— Eu estava brincando, Ritinha. Volte aqui.
— E eu já vou me bora, eu hein, conversa atoa. — Ritinha deu de ombros, virando as costas para sair, mas Pedro a segurou pela cintura, girando-a para ele.
Eles olharam olho no olho.
— Eu sinto sua falta — confessou ele.
— Por que não volta?
— Porque ainda não posso.
— É por conta dos estudos?
— É, é sim.
Mas não era. Pedro poderia fazer medicina veterinária na mesma cidade de Lua e das primas, que ficava apenas a duas horas de Recanto das Flores. No entanto, ele não voltava porque temia não resistir à tentação chamada Rita de Cássia.
— Diz que me quer, que eu te espero — disse ela, agarrando-se à camisa dele.
— Ritinha, as coisas não são assim.
— E são como, Pedro? Eu gosto de océ e quero que me diga que gosta de mim, que eu vou te esperar o tempo que for preciso.
— Não é tão fácil e...
— Me leve com océ, me leve, por favor, porque é tanta saudade que sinto, que dói por demais, homem, dói aqui ó.
Ritinha colocou a mão de Pedro sobre o peito dela, e ele ficou excitad0 ao notar os sei0s rebitados; era possível perceber o bico. Ele precisava fugir dali o mais rápido possível.
Pedro retirou a mão do sei0 dela.
— É complicado.
Ela sorriu sem graça.
— Océ tem razão — disse, caminhando em direção ao cavalo.
— Ritinha, espere.
— A sua namorada é tão metida quanto océ está?
Ela montou no cavalo.
— Que namorada?
— b***a não é océ, b***a sou eu por pensar que tinha chances, que nutrimos o mesmo sentimento, que a saudade que dói aqui pudesse doer aí também. Eu pensei que olhasse pras estrelas de lá onde está e pensasse em mim, tanto quanto penso em océ. Mas não... Como eu, Ritinha, a filha do peão e da costureira, tive a audácia de pensar que um dia poderia existir algo entre nós? Eu sou muito b***a mesmo.
Ritinha saiu em disparada no cavalo.
— Ritinha, espere! Ritinha...
— Ele gritou, mas ela o ignorou.
Pedro montou em Veneza e partiu atrás dela. Uma coisa era não tocá-la; outra era deixá-la pensar que ele não a queria, que não sentia o mesmo.
Ritinha cavalgava rápido, como quem sabia domar os bravos cavalos e cuidar dos bichos melhor que muitos veterinários formados e diplomados.
Ela participava de rodeios em grandes disputas, mentindo e forjando a idade, fugindo dos pais na calada da noite e juntando os prêmios, na esperança de um dia Pedro levá-la com ele, pois não queria ser um peso financeiro.
Ela parou o cavalo na cachoeira, e Pedro parou logo atrás.
— Vai embora, Pedro.
— Eu não vou.
— Vá embora, eu não quero mais olhar pra essa sua fuça.
— Já falei que não vou.
Ela gritou, e ele também elevou a voz.
— Océ tá certo, essas terras são suas. Então fique aí, quem vai sou eu.
— Não vai, não, Ritinha. Vamos conversar.
— Océ não manda em mim, e eu vou sim, e océ não vai me impedir.
Quando ela se virou para montar no cavalo, ele a puxou de forma brusca e a beijou. Mas parou ao perceber a inexperiência dela.
— Me desculpe, Ritinha.
— Se me pedir desculpas pelo beijo, eu jogo océ na cachoeira.
Pedro alisou o rosto dela, e Ritinha fechou os olhos.
— Eu amo océ, Pedro, amo océ.
Ele a beijou novamente, dessa vez conduzindo de forma que ela acompanhasse e se deixasse levar. Até a água da cachoeira parecia se acalmar para aquele momento.
Ele se repreendia pelo beijo, mas o desejo era mais forte.
Ritinha sentiu ele crescer, endurecendo, e aproveitou para se esfregar.
