Caminho pela floresta em silêncio ao lado de Calvin balançando a cabeça na tentativa de fazer a dor em meu pescoço diminuir, suspiro irritada por não funcionar e sinto que Calvin está me observando.
- Fala logo. - digo olhando as marcações nas árvores para encontrar o local indicado por Mikhaela.
- Esse seu contato é mesmo confiável ? - pergunta e eu o olho por cima do ombro.
- Esse meu contato está trabalhando comigo há quase mais de cinco meses, então acho que é mais do que confiável e você vai entender isso quando o encontramos. - respondo e ele suspira.
- É um homem ? - questiona curioso enquanto eu nos guio entre as árvores seguindo as marcações.
- Você verá com seus próprios olhos, então relaxa. - respondo e ele ri.
- Você parece irritada. - diz e eu dou de ombros.
- Talvez eu esteja um pouco estressada pela falta de descanso. - digo e ele faz um som nasal em resposta.
Talvez um pouco muito.
Eu ainda não fechei os olhos.
E não tive tempo para descansar e nem pude absorver bem as informações e ainda tem Luna, eu a beijei duas vezes e a minha mente tá uma loucura depois disso, mas estou tentando focar no meu objetivo agora, afinal eu tenho que cuidar de tudo, esse é meu dever.
- Que barulho é esse ? - questiona Calvin e eu olho em volta ouvindo um uivo de lobo.
- Acho que tem cachorrinhos brincando na floresta. - respondo me divertindo ao pensar na possibilidade de estar havendo uma reunião de caninos em algum lugar aqui.
- Está falando de cachorros mesmo ou de lobos ? - questiona Calvin nervoso.
- Estou falando de doguinhos evoluídos. - respondo divertida e ele me olha de canto parando de andar.
- Porque James não está aqui com você ao invés de mim ? - questiona de repente e eu faço uma careta achando bizarra a maneira como ele consegue entrar em um assunto totalmente nada haver com o momento. - Quero dizer, ele é seu melhor amigo e apesar da gente também ser amigos, você tem bastante i********e com ele por isso eu fico curioso de saber o porquê eu. - completa e eu suspiro.
- James é totalmente humano, ele não seria capaz de lidar com essas coisas, não que você seja capaz de lidar, mas você tem sangue de bruxa em suas veias, então com o treinamento adequado você será capaz de enfrentar qualquer situação. - digo tranquila voltando a andar. - Eu não quero o envolver nisso, mas sei que em algum momento ele acabará tendo que fazer parte disso tudo de alguma maneira só por ter escolhido a mim para ser sua melhor amiga, porém enquanto eu puder adiar eu o farei, pois ele merece ter um vida comum e feliz. - completo pisando em algo que não é somente terra.
Piso outra vez notando que se trata provavelmente de uma entrada para algum túnel subterrâneo no meio da floresta, talvez seja uma maldita prisão para lobos, isso com toda certeza explicaria os uivos.
- Acho que encontramos o parque de diversões da matilha. - digo de maneira sarcástica.
- O que vamos fazer ? - pergunta parecendo preocupado e eu sorrio olhando para ele.
- Vamos continuar andando fofucho. - respondo em tom de diversão e em seguida volto a caminhar observando discretamente as marcações a mais em algumas árvores que indicam o caminho para uma possível entrada mais tranquila.
Eu poderia ter entrado por ali, eu poderia ter dado um jeito e achado uma maneira de entrar, mas eu não tô afim de me sujar, também não quero demorar aqui então serei cirúrgica e prática para voltar pra minha lobinha. Com esse pensamento sorrio me abaixando para pegar um galho de uma árvore, quebro a ponta a deixando afiada e em seguida coloco as mãos para trás ao ver a tão esperada entrada.
- Quer ficar aqui fora ou pretende participar da diversão ? - pergunto focada na entrada abandonada.
- Me dá uma arma e aí a gente entra. - responde nervoso e eu n**o com a cabeça.
- Minha doce criança, eu sou a arma, a única arma de que você precisa, então só fica cinco passos atrás de mim. - digo o olhando por cima do ombro e em seguida sorrio antes de seguir para a entrada.
- Você tá maluca ? - questiona e eu reviro os olhos.
