Corro pela floresta permitindo que todos os meus sentidos sejam dominados pela ligação entre nós enquanto seu grito ecoa em minha mente, a maneira em que seu tom de voz parece desesperado me deixa em um estado de pura agonia, algo que eu ainda não havia sentido antes. Noto um corpo mais a frente e então paro de correr para verificar, com o pé viro o rosto o suficiente para ver que se trata de um homem, ouço uivos próximos daqui e outros se aproximando de onde estou, foco em minha audição para ouvir ao redor e dois rosnados me chamam atenção, também há um coração batendo tão rápido que parece que vai pular para fora do peito a qualquer momento.
Só pode ser ela.
A minha lobinha.
Sem pensar duas vezes sigo os rosnados próximos daqui ouvindo também um barulho de água caindo, esse último detalhe me faz saber exatamente onde estão e então faço o caminho mais curto até lá e segundos depois posso vê-la cercada por dois lobos, um grande e outro de porte médio, eles estão prestes a ataca-la enquanto ela dá passos para trás parecendo estar pensando em se jogar dali, algo e******o a se fazer pois ela não sobreviveria a queda, sinto um cheiro de sangue e isso me enfurece, saber que a machucaram me deixa maluca.
Eu vou m***r todos.
Todos eles.
Sem pensar duas tomo sua frente ao ver os lobos darem um passo a frente, a minha aparição rápida e repentina a assusta fazendo com que ela tropece em seus próprios pés caindo para trás, mas antes que ela possa ao menos pensar que esse seria o seu fim, eu me viro e agarro sua mão recebendo seu olhar surpreso e então sorrio para ela.
- Pandora. - diz ainda surpresa, mas em seguida sorrir.
- Eu te escutei lobinha, eu te escutei. - digo a puxando de volta para cima vendo pelo canto de olho um dos lobos saltar em minha direção.
Estendo a mão o fazendo parar a centímetros de nós, eu costumo evitar usar magia, mas essa é uma situação especial, então não vou me conter mesmo que isso me deixe temporariamente rastreável para a tríade de sangue. Olho de canto para o outro lobo mais afastado paralisado em seu lugar provavelmente surpreso e imaginando que sou uma bruxa, ele dá passos para trás e antes que ele pense em escapar e eu o olho usando a coerção para fazê-lo parar.
- Você é uma bruxa ? - pergunta Luna e eu não a olho, pois preciso manter o contato visual com o lobo para mantê-lo paralisado.
- Esse não é o momento adequado. - respondo voltando a sentir o cheiro de sangue. - Está machucada. - digo em tom afirmativo.
- Eu estaria pior se você não tivesse vindo. - diz e eu respiro fundo.
- Fecha os olhos. - peço e sinto seu olhar em mim.
- Porque ? - questiona confusa.
- Porque o que eu vou fazer agora pode não ser do seu agrado, então feche os olhos. - respondo séria contando mentalmente até dez para dar tempo para ela fazer o que mandei.
Antes mesmo de chegar ao nove em um movimento com a mão arranco o coração do lobo paralisado e então faço o outro vim até mim e então agarro seu pescoço apertando com força, mas tomando cuidado para não quebrar.
- Fica aqui até eu voltar. - digo praticamente ordenando que a garota não saia do local e antes mesmo que ela possa responder ou questionar eu caminho arrastando o lobo junto comigo.
Sigo até os lobos se aproximando apertando o pescoço do lobo mediano enquanto o arrasto e então espero pelos outros vendo um pouco mais a frente quatro lobos enormes, provavelmente adultos.
- Eu quero que você volte ao normal. - digo soltando o lobo vendo ele começar a voltar ao normal e então volto minha atenção para os quatro parando a minha frente. - Em que buraco o alfa de vocês se enfio com o rabinho entre as pernas tremendo de medo ? - questiono e a resposta dos lobos e rosnar. - Cão que late não morde. - digo vendo um deles correr e em seguida saltar sobre mim.