— Pare, Ritinha, pare pelo amor de Deus — ele gemeu em agonia.
— E océ não quer parar, Pedro, e muito menos eu.
Tomado pelo desejo, Pedro ergueu o vestido de Ritinha, apertando sua cintura e a posicionando junto a uma árvore para controlar-se. Entre beijos, ele confessou:
— Eu também não paro de pensar em você, não paro.
Ele a beijou novamente, e ela sussurrou:
— Me deixe ver.
— O quê?
Ela apontou para ele, curiosa, mordendo o lábio.
— Ritinha, não, não...
— Só quero vê, eu nunca vi um, não tenho com o que comparar, por favor.
— Eu não posso, você é só uma menina.
— Mas eu quero ser sua.
— Não pode, Ritinha, ainda nem é de maior.
— Não sou hoje, mas serei em breve e serei sua, Pedro, sua.
Ele hesitou, mas o desejo nos olhos era forte demais.
Então, cedendo, ele a beijou, deixando escapar um suspiro que entregava o quanto resistir era impossível.
Pedro apertou-a com carinho, deslizando as mãos em seus braços, em um toque que fazia os dois perderem o fôlego.
— Eu não aguento, Ritinha, não vou aguentar...
Ele a trouxe para mais perto, e o toque dele a fez pender a cabeça para trás, como se se entregasse totalmente ao momento.
— Me perdoe, Ritinha, por isso...
Estavam embriagados pelo desejo e, sem pensar, ela deslizou a mão em direção ao cinto dele, abrindo-o devagar, com os olhos fixos nos dele.
— Ritinha...
— Só quero pegar, só isso, só sentir...
Ele respirou fundo, tentando manter o controle, mas o toque dela o deixou arrepiado, um misto de surpresa e desejo.
— Cacet£, Ritinha...
Ele gemeu baixo, e os dois se aproximaram ainda mais, entre carícias intensas e suspiros.
Ritinha não parecia amedrontada, ao contrário, sorria para ele, segura.
— Ainda o terei dentro de mim, Pedro, dizendo que me ama.
— Será o meu maior prazer, Ritinha.
Eles ficaram ali, explorando o desejo com carícias e toques, em um jogo de tentação e resistência. Ele a segurava firme, enquanto ela se entregava, e por um momento, ambos se deixaram levar, sentindo o calor do outro.
Ritinha acabou estremecendo de prazer e Pedro a seguiu, ambos ofegantes.
Logo, foram para a cachoeira, onde a água refrescava a pele quente e as emoções intensas. Ela o abraçava, com os braços ao redor do pescoço e as pernas na cintura dele.
— Me fez parecer um garotinho, Ritinha...
Ele riu, um tanto envergonhado, sentindo-se vulnerável como nunca se sentira antes.
— Océ parecer um garotinho, com um trem desse tamanho é impossível.
Eles riram juntos, se beijando, ainda grudados um no outro, como se o tempo parasse ali.
— Ritinha, sua peste!
Ritinha reconheceu a voz da mãe.
Era dona Antônia.
— Mainha, agora danose.
— Saia daí agora dessa água.
— Dona Antônia, eu posso explicar, eu...
Pedro até tentava explicar, o inexplicável.
— E océ cale a boca, pensei que fosse homem! Como se atreve? Ritinha é uma menina, e océ um homem feito!
Pedro abaixou a cabeça, envergonhado.
— Seu pai há de morrer de desgosto, Ritinha.
— Mas mainha, não aconteceu nada, visse?
— Estavam aos beijos, e me diz que não aconteceu nada? Sua desavergonhada.
Ritinha cochichou para Pedro sem que a mãe ouvisse:
— Imagine se ela sabe o que estávamos fazendo a poucos minutos atrás.
— Quieta, Ritinha — ele a repreendeu.
Dona Antônia se aproximou e puxou Ritinha pelos cabelos, ameaçando dar uns tapas. Mas Pedro interferiu, impedindo que ela