- Por favor não borre as calças, pois eles tem um olfato muito apurado e eu odiaria ter a minha entrada triunfal estragada. - respondo e ele respira fundo caminhando atrás de mim.
Espero que ele não me atrapalhe.
Pois preciso da minha dose diária de matança para ficar de bom humor.
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Eu não sei o que eu estava pensando quando sai da casa de Pandora correndo feito uma louca até a minha, mas encontrar minha casa vazia não era o que eu esperava, não depois de tudo o que aconteceu e isso indica que tem algo muito errado acontecendo aqui. Sinto que tem algo r**m pairando no ar e que de alguma maneira estou sendo levada até o centro disso, a voz de Petra na minha cabeça gritando por mim me faz ter certeza disso.
Me faz sentir que estou seguindo por um caminho sem volta, um caminho que vai mudar tudo ao meu redor, que vai mudar a minha vida e a maneira como eu vejo tudo. Eu estou com medo, mas sinto que preciso seguir adiante, sinto algo dentro de mim que eu desconheço implorando para sair, para ser liberto, talvez seja uma parte de mim que eu preciso conhecer, ou que eu precise aceitar.
Sim, aceitar.
Eu me lembro bem das palavras de Petra.
Me lembro de como foi importante ouvir aquelas coisas.
De como foi importante tê-la naquele momento.
Durante meses eu desejei ter minha melhor amiga de volta, desejei que ela voltasse a ser a garota que pulava encima de mim todas as manhãs para me acordar me fazendo querer esgana-la, a garota que sempre rebatia tudo com seu sarcasmo inteligente, a garota que me fazia rir o tempo todo, apesar de também me tirar do sério o tempo todo, aquela nossa discussão no carro que em seguida nos levou a parar o trânsito, ali eramos nós de novo, éramos duas melhores amigas discordando, discutindo e no final nos defendendo da maneira que nenhuma outra pessoa faria.
Então agora não será diferente.
Eu conheço o caminho, então vou percorre-lo até alcançar meu objetivo.
Corro pelas ruas da vila vendo as casas com luzes apagadas me fazendo entender que ele não mentiu, Petra está sob controle do conselho e provavelmente deve ser julgada essa madrugada nas ruínas do antigo castelo da família Blackwood, o lugar onde provavelmente meu antepassado Kasper Blackwood condenou as bruxas a morte, o lugar onde vi tantas garotas terem um destino c***l, o lugar onde provavelmente minha avó também foi julgada e morta.
O lugar onde é realizada todas as incontáveis atrocidades cometidas por essa alcatéia.
Um lugar amaldiçoado.
Acho que correr nunca foi tão importante para mim quanto está sendo agora, na verdade correr era a maneira que encontrei para fugir da minha família, para fugir do convívio desgastante e tóxico, mas agora tem outro sentido, na verdade tem um significado importante, eu estou correndo para ajudar a minha melhor amiga, estou correndo para talvez o meu fim, eu declarei guerra mais cedo, eu me coloquei no lugar de maior inimiga do meu próprio e mesmo que eu não goste disso, eu não me arrependo, não me arrependo de fazer o que é certo e de lutar por isso se for preciso, mesmo que isso me torne inimiga da minha própria família. Entro na trilha entre as enormes árvores seguindo as marcações com o selo do conselho e quando posso ver um pouco afastado aquela multidão de homens, mulheres e crianças respiro fundo me aproximando devagar e me escondo atrás de uma árvore torta vendo meu pai e o conselho em ação.
- Sei que todos devem estar se perguntando porquê eu lhes convoquei aqui essa noite para um lugar tão sagrado. - diz meu pai tomando a frente dos dez homens encapuzados e com máscaras cobrindo seus rostos. - Foi aqui nesse lugar onde meu ancestral Kasper Blackwood iniciou a caça as bruxas e com isso deu início ao legado da minha família e dessa alcatéia, por isso nessa noite eu lhes convoquei até aqui para falarmos de algo abominável. - continua olhando em volta enquanto todos trocam olhares confusos e assustados, mas principalmente as mulheres. - Duas garotas desobedeceram as regras ao fugirem durante todo o acontecimento terrível no jantar com a família Collymore, uma fuga imperdoável, pois todos sabem que desobedecer o alfa tem consequências severas e com isso eu lhes digo que toda a família Wheeler está expulsa dessa alcatéia tendo que deixar essa vila imediatamente, exceto Petra Wheeler que será julgada por traição pelo próprio conselho sob meu total apoio. - completa sorrindo vitorioso e eu serro a mandíbula para conter a irritação.