Agarro sua boca usando minhas duas mãos e em seguida puxo em direção opostas rasgando sua mandíbula ao meio vendo segurando uma parte em cada mão e em seguida jogo para os outros três.
- Vou perguntar outra vez, onde está o b****a maldito do Cerberus Blackwood ? - questiono impaciente.
- Ele não está aqui. - responde o i****a que eu mandei voltar ao normal.
- Então vou ter que mandar um recado pra ele. - digo sorrindo olhando para os três lobos. - O que estão esperando ? - questiono e eles rosnam. - Tentem se m***r mais rápido. - digo usando a coerção vendo os três se atacarem em seguida. - E você vai ser o pombo correio morte. - completo chamando atenção do garoto de joelhos ao meu lado cobrindo suas partes íntimas.
- Eu prefiro morrer. - diz e eu sorrio me inclinando para baixo segurando seu queixo o fazendo me olhar.
- Você vai, mas antes você vai dizer ao seu alfa ridículo que o demônio de Jersey está de volta, diga também que mando meus cumprimentos por ter arrancado a cabeça daquele b****a do Johnathan Blackwood e por último o mais importante. - faço uma pausa apertando seu queixo o fazendo me encarar. - Luna Blackwood é minha e ninguém encosta no que é meu. - digo olhando em seus olhos. - Quase me esqueci, após dar meu recado eu quero que você enfie isso na sua garganta. - digo entregando o graveto com a ponta afiada que estava escondido no bolso falso da minha jaqueta. - E quanto a vocês três, voltem ao normal e deixe que o pombo correio aqui mate vocês e por favor, leve a cabeça de todos para o alfa, tenham uma boa noite. - completo sorrindo e me viro pronta para voltar para a minha lobinha.
Caminho tranquilamente ouvindo mais uivos um pouco longe daqui, provavelmente estão procurando por Luna na vila, acho que só esses idiotas pensaram na possibilidade dela ter entrado nessa floresta. Suspiro cansada vendo a garota parada no mesmo lugar com uma expressão confusa, ao me ver ela sorrir e em seguida corre até, sem aviso prévio ela se joga em meus braços me apertando com força como se sua vida dependesse disso.
- Eu queria te seguir, mas meu corpo não queria se mover até te ver aqui. - diz e eu faço uma careta retribuindo o abraço enquanto tomo consciência de que usei a coerção com ela de maneira involuntária. - Você é uma bruxa ? - pergunta me fazendo rir.
- Acho que esse não é o local mais indicando no momento para conversamos sobre essas coisas lobinha. - respondo me afastando e em seguida a olho de cima a baixo em busca do ferimento.
- Só responde sim ou não, se bem que você chegou muito rápido do nada, então tô bem confusa. - diz e eu sorrio.
- E vai fica ainda mais com a minha resposta, então vamos deixar para tratar esse tema em casa. - digo um pouco impaciente me arrependendo de ter mandado Petra e Calvin usarem meu carro me obrigando a voltar para casa a pé.
Ótimo.
Bem feito pra mim por agir de maneira impulsiva.
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Enquanto as duas seguem de volta para a casa da loira, na casa da mesma Mikhaela tinha uma conversa com a visitante Kimora sobre toda a situação.
- Você amaldiçoou sua futura nora, que situação interessante. - diz Kimora sorrindo e a bruxa mais velha retribui.
- E ela está prestes a passar pela sua primeira transformação. - diz Mikhaela pensativa.
- Ela conseguiu me ver mesmo eu escondendo minha presença dela. - diz Kimora e Mikhaela sorrir.
- Talvez a ligação com Pandora tenha algo haver com isso. - diz Mikhaela ainda sorrindo. - Elas tem um tipo de ligação incomum, então não dá pra descartar nenhuma hipótese e essa me parece muito possível de ser real. - completa e a mulher a sua frente assente.
- O que a Pandora sente pela garota é real ou e consequência da ligação ? - questiona interessada na resposta e Mikhaela arqueia uma sobrancelha.
