No outro dia Lilly acordou cedo, tomou um banho e na cozinha tinha Manuela preparando o café.
— Bom dia querida, dormiu bem?
— Bom dia... Dormi sim, obrigada.
— Você começa hoje na universidade, certo?
— Sim, daqui a pouco estou de saída.
Lilly tomou café e saiu, na porta já estava Alex a esperando.
— Eu ia te ligar, hoje vou a universidade.
— Tô sabendo! O Rui já cantou a bola pra mim, pega isso e vamos, já tenho até o endereço. — Alex disse e passou um capacete para a mão dela.
— Vamos de moto?
— Claro, vai gostar da minha nave, andar de carro aqui e complicado.
— Eu nunca andei de moto...
Alex riu, pensava de onde aquela menina havia saído, Lilly não conhecia quase nada da vida ou do mundo, mas ele sentiu que seria bom apresentar tudo isso a ela.
— Bora, vou te ajudar a subir.
Ele colocou o capacete nela e prendeu, ele subiu primeiro e estendeu a mão para ela.
— Pisa aqui e sobe, pensa que tu vai montar um cavalo...
Lilly riu da referência, essa ela havia entendido muito bem. Ela fez como ele pediu .
— Segura em mim, mas não fica me alisando não, se não a gente cai.
Lilly segurou em sua cintura e ele a levou para a Escola de Música da UFRJ, a instituição federal era renomada, tinha prestígio e muito agregar para ela.
Eles pararam e Lilly ainda ficou segurando Alex, ele não correu, mas para ela foi emocionante.
— Italiana, já pode me soltar. — Ele disse rindo.
— Escocesa, eu sou Escocesa. — Lilly o corrigiu tímida, ele desceu e ajudou Lilly a sair da moto, ela pegou na bolsa o horário da aula e a sala que ficaria.
— Pode ir, eu saio às 11h30.
— Vou arrumar um rango e depois eu volto, não sai daqui de dentro sem mim, o Rui me esfola se eu perder você.
Lilly entrou no prédio e estava ainda confusa com a grade de horários.
Um rapaz se aproximou e a acompanhou durante alguns minutos.
— Está perdida? — Ele perguntou.
— Ah, eu ainda não entendi direito o horário das aulas, não sei para onde ir.
— Deixe-me ver... Aqui, seu primeiro horário é teórico, você vai para o piso superior, depois da pausa tem aula prática, é no subsolo... O que você toca?
— Piano.
— Eu toco instrumentos de corda, principalmente violino, me chamo Maurício e você?
— Lilliane, mas pode me chamar de Lilly.
— Vamos? Acho que a aula teórica é geral.
Lilly achou o rapaz gentil, ele usava um estilo mais social, mas não era formal como o pai dela, ele foi respeitoso e ainda entendia de música, depois da aula teórica ele mostrou o refeitório e a lanchonete, comeram juntos e ele ainda pagou a conta para ela, depois eles desceram para a aula prática, na verdade a dele era em outra sala, mas ele quis ver Lilly trocando.
— Senhorita Lilliane Boyd, está presente? — A professora de meia idade perguntou.
— Sim, sou eu.
— É um prazer tê-la aqui conosco, não pensei que alguém do seu gabarito viesse estudar música no Brasil, estou honrada.
— A honra é toda minha. — Lilly respondeu gentilmente.
A professora foi avisada assim que receberam a inscrição de Lilly, a família importante da Escócia tinha um prodígio musical em casa, com 12 ou 13 anos Lilly já tocava em recitais e ganhava prêmios, quando adulta era convidada para apresentações beneficentes e concertos, ela já tinha um ótimo conhecimento, só lhe faltava a formação.
— Lilliane, daria-nos o prazer de ouvi-la tocar? — A professora perguntou.
— Claro, mas pode me chamar de Lilly, por favor.
Lilly se sentou no piano e começou a tocar, ela sempre dizia que era transportada para outro lugar quando estava ao piano, naquele momento ela voltava para casa na Escócia, ela sentia o cheiro das plantas do jardim e ouvia Ivy correndo pela casa com Brandon, a sua família era preciosa e quando falavam que ela toca com amor, a lembrança deles invadia seus pensamentos.
No canto da sala Maurício a observava, ele pensava que Lilly era realmente linda e talentosa, perfeita para os seus planos.