Maldito.
Velho b****a !
- Como nosso querido alfa deixou claro, a senhorita Wheeler será julgada por traição e receberá a punição máxima. - diz um dos conselheiros dando um passo a frente com as mãos para trás.
- MORTE A TRAIDORA ! - grita um dos capangas idiotas do meu pai.
- MORTE A TRAIDORA, MORTE A TRAIDORA, MORTE A TRAIDORA ! - todos gritam em conjunto e a maneira triunfante que meu pai sorrir me enfurece e em um surto de impulsividade saio de trás das árvores e grito o mais alto que posso.
- MORTE AO LEGADO HORRENDO DESSA ALCATÉIA ! - grito chamando a atenção de todos que se viram me permitindo ver a surpresa em seus olhares misturada com confusão e desdém.
- Luna, eu sabia que você apareceria para tentar interceder pela sua amiga. - diz meu pai sorrindo olhando para mim. - Por favor abram espaço para que a minha querida filha venha até mim. - pede e os idiotas o obedecem imediatamente dando espaço para que eu caminhe entre eles até chegar ao meu pai.
- Luna ! - exclama minha mãe se aproximando, mas antes que possa chegar até mim ela e barrada por dois membros do conselho assim como meu tio em seguida.
- Cerberus, não esqueça o que eu disse. - diz meu tio e meu pai arqueia uma sobrancelha em resposta e em seguida volta sua atenção para mim.
- Ela está fora de si querido irmão, acho que precisa de uma lição. - diz meu pai sorrindo.
- Eu não tô nem aí para o que você acha, eu só quero que vocês libertem a Petra, ela não fez nada de errado. - digo encarando meu pai que revira os olhos.
- Nessa alcatéia qualquer um que desobedecer as ordens do alfa se torna automáticamente um traidor e sua amiga te ajudou a escapar no meio da noite quebrando a regra que proíbe passeios noturnos fora dessa vila e ainda passaram a noite fora, isso é inadmissível. - diz meu pai e eu reviro os olhos.
- Pra começar essa regra i****a não deveria nem existir, olha as merdas que aconteceram, não dava pra ficar aqui fingindo que nada aconteceu. - digo e ele sorrir.
- Regras são regras, elas devem ser seguidas a risca. - diz e eu respiro fundo negando com a cabeça. - Mais não se preocupe, pois ela não ficará sozinha por muito tempo, afinal você também fugiu, você quebrou regras também, então isso te torna uma traidora também. - completa debochado.
- Eu sou sua filha, vai mesmo me julgar e me jogar para os lobos famintos ? - questiono sarcástica e ele sorrir.
- Ser minha filha não te dá nenhum privilégio se você não tiver serventia para mim e você é de longe a pior filha que um pai poderia ter, então respondendo a sua pergunta eu farei isso sim e inclusive serei um dos lobos famintos a te devorarem. - responde me olhando nos olhos e o brilho frio e vazio neles me faz entender que ele não está brincando e então nesse momento aquela questão sobre a morte da minha avó volta a rondar minha mente.
- Foi você. - digo olhando em seus olhos. - Você matou a minha avó. - faço uma pausa pensando em tudo vendo uma expressão surpresa em seu rosto. - Porque a matou ? - questiono e ele sorrir.
- Porque ela era uma traidora, ela não aceitava seu lugar nessa alcatéia e ainda adorava aquele conto e******o da bruxa, ela era uma pedra no meu sapato como você, então eu a entreguei ao conselho para ser julgada e após receber a pena de morte eu mesmo a matei. - responde sorrindo ainda mais. - Também matei o primeiro amor do meu querido irmão e anos depois matei a mãe do Kai, porque ninguém, absolutamente ninguém pode me desafiar. - completa me olhando de uma maneira assassina.