- Está interessada na minha filha ? - questiona divertida e Kimora ri.
- Ela é interessante e tem um charme assustador. - responde e Mikhaela ri.
- Alguns anos atrás você teria chance com ela ou se Luna Blackwood não tivesse surgido em seu caminho, pois o que ela sente pela loba não tem nada haver com a ligação. - diz tranquila tendo o olhar atento de Kimora sobre si. - Tudo bem que a ligação pode intensificar o que elas sentem uma pela outra, mas o amor não se pode se ser plantado, então. - completa e a bruxa mais nova fica surpresa.
- Então você acha que seja amor ? - questiona e ruiva suspira.
- Eu tenho certeza que é. - responde pensativa. - A ligação parece ter sido somente um meio de atrair Pandora para cá, uma maneira de fazer com que ela conhecesse Luna, talvez destino e se apaixonarem era somente uma questão de tempo. - diz passando a mão no cabelo. - Eu tentei quebrar a ligação porque eu sabia que assim que ela voltasse a essa cidade, ela se apaixonaria pela garota e eu não queria que ela tivesse contato com essa família devido a minha má experiência com um deles, mas eu estava enganada, nem todos são ruins. - completa e Kimora assente.
- Eu consigo entender sua preocupação. - diz e em seguida sua mente volta ao momento na floresta com Pandora. - A Pandora sempre foi assim ? - questiona e a ruiva arqueia uma sobrancelha pegando sua xícara na mesinha de centro.
- Assim meio psicopata ? - pergunta Mikhaela divertida e Kimora ri assentindo. - Ela era pior pode acreditar, aquela garota tem uma espécie de sede insaciável por m***r, desde criança ela tenta tomar o controle de suas próprias vontades, mas no fim sempre acaba se rendendo. - diz tomando uma gole do chá. - Ela teve um ano c***l um pouco antes de virmos para cá onde ela se tornou imparável e então eu tive que apelar para a ligação, acho que foi uma idéia boa afinal ela está aparentemente sob controle, não sei até quando, mas já é um começo. - completa suspirando.
- Você já presenciou algum episódio onde ela tomou sangue feito uma vampira ? - questiona e Mikhaela assente.
- Quando ela ainda era somente uma criança ela começou a m***r para se defender da tríade, ela costumava m***r e depois tomar o sangue, eu já a vi fazer até pior. - responde tomando outro gole do chá sentindo a presença de Calvin e Petra perto. - Temos companhia. - diz para a bruxa mais nova.
Ela se levanta para receber os dois sorrindo contente pela garota estar bem, afinal ela foi a primeira amiga que Pandora teve, outra coisa boa que aconteceu com a sua filha ao chegar em Mount Holly, esbarrar com a melhor amiga da garota a quem ela estava ligada, depois disso foi impossível não envolver a garota em toda essa loucura. Petra foi uma peça fundamental para manter tudo sobre controle até esse momento chegar, o momento da verdade, foram meses longos e cansativos, a garota teve que abrir mão de muita coisa mais para ela valeu apena, mesmo que tenha sido doloroso. Assim que Petra abre a porta Mikhaela abre os braços para recebê-la e a garota sorrir indo abraça-la.
- Que bom que você está bem querida. - diz Mikhaela apertando a garota. - A propósito você foi uma ótima atriz, eu juro que fiquei arrepiada com a sua atuação aqui em casa na presença de Luna e Calvin. - completa e a garota ri.
- Foi divertido. - diz sorrindo e em seguida olha torto para a mulher sentada no sofá. - Você deve ser a bruxa que a Chucky falou. - diz apontando para Kimora que faz uma careta.
- Sou Kimora Vasiliev, é um prazer te conhecer. - diz se aproximando da garota enquanto Calvin se joga no sofá.
- Petra Wheeler e eu ainda não sei se é um prazer te conhecer, então satisfação. - diz e a bruxa de cabelos brancos sorrir.
