Cedendo

1229 Palavras
— Eu estava brincando, Ritinha. Volte aqui. — E eu já vou me bora, eu hein, conversa atoa. — Ritinha deu de ombros, virando as costas para sair, mas Pedro a segurou pela cintura, girando-a para ele. Eles olharam olho no olho. — Eu sinto sua falta — confessou ele. — Por que não volta? — Porque ainda não posso. — É por conta dos estudos? — É, é sim. Mas não era. Pedro poderia fazer medicina veterinária na mesma cidade de Lua e das primas, que ficava apenas a duas horas de Recanto das Flores. No entanto, ele não voltava porque temia não resistir à tentação chamada Rita de Cássia. — Diz que me quer, que eu te espero — disse ela, agarrando-se à camisa dele. — Ritinha, as coisas não são assim. — E são como, Pedro? Eu gosto de océ e quero que me diga que gosta de mim, que eu vou te esperar o tempo que for preciso. — Não é tão fácil e... — Me leve com océ, me leve, por favor, porque é tanta saudade que sinto, que dói por demais, homem, dói aqui ó. Ritinha colocou a mão de Pedro sobre o peito dela, e ele ficou excitad0 ao notar os sei0s rebitados; era possível perceber o bico. Ele precisava fugir dali o mais rápido possível. Pedro retirou a mão do sei0 dela. — É complicado. Ela sorriu sem graça. — Océ tem razão — disse, caminhando em direção ao cavalo. — Ritinha, espere. — A sua namorada é tão metida quanto océ está? Ela montou no cavalo. — Que namorada? — b***a não é océ, b***a sou eu por pensar que tinha chances, que nutrimos o mesmo sentimento, que a saudade que dói aqui pudesse doer aí também. Eu pensei que olhasse pras estrelas de lá onde está e pensasse em mim, tanto quanto penso em océ. Mas não... Como eu, Ritinha, a filha do peão e da costureira, tive a audácia de pensar que um dia poderia existir algo entre nós? Eu sou muito b***a mesmo. Ritinha saiu em disparada no cavalo. — Ritinha, espere! Ritinha... — Ele gritou, mas ela o ignorou. Pedro montou em Veneza e partiu atrás dela. Uma coisa era não tocá-la; outra era deixá-la pensar que ele não a queria, que não sentia o mesmo. Ritinha cavalgava rápido, como quem sabia domar os bravos cavalos e cuidar dos bichos melhor que muitos veterinários formados e diplomados. Ela participava de rodeios em grandes disputas, mentindo e forjando a idade, fugindo dos pais na calada da noite e juntando os prêmios, na esperança de um dia Pedro levá-la com ele, pois não queria ser um peso financeiro. Ela parou o cavalo na cachoeira, e Pedro parou logo atrás. — Vai embora, Pedro. — Eu não vou. — Vá embora, eu não quero mais olhar pra essa sua fuça. — Já falei que não vou. Ela gritou, e ele também elevou a voz. — Océ tá certo, essas terras são suas. Então fique aí, quem vai sou eu. — Não vai, não, Ritinha. Vamos conversar. — Océ não manda em mim, e eu vou sim, e océ não vai me impedir. Quando ela se virou para montar no cavalo, ele a puxou de forma brusca e a beijou. Mas parou ao perceber a inexperiência dela. — Me desculpe, Ritinha. — Se me pedir desculpas pelo beijo, eu jogo océ na cachoeira. Pedro alisou o rosto dela, e Ritinha fechou os olhos. — Eu amo océ, Pedro, amo océ. Ele a beijou novamente, dessa vez conduzindo de forma que ela acompanhasse e se deixasse levar. Até a água da cachoeira parecia se acalmar para aquele momento. Ele se repreendia pelo beijo, mas o desejo era mais forte. Ritinha sentiu ele crescer, endurecendo, e aproveitou para se esfregar. — Pare, Ritinha, pare pelo amor de Deus — ele gemeu em agonia. — E océ não quer parar, Pedro, e muito menos eu. Tomado pelo desejo, Pedro ergueu o vestido de Ritinha, apertando sua cintura e a posicionando junto a uma árvore para controlar-se. Entre beijos, ele confessou: — Eu também não paro de pensar em você, não paro. Ele a beijou novamente, e ela sussurrou: — Me deixe ver. — O quê? Ela apontou para ele, curiosa, mordendo o lábio. — Ritinha, não, não... — Só quero vê, eu nunca vi um, não tenho com o que comparar, por favor. — Eu não posso, você é só uma menina. — Mas eu quero ser sua. — Não pode, Ritinha, ainda nem é de maior. — Não sou hoje, mas serei em breve e serei sua, Pedro, sua. Ele hesitou, mas o desejo nos olhos era forte demais. Então, cedendo, ele a beijou, deixando escapar um suspiro que entregava o quanto resistir era impossível. Pedro apertou-a com carinho, deslizando as mãos em seus braços, em um toque que fazia os dois perderem o fôlego. — Eu não aguento, Ritinha, não vou aguentar... Ele a trouxe para mais perto, e o toque dele a fez pender a cabeça para trás, como se se entregasse totalmente ao momento. — Me perdoe, Ritinha, por isso... Estavam embriagados pelo desejo e, sem pensar, ela deslizou a mão em direção ao cinto dele, abrindo-o devagar, com os olhos fixos nos dele. — Ritinha... — Só quero pegar, só isso, só sentir... Ele respirou fundo, tentando manter o controle, mas o toque dela o deixou arrepiado, um misto de surpresa e desejo. — Cacet£, Ritinha... Ele gemeu baixo, e os dois se aproximaram ainda mais, entre carícias intensas e suspiros. Ritinha não parecia amedrontada, ao contrário, sorria para ele, segura. — Ainda o terei dentro de mim, Pedro, dizendo que me ama. — Será o meu maior prazer, Ritinha. Eles ficaram ali, explorando o desejo com carícias e toques, em um jogo de tentação e resistência. Ele a segurava firme, enquanto ela se entregava, e por um momento, ambos se deixaram levar, sentindo o calor do outro. Ritinha acabou estremecendo de prazer e Pedro a seguiu, ambos ofegantes. Logo, foram para a cachoeira, onde a água refrescava a pele quente e as emoções intensas. Ela o abraçava, com os braços ao redor do pescoço e as pernas na cintura dele. — Me fez parecer um garotinho, Ritinha... Ele riu, um tanto envergonhado, sentindo-se vulnerável como nunca se sentira antes. — Océ parecer um garotinho, com um trem desse tamanho é impossível. Eles riram juntos, se beijando, ainda grudados um no outro, como se o tempo parasse ali. — Ritinha, sua peste! Ritinha reconheceu a voz da mãe. Era dona Antônia. — Mainha, agora danose. — Saia daí agora dessa água. — Dona Antônia, eu posso explicar, eu... Pedro até tentava explicar, o inexplicável. — E océ cale a boca, pensei que fosse homem! Como se atreve? Ritinha é uma menina, e océ um homem feito! Pedro abaixou a cabeça, envergonhado. — Seu pai há de morrer de desgosto, Ritinha. — Mas mainha, não aconteceu nada, visse? — Estavam aos beijos, e me diz que não aconteceu nada? Sua desavergonhada. Ritinha cochichou para Pedro sem que a mãe ouvisse: — Imagine se ela sabe o que estávamos fazendo a poucos minutos atrás. — Quieta, Ritinha — ele a repreendeu. Dona Antônia se aproximou e puxou Ritinha pelos cabelos, ameaçando dar uns tapas. Mas Pedro interferiu, impedindo que ela
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