capítulo 113

1442 Palavras

Helena narrando Entrei na sala de audiência com a sensação de que o chão debaixo dos meus pés podia desmoronar a qualquer momento. Era como caminhar em cima de vidro fino. Qualquer passo errado, qualquer deslize, e eu cairia num abismo sem fim. Eu sabia que esse seria o dia mais difícil da minha vida, talvez mais difícil até do que aquela noite, três anos atrás. Porque agora eu precisava encarar não só a memória, mas os rostos. Os mesmos rostos. O cheiro da madeira encerada misturado com o frio do ar-condicionado me trouxe um arrepio. Tudo parecia calculado para afastar qualquer humanidade dali dentro. O tribunal não é lugar para sentimentos, me diziam. Mas como separar sentimento de justiça, quando é a sua vida que está sendo exposta em cada detalhe? Respirei fundo, ajeitei a pasta de

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