- Eu tô traumatizado Mikhaela com tudo isso. - diz Calvin chamando a atenção das três mulheres. - Eu nem vi a Pandora em ação direito, mas eu vi o quão perigosa ela é, aquela garota realmente pode ser mesmo um demônio. - completa tirando seu óculos e Petra ri.
- Para de chorar fofucho, ela pegou leve com você, quando eu a conheci meses atrás ela me fez m***r, torturar, caçar, entre outras coisas que não gosto nem de lembrar. - diz Petra negando com a cabeça e Calvin fica incrédulo enquanto a garota olha para a mãe da loira. - Mikha, onde está minha avó ? - pergunta Petra preocupada.
- No lugar combinado totalmente segura, fique tranquila. - responde tranquilizando a garota que suspira aliviada. - Onde está Pandora ? - pergunta já tendo ideia de que sua filha está com Luna.
- A essa hora já deve estar vindo com Luna após m***r mais uma dúzia de lobos. - responde sorrindo.
- Certo, agora suba para o seu quarto e tome um banho, teremos muito a conversar quando elas chegarem. - diz Mikhaela e a garota assente.
- Ela tem um quarto aqui. - diz Calvin surpreso e Petra pisca um olho para ele antes de seguir em direção as escadas.
Enquanto isso na vila tudo estava uma loucura, todos estavam virando tudo de cabeça para baixo em busca de Luna sob o olhar atento de Cerberus, o homem estava furioso com a garota desejando poder mata-la com suas próprias mãos o mais breve possível, por isso ao avistar o jovem Brandon McMillan se aproximando nu carregando quatro cabeças seus olhos claros se arregalaram imediatamente, de repente todos alia pararam o que estavam fazendo para olhar o garoto que para na metade próximo do alfa e em seguida joga as cabeças aos seus pés.
- O demônio tem um recado para você. - diz apertando o graveto afiado olhando assustado para o alfa que o encara confuso.
- O que aconteceu ? - pergunta Cerberus exibindo seus olhos de alfa.
- O demônio de Jersey está de volta, a garota pertence ao demônio e ninguém encosta no que é seu. - responde e todos trocam olhares confusos. - O demônio também manda seus cumprimentos, essas cabeças são um lembrete do que houve com Jonathan, aquilo foi obra do demônio e isso aqui também. - completa e em seguida enfia o graveto afiado em seu pescoço caindo de joelhos.
- Que p***a é essa ? - questiona um dos membros do conselho enquanto Cerberus observa o garoto morrer em silêncio sem sentir qualquer coisa em relação a isso.
Vendo o garoto morrer após ter servido de correio ele só consegue pensar que há alguma coisa grande prestes a acontecer e isso causará uma guerra, uma guerra que ele faria de tudo para vencer e manter o legado de sua família intacto.
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Assim que passei pela porta de minha casa com Luna todos os pares de olhos na sala se voltaram para nós me fazendo revirar os olhos, eu já devia imaginar que estariam aqui nos esperando.
- Luna, sente-se aqui, eu trouxe um kit de primeros socorros para cuidar do seu ferimento. - diz Mikhaela e a garota me olha.
- Ela é uma bruxa. - digo retribuindo o olhar e em seguida agarro sua mão e guio até o sofá.
- Ela também pegou uma vacina contra raiva para aplicar em você. - a voz de Petra chama nossa atenção e eu sorrio ao vê-la descer as escadas enquanto Luna arregala os olhos surpresa. - Bem vinda de volta abelhinha rainha. - diz olhando para Luna que me olha incrédula e eu sorrio fazendo um sinal com a cabeça para ela ir até a garota.
Sem pensar duas vezes ela corre até Petra a abraçando, observo as duas em silêncio gostando de vê-las dessa maneira, afinal foi culpa minha elas terem se afastado, eu envolvi Petra em meus planos e mesmo que ela tenha escolhido fazer parte disso por vontade própria, ainda sim acho que há uma parcela de culpa minha no afastamento delas já que eu decidi que seria melhor que ela mantivesse distância da garota para passar despercebida por Cerberus Blackwood e assim pudesse colher informações importantes.