- Você é doente. - digo e ele ri enquanto eu olho em volta. - E todos vocês também são doentes por seguirem um homem como esse. - completo olhando para minha mãe e meu tio.
- Estão vendo como ela se acha superior a todos nós ? - questiona meu pai e todos começam a cochichar. - O que acham de mostrarmos a ela como tratamos traidores ? - questiona outra vez.
- SIM ! - gritam em resposta.
- Eu nesse exato momento declaro Luna Blackwood uma traidora e a sua pena será de morte. - diz meu pai me fazendo arregalar os olhos.
- NÃO ! - grita minha mãe tentando vim até mim mais dois membros do conselho a segura.
- Cerberus, retire o que disse agora. - pede meu tio desesperado enquanto meu pai me encara.
- Porque está tão calada agora, finalmente decidiu se colocar em seu devido lugar ? - questiona debochado com um sorriso de canto.
- Vai se f***r. - respondo e em seguida o soco bem no rosto fazendo todos ao redor se calarem.
Ele serra a mandíbula e fecha os olhos enquanto faz uma careta de raiva, ele respira fundo e em seguida abre os olhos me olhando com ódio.
- Que a caça a traidora comece. - diz meu pai e então cai de joelhos exibindo seus olhos de alfa.
- Corra Luna, corra ! - exclama meu tio enquanto eu vejo os ossos do homem a minha frente se partirem indicando o início da transformação.
Sem pensar duas vezes corro para longe dali empurrando as pessoas que entravam em minha frente tentando me impedir de sair dali, sinto meu coração batendo tão rápido que penso que a qualquer momento vou cair no chão infartando, tento focar na trilha de volta para a vila quando outra trilha chama minha atenção, a trilha que eu costumava fazer todas as manhãs, a trilha que leva até a floresta proibida. Não penso muito, apenas corro para a trilha oposta decidida a entrar naquela floresta, afinal como diria Calvin.
" O que é um peido pra quem já tá todo cagado. "
Meu Deus !
Isso nunca fez tanto sentido como está fazendo agora.
Ouço vários uivos seguidos um atrás do outro e então sinto a agonia e o desespero me consumir de uma maneira que não consigo raciocinar ao entrar na floresta e isso me faz esbarrar nas árvores enquanto corro. Tropeço em meus próprios pés e uso as mãos para tentar equilibrar o corpo e não cair de uma maneira pior, sinto meu pulso esquerdo latejar ao receber todo o impacto, mas me levanto rapidamente ouvindo os uivos mais perto e então penso que não há como fugir, então terei que achar um lugar para me esconder.
Com esse pensamento continuo correndo sem olhar para trás e em questão de segundos sinto presas em meu calcanhar perfurando a minha pele me fazendo cair de cara no chão, sem tempo para processar o que aconteceu sou arrastada por um lobo enorme de pelos castanhos rosnando alto enquanto enquanto morde meu calcanhar. Grito de dor ao sentir ele morder com mais força, giro meu corpo e então tento chutar a cabeça do lobo com minha perna livre na tentativa de afasta-lo, pego um punhado de terra e em seguida jogo contra o rosto do lobo, mas ainda sim ele permanece com seus dentes cravados em meu calcanhar, continuo chutando sua cabeça enquanto me estico tentando alcançar um galho de árvore quebrado mais a frente, o lobo balança a cabeça irritado com a areia em seus olhos e isso causa ainda mais dor em mim, tento manter a calma e alcançar o galho, sinto o lobo largar minha perna e então me arrasto até o galho ouvindo o mesmo uivar, pego o galho e em seguida me viro vendo o lobo pular encima de mim sendo acertado pela ponta afiada. Seu olhar assustado segundos antes de seu corpo cair para o lado é o suficiente para me fazer pensar que o matei, assustada me levanto da maneira que consigo o ouvindo uivar caído e então o olho por um momento antes de voltar a correr sem rumo, eu não queria machucar ninguém, eu só queria que ele fosse diferente, mas ele é um monstro, meu pai com toda certeza e a criatura mais terrível que habita nessa cidade.
Ele é um assassino c***l e frio.
Ele não perdoa nem a sua própria família.
Ele matou tanta gente inocente.
