você não era invisível como pensava, então aquele primeiro contato na sala foi pra você saber que eu te notava e naquela noite na festa, eu não tinha a menor intenção de ativar a maldição, eu só queria conversar com você, mas acabei ativando a maldição sem querer, não foi intencional. - faz uma pausa e sorrir em meio a uma careta. - Eu acho que só queria estar com você. - confessa mais para si mesma do que para a garota tendo noção do que admitir isso significa.
Pandora encara a garota em silêncio esperando que ela diga algo, esperando que ela a questione ou até mesmo que ela duvide de cada palavra dita por ela, mas quando a garota gruda seus lábios no dela sem aviso prévio ela arqueia as sobrancelhas confusa sentindo as mãos da garota nas laterais de seu rosto e em seguida ela desfaz o contato entre seus lábios e olha nos olhos azuis da loira.
- Você é irritantemente linda, sexy, charmosa e fofa. - diz sorrindo encostando sua testa na da loira. - Eu quero me afogar na minha prévia do mar de Tenerife, então por favor não me salve, apenas me deixe chegar ao lugar mais profundo e ali me perder. - completa e Pandora suspira sorrindo em seguida.
- Eu prometo te levar para o lugar mais profundo se me beijar agora. - brinca e em resposta a garota a beija.
Um beijo era o suficiente para dizer todas as coisas que as duas gostariam, mas não são capazes de falar nesse momento.
_________________ Continua ________________