Capítulo 1

1161 Palavras
Personagens Amélia Fonseca, 23 anos. Apollo Ferrari, 42 anos. Lorena Camargo, 21 anos. Juliano Fonseca, 45 anos. Valentina Pimentel, 34 anos. João Paulo Almeida, 23 anos. Amélia Sinto o líquido quente descer pela minha garganta e molho os lábios encarando o homem na minha frente, o mesmo mantinha uma respiração pesada e por muito pouco eu não conseguia escutar as batidas do seu coração. - Qual é o seu nome? – Subo sem quebrar o contato visual e me aproximo do seu ouvido. - Para que você quer saber? – Falo manhosa e suas mãos seguram forte minha cintura. - Preciso saber qual é o nome da mulher que irei casar. – Em meu rosto se forma um sorriso. - Acredito que o senhor já é casado. – A aliança de ouro na mão esquerda se destacava de longe, e se isso era algum problema para mim? Com certeza não, as coisas ficavam até mais interessantes. - Não me chame de senhor, a não ser na hora que eu estiver te comendo. – Mordo o canto da boca, era a primeira vez que saímos juntos, mas eu já havia visto ele outras vezes no bar que eu frequentava com alguns amigos. Aparentemente ele parecia ser mais velho, a barba e a cara fechada me deixavam ainda mais excitada, e gostinho de ser proibido, por Deus era o que me levava a loucura. - Preciso ir. – Olho nos seus olhos e o mesmo mantinha a cara fechada de poucos amigos. - E se eu não quiser que você vá? – Levanto a sobrancelhas – Você não me falou seu nome, como irei saber se te encontrarei novamente? - Não saberá. – Me afasto. – Apenas deixe rolar meu bem, se o universo conspirar ao seu favor, com certeza iremos nos encontrar de novo. – Ajunto minhas coisas e olho pela última vez para o homem que deixou minha noite bem animada. [...] Estaciono o carro na garagem de casa, o sol já estava alto e com isso eu posso ter quase certeza que meu pai já havia saído para trabalhar. Ando em passos largos até a entrada, eu precisava de um banho e tirar o cheiro de perfume masculino. - Isso é hora de chegar em casa dona Amélia? – A voz enjoada da mulher que eu infelizmente tenho como madrasta ecoa pelo meus ouvidos, encaro a mesma que estava sentada no sofá. - Não te devo satisfação. – Eu ia virar para subir as escadas, mas algo me impede de continuar. - Mas deve a mim, não é? – Fecho os olhos, o que diabos ele estava fazendo em casa. - Bom dia pai – Dou um meio sorriso, e acara dele não era das melhores. - Bom dia Amélia? Sabe pelo menos que horas são? – Subo os olhos para o relógio na parede que marcavam quase uma hora da tarde, eu sabia que ir para o outro lado da cidade iria me custar caro. – Onde você estava, e não venha me falar que estava com a Lorena ou com o João, pois os mesmo me ligaram hoje cedo atrás de você. – Que amigos eu tenho, p**a merda. - Fui para a casa da praia. – Ele estreita os olhos, meu pai sabia quando eu estava mentindo, então fiz a minha melhor cara. - Ela está mentindo amor, essa menina precisa de limites, a gente sabe que ela estava com homem, olha esse cheiro de perfume. – Meu pai olha para a mulher que agora estava do seu lado e depois para mim. - Eu te dei um tempo Amélia, mas esse tempo acabou. – Ele diz firme, eram poucas as vezes que meu pai era duro comigo. – Você vai amanhã mesmo atrás de uma faculdade para fazer ou irá trabalhar comigo na empresa, já faz quatro anos Amélia, você precisa acordar para a vida, não é mais uma adolescente. – Meu coração acelera, sinto meus lábios secos. - Era minha mãe, você não sabe sobre o meu luto. – Vejo a cobra revirar os olhos, e isso só me deixava pior, meu pai não teve um pingo de amor quando colocou outra mulher para morar com a gente na casa que um dia foi da minha mãe. - Mas a vida continua minha filha, você não pode fazer isso contigo, acha mesmo que sua mãe estaria orgulhosa dos seus comportamentos rebeldes? - Se você estivesse um pouco mais presente durante esse tempo, talvez eu não estaria assim. – Vejo o quanto isso afeta ele, e seria ali que eu atacaria. - Não culpe seu pai sua insolente, ele dá tudo que você precisa, a morte da sua mãe não é culpa dele e de ninguém aqui nessa casa. – Deito minha cabeça para o lado, eu estava louca ou essa sirigaita havia me chamado de insolente. - Cala a merda da sua boca, você não tem o direito nenhum de falar de mim, ou ao menos dirigir alguma palavra sobre a minha mãe. – A mesma estala os olhos e encara meu pai. - Você vai deixar ela falar assim comigo amor? Já está passando dos limites isso. - Vá para o seu quarto agora Amélia – O mesmo se aproxima de mim – E nunca mais fale assim com a Valentina. – Ali naquele momento eu senti o resto do meu mundo desabando, eu sabia que eu não era uma pessoa fácil de lidar, mas meu pai ficar do lado dela, foi a gota d’água para mim, e sem falar mais nada eu virei as costas e subi para o meu quarto, me sentindo uma criança de cinco anos. A banheira estava cheia, retirei as peças intimas e entrei na agua quente, olhei para o teto e aos poucos as lagrimas foram caindo, eu sabia que por um lado meu pai estava certo, a vida devia continuar, mas ao mesmo tempo eu necessitava disso, pois só assim eu não lembrava dela, só assim eu não sentia tanta saudades, quando eu estava com algum homem, ou quando bebia até perder a consciência, minha mente voava longe e a fala dela ia junto, mas quando eu entrava nessa casa, quando olhava para os lados, o vazio estava lá, a dor de perder alguém que a gente ama nos destrói todos os dias, principalmente quando se trata de uma mãe. Acredito que toda essa dor é um ódio que sinto pelo meu pai, por ele não ter respeitado a mim e nem a minha mãe, por ele dizer para todos que o grande amor da vida dele era ela, mas não esperou um ano e colocou outra aqui dentro de casa, e para piorar tudo, colocou uma mulher que se dizia amiga de mamãe, mas era apenas uma cobra, que por tantos anos apenas quis tomar seu lugar, e é impossível não desconfiar que eles não mantinham um caso enquanto a minha mãe estava viva.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR