Capítulo 114

976 Palavras

n***o narrando Apertei ela contra o peito, forte, como se pudesse colar os pedaços que estavam se quebrando por dentro. Senti os ombros dela tremerem, o choro abafado contra mim, e cada lágrima que caía parecia queimar minha pele. — Eu tô aqui, meu amor. Tô aqui — sussurrei, mas nem sei se ela ouviu. Não importava. O que importava era segurar firme, ser o porto dela naquele momento. Eu sabia qual tinha sido o veredito, não precisava de palavra nenhuma. Tava escrito na dor dela, no jeito que ela se agarrava a mim como se fosse afundar se eu soltasse. Por dentro, uma raiva surda crescia. Raiva do sistema, raiva dos arrombados que saíram livres, raiva de ver ela passar por isso. Eu queria poder trocar de lugar, carregar esse fardo no lugar dela. Mas não dava. E essa impotência me matava.

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