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Explicar e contar toda a verdade que era o seu casamento, para toda a sua família, não foi nada fácil para Melissa, ela se sentia envergonhada e aquilo a machucava demais, doía ter que assumir que passou todo aquele tempo esperando que o homem que mostrava ser loucamente apaixonado por ela durante a cerimônia de casamento, na verdade estava apenas encarnando um personagem e que nunca a amou, que o amou e continuava o amando sozinha .
Vinicius e Augusto estavam possessos e tudo que mais queriam naquele momento era poder tirar satisfação com Patrick, no entanto, não fariam, pois, aquele enlace tinha sido escolha dela e Melissa não escutou quando Olivia e Augusto pediram para ela esperar mais um tempo para casar e aquele foi o maior erro de Melissa. Ela também não aceitaria que tratassem ele com violência, principalmente por respeito à Rubens, que tinha sido uma pessoa maravilhosa com ela e que a amava como uma filha.
A família dela estava triste com a sua tristeza, era doloroso ver o quanto ela estava sofrendo, o quanto ela sofreu, porém, ainda era mais doloroso ver que ela ainda amava aquele homem e aquele sentimento tão forte seria difícil de tirar do seu coração e apenas o tempo seria capaz de dizer se tinha conserto ou não. A família Albuquerque prévia dias bastantes difíceis para a sua filha mais nova e lhe apoiariam sempre.
— É isso, isso foi tudo que aconteceu comigo em todo esse tempo que fiquei casada com o Patrick. — Melissa disse, mas ao contrário do que todos esperavam, ela não chorou, apenas demonstrava tristeza.
— Por isso vocês nunca vinham aqui. — Nay lembrou, fazendo todos olharem para ela.
— Sim, o Patrick odeia o campo, odeia pensar de onde eu venho e tudo que possa estar relacionado a mim. — Finalizou com uma voz bastante triste. — Eu preciso me distrair um pouco. — Disse prendendo seus cabelos em um r**o de cavalo, que agora estava bem mais curtos e levantou-se.
— Acho que será bom você fazer algo para se distrair um pouco, algo que você goste. — Olivia disse.
— Exatamente, mamãe. E sabe o que pode me fazer esquecer tudo que eu vivi, mesmo que por alguns minutos? — Olivia negou. — Cavalgar! — Revelou em entusiasmo.
— Não, Mel. Você não faz isso há bastante tempo e sem falar que enfrentou uma longa estrada, pode ser perigoso. — A mãe de Melissa questionou.
— É como andar de bicicleta, mamãe, e eu não sei se a senhora lembra, mas eu monto melhor do que qualquer outro peão aqui da fazenda, até melhor que o Vini e o papai. — Falou dando um beijo na testa de sua mãe e outro na bochecha do pai. — Vini, pode tirar minhas malas do carro? — Pediu.
— Claro. — Respondeu, vendo a mulher jogar as chaves em sua direção.
Depois disso saiu em disparada para o estábulo e logo encontrou a faísca, sua égua, que ela estava morrendo de saudades. Depois de matar a saudade do animal, que parecia sentir o mesmo que ela, a selou e saiu em disparada e sem rumo. A mulher tinha sentido falta daquilo, do vento batendo em seu rosto, do cabelo sendo bagunçado, o barulho das patas de faísca tocando o chão, o cheiro da terra, do mato. Aquilo era tudo que ela precisava para aliviar seu coração e sua mente. Patrick tinha deixado eles um caos e Melissa precisaria de muito tempo para colocar tudo em ordem.
Ela já se encontrava na estrada principal, quando viu um homem dando vários chutes no seu automóvel. Ela riu. Talvez ele estivesse o castigando por algo, resolveu se aproximar do homem em um trote mais lento.
— Chutar ele não vai resolver o seu problema. — Falou chamando a atenção do homem, que não tinha notado sua presença ali.
— Mas me ajuda a liberar o meu estresse causado por ele. — Respondeu encarando Melissa.
Ela ficou bastante encantada com a beleza daquele homem. Pensou que poderia ter caído da égua, batido a cabeça e agora estava entrando no céu, porque aquele homem só poderia ser uma miragem divina, no entanto, ele ainda não se igualava na beleza de Patrick, pensou comparando aquele estranho com seu ex-marido, que não saia nunca de seus pensamentos. Aquilo a fez sentir raiva de si mesmo, pois queria esquecer ele, mas tudo ao seu redor fazia lembrá-lo.