- Como ? - pergunta Luna com a voz embargada se afastando para olhar nos olhos de Petra que me olha.
- A Chucky foi me buscar. - responde e eu reviro os olhos ao ouvir o apelido.
- Sabe que eu posso te m***r né ? - questiono e ela arqueia uma sobrancelha me olhando com desdém enquanto Luna se vira para me olhar.
- Vocês parecem íntimas. - diz Luna alternando seu olhar de mim para Petra que suspira.
- Acho que tá na hora de sentarmos e conversarmos sobre tudo isso abelhinha. - diz Petra e Luna me olha de uma maneira estranha.
Parece desconfiada.
Essa reação dela tá interessante.
Espero que ela e Petra se sentem e então caminho até o sofá me sentando ao lado de Kimora que sorrir para mim, retribuo o sorriso e sinto um olhar sobre mim, olho em volta notando a lobinha me olhando com uma sobrancelha levemente arqueada e isso me faz querer rir, mas me contenho sob o olhar assassino de Petra.
- Eu vou bancar a agente penitenciária, assim vocês poderão conversar melhor. - diz Kimora se levantando e eu fico confusa.
- Cuidado que ele late. - digo e ela sorrir se afastando.
- Tá bom, vamos começar, então faça as honras Pandora. - diz Petra e eu a olho.
- Porque você não começa ? - questiono e ela me olha f**o como se isso fosse me deixar com medo.
- Porque não começam me explicando como se conhecem. - responde Luna e eu reviro os olhos.
- Nos conhecemos há três meses atrás, quase quatro na verdade. - diz Petra e Luna faz uma careta.
- Então você não chegou a quase quatro semanas como todos pensávamos. - diz Luna e eu assinto.
- Olha, eu vou resumir tudo pra você. - digo olhando para ela que retribui o olhar. - Ao completar quinze anos eu passei a sonhar com uma garota, eu não sabia o porquê estava a vendo, mas entendi que tinhamos uma ligação e então após um ano maluco e uma boa conversa com a minha mãe eu decidi tentar entender tudo isso, então quando cheguei a essa cidade eu observei a garota a quem estou ligada por meses descobrindo que ela faz parte de algo grandioso e que meu papel nisso tudo era protegê-la. - digo e olho para Mikhaela esperando que ela continue.
- Então você está ligada a Petra, o que isso quer dizer ? - questiona Luna confusa.
- Eu estou ligada a você, lobinha. - digo e ela franze o cenho. - E isso quer dizer que temos um vínculo incomum onde eu te sinto, te sinto como parte de mim. - completo fazendo uma careta pensando que poderia ter outra forma melhor de explicar, mas só saiu isso no momento.
- Porque eu não sinto esse vínculo da mesma maneira que você sente ? - questiona parecendo preocupada e eu sorrio.
- Você sente. - respondo e ela n**a me fazendo sorrir ainda mais negando com a cabeça. - Você me vê em seus sonhos, ouve minha voz, quando está aflita quer vim até mim e hoje em um momento onde você se sentiu sem saída você gritou por mim, você me chamou porque mesmo que não tenha noção da ligação entre nós, no fundo você sabia que eu aparecia pra te salvar, porque você também pode me sentir, não tanto quanto eu te sinto, mas isso é só uma questão de tempo. - completo tranquila e vejo um meio sorriso surgir em seus lábios seguido de uma careta.
- Espera, porque você tem que me proteger ? - pergunta confusa e eu olho pra Mikhaela.
- Conta pra ela. - digo divertida e ela revira os olhos voltando sua atenção para Luna.
- Você já ouviu o conto da bruxa ? - pergunta Mikhaela e eu contenho a vontade de rir ao ver a expressão duvidosa de Luna que assente em resposta. - Eu sou a bruxa do conto, a bruxa que amaldiçoou a família Blackwood. - diz séria e Luna ri.
