4 - Meu caminho para grandes expectativas ou decepções

981 Palavras
VITÓRIA Eu tentei o máximo que pude transmitir a mensagem com meus olhos para Fernando, mas acho que naquele momento ele não estava me vendo. Eu não queria ser a causa de uma briga. Era normal que coisas como brigas acontecessem em clubes, mas eu não gostava da ideia de ser o motivo de uma. Rapidamente fiz o que minha mente me disse, corri o mais rápido que pude para encontrar Fernando porque ele já estava vindo na direção da mesa dos caras. Assim que cheguei perto dele, abracei-o com força, como se quisesse sufocá-lo, e continuei sussurrando que eu estava bem e que ele não precisava se preocupar com nada. Percebi que ele estava se esforçando ao máximo para não ir até eles e fazer uma cena. Fernando era uma figura fraterna na minha vida. Ele fez tanto por mim como amigo, e eu o aprecio muito. Ele faria qualquer coisa por mim, e eu não queria causar problemas para ele. Consegui acalmá-lo e não houve derramamento de sangue. – Eu não disse para você ficar longe de problemas? – ele perguntou enquanto me beijava na cabeça, me abraçando forte... – Você está bem? – Estou bem, pare de se preocupar, eu posso lidar muito bem com aquele cara, Sr. Zangado – eu disse, e ele deu uma risadinha antes de finalmente me soltar. Eu sabia o que ele ia dizer em seguida, mas não lhe dei chance, pois saí correndo de volta ao trabalho. Ele ia me mandar parar de trabalhar, mas não deixei. Tirando aquele incidente maluco, posso dizer que o resto da noite correu bem, ainda teve alguns homens flertando e me despindo com os olhos, mas nenhum deles teve coragem de me tocar. Recebi uma boa quantia de gorjetas, nem sequer recebi o pagamento da noite, mas o que recebi foi bom o suficiente... Eu poderia trabalhar aqui, mas um certo cara rabugento não deixa e me advertiu severamente para não trabalhar em outra boate. Eu estava animada para receber meu pagamento e planejei me presentear com uma boa refeição. Depois de receber o pagamento, arrumei minhas coisas e estava pronta para ir embora. Encontrei-me com o Fernando, agradeci-lhe por me dar a oportunidade de trabalhar e pedi desculpas por qualquer problema que eu pudesse ter causado, mas ele dispensou-me, dizendo que não era nada e que eu era um anjo, sempre.. Convidei-o para jantarmos juntos, pois já passava muito da hora do jantar, mas ele recusou, dizendo que ainda tinha de terminar alguns trabalhos antes de fechar. Depois de pegar o que ia jantar, entrei alegremente no ônibus, na esperança de chegar em casa o mais rápido possível. Quando cheguei, já eram 23h45. Era bem tarde, mas me sentia feliz, como se algo bom estivesse a caminho. Peguei o prato na cozinha e servi o frango com molho suficiente para me acomodar. Comecei a devorá-lo sem me importar com nada. No meio da minha refeição, recebi uma ligação e nem me dei ao trabalho de verificar quem tinha acabado de atender. – Alô? – perguntei enquanto esperava a pessoa do outro lado da linha falar. A pessoa finalmente falou e ouvi uma voz masculina profissional. – Srta. Vitória Brooker? – perguntou a pessoa. Eu não reconheci a voz e comecei a me preocupar. E se...? Rapidamente parei de pensar nessas coisas. – Sim – respondi simplesmente. – Você deve estar na mansão Sattero amanhã, às oito horas, não se atrase. Antes que eu pudesse entender o que ele estava falando, o telefone ficou mudo. O que ele quis dizer com "estar na mansão...", engasguei ao me lembrar de onde ouvi aquele nome. Era o nome do lugar para onde me candidatei para ser empregada doméstica. Eu estava ofegante, será que eu estava mesmo sendo chamada para uma entrevista? Eu estava animada demais para me preocupar com o fato de ele ter me ligado tão tarde. Não me importava com o motivo, só estava feliz por ter recebido aquela ligação, tudo o que eu precisava era conseguir o emprego. Ser empregada doméstica na mansão dos Sattero me dava muitas vantagens: um bom salário, um lugar para ficar e muito tempo para estudar. Terminei de comer rapidamente, levei o prato para a cozinha e o lavei. Eu queria compartilhar essa notícia com alguém, mesmo que ainda não tivesse conseguido o emprego. Precisava de todo o incentivo possível e, por algum motivo, Nina me veio à mente. Era tarde e eu nem sabia se ela estaria acordada. Liguei para ela mesmo assim e depois de dois toques ela atendeu. – Você está morrendo? – Essa foi a primeira pergunta que ela me fez e eu não consegui conter o riso. – Não, não estou, eu te acordei? – perguntei, quase me arrependendo de ter ligado. – Eu não estava dormindo, estava terminando um trabalho. – Eu percebi que ela não estava dormindo porque não parecia alguém que tinha acabado de acordar. Apesar de parecer cansada. – E aí? O que tem para me dizer? E nem ouse pensar em dizer que não é nada, porque você não ia me ligar a essa hora sem motivo. Suspirando fundo, contei a ela sobre a ligação e como estava animada por recebê-la. Contei sobre minhas preocupações e ela continuou dizendo gentilmente que eu conseguiria o emprego. Quando encerramos a ligação, fiquei feliz por ter ligado para ela. Por algum motivo, eu simplesmente não conseguia dormir, talvez porque estava com medo de acordar tarde e perder a entrevista. Eu só precisava me acalmar, não queria ir para uma entrevista parecendo um zumbi. Acordei no dia seguinte bem cedo e já estava vestida duas horas antes. Simplesmente não podia arriscar. Às 7h35, eu já estava do lado de fora da mansão Sattero. Tentei me acalmar antes de ir até o portão. Meu caminho para grandes expectativas ou decepções. Respirando fundo, segui em frente.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR