Lilly desceu do avião ansiosa, ela olhou em volta perdida, depois de tudo que descobriu estava finalmente no Brasil.
Lilly chegou a tarde no aeroporto Rio Galeão, sentiu um alívio tremendo ao ver Rui.
— Oi tio, confesso que já estava ficando nervosa...
— Lilly é muito bom te ver, vamos! — Rui pegou as malas e direcionou Lilly até o carro, ela olhava em volta com os olhos arregalados estava realmente descobrindo um mundo novo.
— Lilly, a Manú está um pouco preocupada com você? Você está bem?
— Estou... Eu não a culpo, quero conhecê-la de verdade... — Lilly se voltou para Rui e forçou um sorriso.
— Sabe que onde eu moro é um pouco perigoso... Quem comanda lá é a Rai, pedi a ela um segurança pra você.
— Tio, não precisa disso. Vou estudar piano no conservatório, acho que passarei a maior parte do tempo lá.
— Mesmo assim, a Rai ficou de arrumar alguém de confiança pra você, essa pessoa vai levar e trazer você de onde for, não quero correr o risco de tomar um tiro do seu pai por não cuidar de você.
Lilly balançou a cabeça em negação, mas sabia que era verdade, se Scott sonhar que algo aconteceu, entraria no primeiro vôo para o Rio e acertaria as contas com Rui.
Assim que chegou na casa ela estranhou as ruas estreitas e a quantidade de casas umas próximas das outras. Onde morava na Escócia era uma propriedade grande, o vizinho mais próximo ficava a metros de distância.
— Lilly... — Manuela a abraçou e lhe deu um beijo na testa. — Tenho uma surpresa pra você...
Do quarto saiu Raíssa, ela foi avisada por Rui que Lilly estava chegando e quis ver a amiga estrangeira.
— Meu Deus Rai! Que bom te ver... Como está? — Lilly disse a abraçando.
— Estou bem, vim ver se era verdade... Então o passarinho fugiu da gaiola?
Lilly riu do comentário, estaria pela primeira vez experimentando a liberdade.
— Vou em casa e daqui a pouco passo pra te pegar, vai em uma festa de verdade. — Raíssa disse e saiu.
Lilly ficou pensando em que tipo de lugar Raíssa a levaria, não conhecia ninguém e tinha medo de tudo a sua volta.
Quando Raíssa voltou, Lilly estava com uma saia longa rodada, usava uma blusa de frio e os cabelos soltos.
— Amiga, não vai se arrumar? O pagode ja deve estar fervendo... — Raíssa disse ao vê-la.
— Mas eu estou pronta... — Lilly disse com as mãos na cintura.
— Você que sabe, vai passar um calor do cão com essa roupa.
Elas saíram e caminharam poucas ruas, por onde passavam as pessoas cumprimentavam Raíssa, ela era conhecida e respeitada ali, já era noite e mesmo assim as ruas estavam movimentadas. Elas chegaram em algo que parecia um galpão, era grande e tinha uma banda tocando o ritmo brasileiro. Estava cheio de gente e Raíssa segurou sua mão para passar entre as pessoas, elas pararam em um canto, havia ali um homem alto, forte, ele tinha o cabelo grande e o corpo todo tatuado, ele usava uma bermuda jeans e uma camiseta regata, era musculoso e Lilly analisava cada detalhe do homem a sua frente.
— Limpa a boca... — Raíssa disse rindo.
— O que? — Lilly perguntou sendo tirada de seus pensamentos.
— Você está babando no meu amigo. — Raíssa concluiu o pensamento e gargalhou, Lilly ficou vermelha, realmente estava admirando o homem a sua frente, mas não pensou que era perceptível o seu olhar.
Raíssa se aproximou do homem e disse algo em seu ouviu, ele olhou para Lilly e sorriu, a música estava alta, não conseguiu ouvir nenhuma palavra, ele disse algo também a Raíssa e ela concordou com a cabeça.
— Lilly vou pegar algo pra gente beber, não sai daqui... — Raíssa disse e saiu.
Lilly ficou um pouco desconsertada, m@l chegou no país e já estava sozinha em um lugar estranho.
Um rapaz se aproximou dela, pegou a sua mão e a girou dançando, Lilly se assustou e deu um passo para trás, o rapaz segurava uma garrafa em uma das mãos e tentou pegar em sua cintura, ela o afastou novamente, mas ele insistia em se aproximar.
O homem alto que estava encostado na parede apenas parou de frente para o outro rapaz. O rapaz se afastou e levantou os braços em rendição. O homem se virou e sorriu.
— Assustada? — Ele disse ainda sorrindo.
— Um pouco... E obrigada pela ajuda.
— Me chamo Alex, mas todos me chamam de carrasco.
Lilly levantou uma sobrancelha sem entender, será que afastou um perigo para se aproximar de outro?
— Sou a Lilly, amiga da Rai. — Lilly arrumou o cabelo atrás da orelha e olhava para o chão.
— Então você é a menina estrangeira que ela falou, Bom... Parece que serei seu cão de guarda aqui.
Lilly sorriu, Alex parecia agradável aos olhos e na companhia.
Ele voltou a se encostar na parede e um outro rapaz tentou abraçá-la por trás, Alex apenas olhou feio para o cara e ele se afastou.
— Acho que vou passar a noite te agradecendo. — Lilly disse timidamente.
— Gostei da ideia mina... — Alex respondeu divertido.
— O que? — Lilly não ouvia quase nada com a música alta tocando.
— Nada... Vou fazer esse bando de idiot@s te deixar em paz. — Alex passou o braço pela cintura de Lilly e a puxou para mais perto, ficou com o seu corpo praticamente colado no dela.
— O que está fazendo? — Ela disse com os olhos grandes ainda mais assustada.
— Relaxa... Se pensarem que está comigo vão sair do seu pé. Só fica quietinha.
Lilly apoiou as mãos no peito forte dele, olhou para o seu rosto e ele estava sorrindo.
— Prometo, não vou passar dos limites... — Ele deu um beijo no rosto de Lilly e ainda a segurava perto dele.
— Porr@ Carrasco, quando eu disse que era pra cuidar da minha amiga não foi isso que eu quis dizer. — Raíssa disse segurando três garrafas nas mãos, Alex a soltou e Lilly estava vermelha.
— Ele só queria afastar os outros homens, eles aqui são bem atrevidos. — Lilly disse timidamente.
Raíssa riu da ingenuidade de Lilly, ela realmente acreditou na conversa de Alex.
— Lilly não seja boba, acreditar nisso é o mesmo que acreditar no papai Noel e o Natal ainda está longe, ele estava aproveitando para colocar as mãos em você.
Lilly virou para Alex incrédula.
— Não passei dos limites, passei? — Ele disse com um sorriso travesso.
— Lilly ele vai cuidar de você aqui, vai te levar onde precisar, quando não estiver com ele estará comigo e comigo ninguém mexe!
— Rai podemos ir? — Lilly perguntou, nem se quer deu um gole na bebida que Raíssa deu na mão dela.
— Você que sabe... — Elas saíram e Alex foi atrás.
— Ele vai ficar seguindo a gente? — Lilly perguntou.
— Ele precisa saber onde você tá morando...
No caminho Raíssa recebeu uma ligação, ela pareceu ficar alterada, parou no caminho e falou um pouco com a pessoa, quando desligou se voltou para Lilly.
— Sabe chegar em casa?
— Acho que sim...
— Vou resolver uma parada séria, o Alex te leva em casa.
— Mas Rai... — Lilly disse e não teve nem tempo de concluir a frase, Raíssa já estava longe dali.
Ela continuou andando e agora tinha Alex ao seu lado. Ele ficou em silêncio a acompanhando, depois de um tempo ele parou.
— Você está perdida?
— É claro que não! — Lilly disse ainda caminhando.
— Já passamos por aqui... — Alex disse rindo.
Lilly parou e olhou em volta, ela achou as ruas tão estreitas e parecidas que nem notou que estava no caminho errado. Ela pegou o telefone e começou a discar.
— Tá ligando pra quem? — Alex perguntou.
— Para o meu tio, eu estou na casa dele...
— Qual o nome do seu tio?
— Rui. — Lilly respondeu ainda olhando o telefone.
— O marido da farmacêutica?
— Isso a Manú é... Estou na casa deles.
— Eu sei onde é, só me segue...
Lilly o seguiu e logo viu a casa conhecida, ficou aliviada de Alex falar a verdade. Ela parou na porta e ficou de frente para ele.
— Obrigada mais uma vez...
— Quando disse que passaria a noite me agradecendo, pensei que fosse de outra forma.
— Oi? — Lilly ainda não entendia alguns comentários de Alex, achava que ele estava apenas brincando com a cara dela.
— Me dá seu telefone...
Lilly passou o aparelho para ele e Alex digitou algo.
— Agora tem meu número, quando quiser me liga... — Alex disse e deu outro beijo no rosto de Lilly e saiu andando.
Lilly ficou alguns segundos parada na porta, foi tirada de seus pensamentos por Manú.
— Lilly a Daisy ligou, está preocupada com você, não avisou que chegou.
— Tá, vou ligar para ela...
Lilly entrou e tomou banho, quando saiu ligou para a mãe.
— Oi mãe... Tudo bem?
— Lilly, devia ter ligado assim que chegou, fez boa viagem? Está bem instalada? Precisa de algo? — Daisy estava muito preocupada.
— Mãe, estou bem, eu encontrei a Rai e saí um pouco, terei um segurança aqui e amanhã vou atrás das aulas de música.
— Filha, se cuide e me ligue todos os dias!
— Farei isso mãe.
Lilly desligou e se deitou, ficaria no quarto de Dahlia, a prima estava em Londres, estudaria e teria sua aventura lá, já Lilly viveria suas aventuras no Brasil.