Ele cometeu tantas atrocidades.
Eu não posso perdoa-lo.
Não posso.
Penso que ganhei algum tempo para fugir e me esconder, mas entendo que não dá pra fugir de lobos ao ver um deles surgir na minha frente, tento correr para o lado sentindo meu calcanhar latejar quando sou atingida por um outro lobo que me faz cair com ele encima de mim rosnando contra meu rosto.
- Não tem como fugir da gente traídora. - diz alguém conhecido muito bem por mim.
- Brandon McMillan. - digo olhando para o lado vendo o garoto de joelhos e todo suado após voltar ao normal.
- Você sempre foi estranha, agora eu entendo o porquê. - diz me olhando com seus cabelos um pouco cumpridos cobrindo seu rosto. - Vamos levá-la para o alfa, mas antes vamos fazer o que ele disse, vamos brincar com ela para ver se ela é mesmo durona. - completa sorrindo e então volta a se transformar.
- Eu sempre souber que você era um filho da p**a, b****a e escroto do c*****o. - digo e sinto a pata do outro lobo pressionar meu rosto.
Chuto sua barriga e puxo seu pelo na tentativa de fazê-lo se afastar nem que seja um pouco para que eu possa voltar a correr, estico minha mão livre em buscar de uma pedra para acertar a cabeça do lobo e quando a acho o faço sem pensar duas vezes o vendo choramingar se afastando e então me levanto voltando a correr, mas sou surpreendida por Brandon em sua forma de lobo, ele não era tão grande quanto os outros por ser novo, mas me faria em pedaços a qualquer momento, paro de correr ao dar de cara com ele e então dou passos para trás olhando em volta, noto uma cachoeira não muito longe do outro lado e então tento correr o mais rápido que posso até lá sendo seguida pelos dois lobos e paro na ponta olhando para baixo vendo a água cair violentamente lá embaixo.
- m***a ! - exclamo e ouço os rosnados dos dois atrás de mim.
Eu não vou sair dessa, eu só tenho duas escolhas pular e morrer com a queda ou ser pega e morta por esses filhos da p**a, essa segunda opção eu não quero, eu não aceito.
- Fala para o meu pai que ele não vai ter o prazer de m***r, eu prefiro me jogar desse penhasco do que ser julgada e morta por essa alcatéia imunda. - digo dando mais um passo para trás pronta para me jogar.
Observo os dois lobos trocarem olhares enquanto penso nas coisas que não vou poder viver e então ela me vem a mente, basta pensar nela para sua voz ecoar em minha cabeça feito um mantra me fazendo voltar aquele momento.
*
- Uma lobinha quase uivando para a lua, isso é o tipo de visão que eu gosto de ter. - a voz de Pandora faz eu me virar rapidamente com os olhos arregalados.
- Porque está aqui ? - pergunto assustada olhando em volta e ela sorrir se aproximando de mim fazendo meu coração bater rapidamente.
- Você chamou por mim. - responde divertida e eu faço uma careta achando isso tão familiar ao ponto de pensar que estou sonhando acordada com ela.
- Eu não te chamei. - digo confusa e ela para ao meu lado e me olha de canto sorrindo.
- Então deveria. - diz e eu respiro fundo totalmente perdida com essa aparição sua. - Quando precisar de mim, quando se sentir sozinha ou as coisas ficarem difíceis demais, grite por mim. - diz olhando em meus olhos agarrando as laterais de meu rosto com as palmas das suas mãos e isso me faz lembrar daquele sonho em que ela estava em meu quarto.
Isso não pode ser real.
Eu devo estar realmente sonhando acordada.
É muita coincidência.
- Grite por mim e eu virei até você, lembre-se sempre disso, não importa o momento ou situação, eu estarei aqui para você, quando você gritar por mim, eu gritarei de volta para você de onde eu estiver e se eu estiver longe, feche os olhos e me veja voltando para você, porque eu sempre estarei voltando para você. - diz acariciando minha bochecha com seu polegar me olhando nos olhos de uma maneira intensa.
*
Por alguma razão lembrar disso faz com todos os meus instintos gritem para que eu faça o que ela me indicou naquela noite, meu corpo, minha mente e meu coração pedem para que eu o faça, para que eu grite por ela.
