Amélia
Escuto barulho pelo quarto e logo a claridade bate contra meu rosto, isso só podia ser coisa da jararaca, mas antes de mim começar alguém fala.
- Vamos acordar minha filha, seu pai está te esperando lá embaixo. – Olho para Maria, e a mesma tinha um sorriso doce do rosto, mesmo odiando ser acordada, eu jamais falaria isso para a mulher que me cuidou dês de pequena, e por quem eu tenho o maior amor.
- Que saudade Maria, achei que nunca mais iria voltar. – Falo fazendo um pouco de drama e a mesma sorri.
- Sem dramas minha querida, sabe que eu não te deixaria sozinha nessa casa. – Maria foi minha babá e agora cuidava das coisas de casa, mas ela precisou sair por um tempo, e isso foi horrível.
- Me dá um abraço. – Me levanto e ela abre os braços e eu me aconchego. – Foi triste sem você aqui.
- Eu imagino. – Ela faz um carinho nos meus cabelos.
- Mas como foi lá com a sua família? – Me afasto.
- Foi maravilhoso. – Dou um sorriso.
- Que bom, sinto muito por você não poder morar mais perto deles. – Maria morava aqui em São Paulo sozinha, não tinha filhos e nunca casou, o resto da família dela morava no Mato Grosso, e sempre quando dava ela ia visitar eles.
- Quem sabe quando eu me aposentar não volto para lá.
- Se tu for eu irei junto. – Ela me dá um tapinha no braço.
- Vai tomar banho agora, sabe que o senhor Juliano não gosta de esperar – Reviro os olhos – Não revire esses olhos para mim menina. – Ela me repreende.
- Desculpe. – Caminho para o banheiro e faço minha higiene e tomo um banho rápido, já que ontem eu passei tanto tempo na água, que se fosse ver bem eu não precisaria tomar banho por uma semana. Saio enrolada na toalha e já havia uma roupa sobre a cama, Maria me conhecia tão bem, que até roupa ela mesma escolhia para mim, mesmo eu falando que já não tinha mais idade para isso, ela insistia em fazer.
Visto uma roupa intima por primeiro e depois coloco a calça jeans e uma blusa mais social, eu sabia bem por que meu pai estava me esperando, mas se ele acha que eu irei trabalhar com o mesmo, ele está muito enganado. Termino de me arrumar, e deixo meu cabelo solto, o vermelho sangue se destacava por conta da minha pele ser tão branca, e eu amava.
Desço as escadas em silencio, apenas com meu celular nas mãos, olho as mensagens dos meus amigos falsos e não respondo nada. Entro na cozinha, dou bom dia para as meninas que estavam ali, e pego apenas um suco.
- Seu pai está te esperando lá na sala de jantar. – Uma das meninas fala.
- Não irei tomar café lá hoje, esperarei ele no carro, se puder avisar o mesmo para mim. – A mesma concorda e se retira da cozinha.
Já estava dentro do carro quando o mesmo entra com a cara fechada, por um momento lembrei no homem com quem passei a noite ontem, acredito que os dois possam ter quase a mesma idade, seria engraçado se meu pai soubesse, mas também aterrorizante.
- Bom dia Amélia.
- Bom dia senhor Juliano – Falo com ironia.
- Não teste a minha paciência logo cedo. – Ele liga o carro e eu permaneço em silencio até chegarmos de frente ao prédio com a fachada enorme e o nosso sobrenome estampado. – Está na hora de crescer.
- Não pense que irei trabalhar aqui. –Saio do carro e o mesmo faz a mesma coisa e entrega a chave para um rapaz manobrar.
- Acredito que faculdade você não irá querer fazer, então te resta apenas isso. – Ele vem para o meu lado. – Mas se não quiser, a lanchonete ali na frente está precisando de funcionário, e eu posso ajeitar um apartamento para você. – Ele gostava de me ameaçar, e ver até onde eu iria por dinheiro, e ele sabe também que eu não irei abrir mão da minha herança e de tudo que eu tenho direito, jamais deixarei alguma coisa para a Valentina.
- Está certo, não irei fazer alguma faculdade agora. – O mesmo me examina. – Vamos, me mostre onde será a minha sala e o que terei que fazer. – Caminho na frente dele e entro no prédio, cumprimento o pessoal ali de baixo com um sorriso no rosto, eu gostava de ser educada e passar uma boa impressão, minha mãe dizia, a primeira impressão é a que fica.
- Você sabe que não terá uma sala por agora, irá ficar como secretaria. – Fecho os olhos, só podia ser brincadeira.
- Está brincando com a minha cara? – Falo baixo para ninguém escutar.
- Não estou brincando, meu sócio está precisando de uma secretaria, e você se encaixa nesse papel.
- Tantas pessoas capacitadas para esse serviço, e o senhor vai colocar eu mesmo?
- Com o tempo você irá se capacitar, pedirei para as meninas aqui te ajudar. – n**o com a cabeça, eu não queria tomar o lugar de alguém que realmente precise, pois se ele me desce uma sala eu poderia fazer outras coisas.
- Quem é seu sócio? É alguém que eu conheço? – Eu iria precisar saber quem era o homem com quem eu teria que trabalhar.
- Acho que você não conhece, é um amigo de longa data, ele estava morando para fora do Brasil e voltou faz pouco tempo, acredito que ele não irá aparecer por aqui tão cedo.
- Então eu começo a trabalhar só quando ele voltar?
- Não não, vai começar ainda hoje, ele não vem para a empresa, mas trabalha de casa, pedirei para a Luana te ajudar com isso, pode ficar tranquila. – Ele chama a moça que estava no balcão. – Bom dia Luana, quero que mostre como funciona as coisas aqui na empresa para a Amélia, ela ficara encarregada de ajudar o senhor Ferrari.
- Pode deixar senhor. – Meu pai me olha e logo vira as costas para entrar no elevador. – Amélia então? – A moça me encara de cima a baixo.
- Isso, e você deve ser a Luana. – Dou um sorriso simpático, mas a mesma não retribui, e isso me deixa confusa.
- Já trabalhou de secretaria alguma vez? – n**o. – Meu Deus onde o senhor Fonseca estava com a cabeça. – Ela diz baixo, mas o suficiente para mim poder escutar, mas acho que era isso que ela queria, já que começa a andar na minha frente com um sorriso no rosto.
Ou ela não sabe quem ou sou, ou está doida, mas deixarei para ver até onde ela irá.