- Impossível, a bruxa foi morta, não tem como ser você, então conta outra. - diz Luna negando com a cabeça e Petra a olha.
- Ela não tá mentindo abelhinha, então calaba a boca e presta atenção. - diz Petra enquanto Mikhaela se levanta e vai até a garota.
- Deixa eu te mostrar. - pede estendendo a mão para Luna que mesmo desconfiada coloca sua mão sobre a de Mikhaela.
E então a magia acontece, os olhos verdes perdendo a cor até que ela fique em um estado catatônico, olho para Petra e em seguida para Calvin.
- Foi bizarro quando ela fez isso comigo, parecia que eu era ela. - diz Calvin rindo e Petra o acompanha.
- O que a bruxa branca tá fazendo aqui ? - questiona Petra parando de rir me olhando séria e eu faço uma careta.
- Visitando ? - questiono sarcástica e ela pega o travesseiro e joga em mim que o agarra no ar. - Seja específica Petra. - digo e ela revira os olhos.
- Ela tá afim de você e eu pensei que você gostasse da minha melhor amiga, então esclarece as coisas antes que eu perca meu tempo morrendo ao tentar te m***r. - diz e Calvin ri, mas para ao receber um olhar mortal da garota.
- Desculpa, saiu sem querer. - diz o loiro nervoso e antes que eu possa respondê-la o suspiro agoniado de Luna chama nossa atenção. - Porque com ela foi rápido ? - questiona indignado e eu sorrio.
A lobinha praticamente pula de susto e em seguida começa a andar de um lado para o outro com as mãos na cabeça.
- O que você fez ? - pergunto divertidapara Mikhaela.
- Mostrei tudo, incluindo a parte em que Petra se aliou a gente para proteger sua melhor amiga mesmo tendo que se afastar dela para poder conseguir se aproximar de Cerberus Blackwood e descobrir todos os segredos daquela alcatéia. - responde e eu sorrio.
- Prático, rápido é eficaz, mandou bem. - digo e ela sorrir fazendo uma reverência.
- É, eu sou incrível. - diz voltando a se sentar e pisca um olho para mim que reviro os olhos.
- Luna ? - Petra chama pela garota que para de andar e a olha.
- Esqueci de mencionar que agora ela também sabe que é a escolhida. - diz Mikhaela indo até o bar e em seguida pega uma garrafa de whisky.
- Luna ? - chama Petra novamente e a garota suspira.
- Eu preciso de um pouco de ar. - responde seguindo rapidamente para fora totalmente atordoada.
Me levanto imediatamente seguindo a garota para fora, não posso deixa-la sozinha, vejo ela voltar a caminhar de um lado para o outro e então suspiro.
- Abrir um buraco no chão não vai ajudar em nada. - digo e ela me olha de uma maneira que me deixa confusa. - O que foi ? - pergunto séria.
- Você veio até aqui pela ligação, se aproximou de mim com a intenção de ativar uma maldição que eu não escolhi ter, usou minha melhor amiga em seus planos mesmo sabendo que isso me deixaria m*l. - responde com um tom de voz claramente irritado e nesse momento eu estou a achando a criatura mais sexy desse mundo. - E eu vou me tornar a coisa que mais odeio, porque a sua mãe amaldiçoou toda a minha família. - diz incrédula. - Porque eu ? - questiona com a voz embargada. - Eu não mereço estar presa a tudo que odiei por anos, você não sabe as coisas que passei e que tive que conviver a minha vida toda, sem contar que meu pai quer me m***r e agora terá mais um motivo para isso. - diz e eu reviro os olhos ao ouvi-la citar aquele verme. - Eu sou... - não consegue terminar e faz uma careta.
- Você é a primeira alfa. - digo por ela que solta um grito abafado.
- Eu não consigo nem assimilar isso, eu não consigo acreditar que tudo o que eu menos queria tá acontecendo. - diz e eu me aproximo dela que dá um passo para trás. - Para. - pede e eu paro cruzando os braços a encarando em silêncio. - Porque mentiu e fingiu gostar de mim ? - questiona e eu suspiro tentando manter a calma, preciso ser paciente nesse momento.
Mais não é fácil.
Paciência é uma virtude que eu desconheço.
- Você tirou a minha melhor amiga de mim por meses, depois se aproximou de mim por causa de uma maldição e uma ligação. - diz séria e eu me mantenho em silêncio. - Quando eu te contei sobre ela você fingiu não a conhecer e não saber de nada, você me encorajou a falar com alguém que você mesma tirou de mim. Você me usou. - continua olhando em meus olhos. - Quais mentiras e segundas intenções mais eu devo esperar de você ? - pergunta tentando conter suas emoções e eu suspiro dando um passo a frente mantendo meu olhar focado no seu.
Sem dizer uma palavra agarro sua cintura e a puxo para perto grudando nossos lábios em seguida, eu não iria tornar isso em um beijo, eu apenas quero que ela cale a boca e pare de falar besteiras antes que eu perca o pouco de paciência que tenho.
- Isso foi tão e******o que meus ouvidos quase sangraram. - digo após desfazer o contato entre nossos lábios. - Eu não sei o que quer que eu diga agora, pois eu não costumo me arrepender das coisas que faço ou de como eu as faço. - continuo e ela abre a boca e antes que diga algo eu pressiono levemente meu dedo indicador sobre seus lábios. - Eu não sei como você exatamente me vê, mas eu não sou uma princesa de um conto de fadas caso tenha achado isso. - faço uma pausa e respiro fundo. - Eu não costumo dar explicações sobre as minhas ações, na verdade eu odeio ser questionada e você adora fazer perguntas, você adora questionar tudo, porque você não pode simplesmente aceitar que você não nasceu pra ser uma garota humana comum como desejava, você nasceu pra ser extraordinária, forte e única. - digo olhando em seus olhos tendo os seus focados nos meus. - Você é linda, inteligente, charmosa, sexy, irritantemente curiosa e divertida. - digo tocando seu rosto com as pontas dos dedos. - Você é maravilhosa, mas eu não vou ficar aqui pra te ouvir se lamentar ou te dar explicações, porque tudo o que você precisa saber e entender e que foi tudo por você, então quando estiver pronta para aceitar seu papel de protagonista dessa história me procura, mas até lá só lembre que foi tudo por você e somente você. - completo me afastando vendo seu peito subir e descer devido a sua respiração estar irregular.
Continuo me afastando sob seu olhar atento em mim e sorrio de canto para ela antes de me virar e seguir de volta para dentro, eu não daria explicações para ela agora, mas não somente porque odeio ser questionada e ter que me explicar, mas sim porque eu não sou capaz de me explicar, eu não sou capaz de definir tudo o que se passa em minha mente e coração e jogar tudo encima dela como se fosse tão simples, porque não é. Ela faz eu me sentir de uma maneira que eu desconhecia, me faz sentir, pensar e desejar coisas que normalmente não faria, mas por ela eu faria, faria qualquer coisa sem pensar duas vezes.
Porque eu preciso dela.
Porque ela me faz sentir.
Desde que a vi pela primeira vez em meus sonhos alguma coisa aconteceu aqui dentro de mim, eu não fui mais a mesma, eu literalmente passei a vê-la em tudo, não importava aonde eu fosse ou o que fizesse eu via, ela estava lá sendo irritantemente linda e atraente, ela me intrigava e eu tinha que conhecê-la. Vim para Mount Holly nunca foi sobre a maldição ou o meu dever de protegê-la, sempre foi porque eu quis estar perto, porque eu escolhi conhecer a garota e entender porquê parece que em meus pensamentos sempre há um espaço para ela por mais conturbados que eles estejam.
Nunca houve segundas intenções.
Sempre foi somente por ela, para conhecê-la.
E todo o resto talvez estivesse destinado a acontecer.
_________________ Continua ________________