" Grite por mim e eu virei até você. "
" Lembre-se sempre disso, não importa o momento ou situação, eu estarei aqui para você. "
Merda, eu não acredito que vou fazer isso.
Eu vou gritar por ela.
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Caminho pelo túnel ouvindo vozes e risos, provavelmente esses filhos da p**a estão se divertindo torturando meu baú de informações, suspiro irritada me apressando para chegar logo ao centro de tudo deixando Calvin para trás, usando minha velocidade sobre-humana paro entre dois homens na porta.
- Me desculpem pelo atraso, mas eu perdi meu convite. - digo e eles se assustam.
Cravo a ponta afiada do galho no queixo do cara da direita enquanto agarro o da esquerda pelo pescoço e em seguida puxo para fora e então cravo e tiro sem parar no peito do outro até me sentir satisfeita em ver o desespero em seus olhos. Sorrio ao ver seu corpo mole sem vida prestes a cair e então o solto respirando fundo, pego o galho e em seguida passo a ponta da língua na ponta afiada do galho sentindo o gosto do sangue do homem em minha boca, isso me faz sentir uma sensação tão boa ao ponto de fechar os olhos para aproveitar melhor, mas os abro rapidamente ao ouvir os passos de Calvin se aproximando e outros dois se aproximando da porta. Sem pensar duas vezes chuto a porta a derrubando vendo quatro homens me olharem confusos enquanto aquele ser conhecido todo acorrentado sorrir ao me ver.
- Eu disse que vocês morreriam antes mesmo da noite acabar. - diz me olhando e eu sorrio.
- Você é sua mania de não me convidar para as suas festinhas particulares, isso magoa o meu pobre coração. - digo sarcástica vendo seu sorriso aumentar enquanto ela n**a com a cabeça.
- Fazer o que, Petra Wheeler é uma v***a escrota as vezes. - diz se referindo a si mesma enquanto os homens nos olhavam confusos e antes que possam entender o que está acontecendo a garota passa a corrente em volta do pescoço de um dos homens o enforcando e eu jogo o galho afiado no pescoço do outro que tenta impedi-la.
Sem a mínima vontade de brincar com esses idiotas, eu os surpreendo com minha velocidade sobre-humana e então arranco o coração dos dois ao mesmo tempo vendo seus corpos caírem no chão em seguida me fazendo sorrir de canto enquanto ouço os passos apressados de Calvin e alguns segundos depois o loiro surge na porta me olhando incrédulo enquanto eu ouço um estalo atrás de mim, me viro vendo que Petra quebrou o pescoço do homem e sorrio.
- Te ensinei bem candidata a noiva do Chucky. - digo divertida e ela me olha com uma sobrancelha arqueada estendendo os braços para que eu quebre as correntes e isso me faz revirar os olhos. - Uma corrente para conter o doguinho dentro de você, acho que alguém aqui irritou o papai alfa. - completo sarcástica.
- Mais ele não contava com o fato de que eu tenho um pacto com o satã em pessoa. - diz me fazendo rir.
- Espera aí, a Petra era o seu informante ? - questiona Calvin confuso e nós duas olhamos para ele.
- Porque o fofucho tá aqui ? - questiona Petra fazendo uma careta.
- Tá aprendendo o necessário para fazer um pacto com satã também. - respondo divertida e ela ri.
- Mandou bem. - diz estendendo o punho fechado para mim e eu retribuo o comprimento. - Você cuidou dos outros quatro lá fora ? - pergunta olhando em volta enquanto eu quebro as correntes.
- Só tinha dois idiotas lá fora. - respondo e ela faz uma careta.
- Então ainda faltam dois. - diz preocupada e eu reviro os, mas arqueio uma sobrancelha ao sentir uma sensação estranha em minha marca de nascença.
Levo a mão acima do peito sentindo minha pele formigar ali e esquentar, o colar em meu pescoço brilha em um aviso de que acumulou magia demais me deixando confusa, toco o colar com minha mão livre sob o olhar atento de Petra e Calvin e então a vejo.
Eu posso ouvir sua voz.
Ela está gritando por mim.
________________ Continua ________________