O golpe de Raquel!

1747 Palavras
[...] O homem não estava diferente de Melissa e começava a agradecer aos céus por seu carro ter quebrado ali e se fosse para encontrar aquela mulher mais vezes, não se importaria de pagar caro pelos consertos de seu carro. O sol já estava se pondo e a luz do sol batendo contra a pele amendoada da mulher fez o homem engolir seco. Melissa notou sua dispersão. Ele não focava no rosto dela e aquilo estava o deixando com cara de bobo. — Você está bem? — Perguntou, mas não teve resposta. — Ei? Você está bem? — Voltou a perguntar. — Será que o sol fez m*l a ele? — Sussurrou para si. — Eu… eu estou bem, desculpe. Mas o meu carro não está funcionando e eu preciso chegar ao meu destino ou voltar para a cidade. — Ela percebeu que ele era novo ali. — Acho que o carburador está ferrado. — Disse sem saber ao certo o que estava acontecendo com seu carro, já com ele, bom, ele estava nas nuvens, melhor, estava nos céus. — Se for isso não se tem muito o que fazer, mas para a sua sorte, a Fazenda dos meus pais fica a menos de dois quilômetros, se quiser você pode vir comigo e voltamos para rebocar o seu carro. Daqui a pouco anoitece e não é muito aconselhável ficar por aqui. — Alertou. — Está sugerindo que um estranho acompanhe você até a casa de seus pais? Não tem medo do que eu possa fazer com você? — Arqueou a sobrancelha em tom divertido. — Você não vai fazer nada comigo. — Desafiou. — Mas e aí, vai querer a minha ajuda? — Perguntou. — Você só tem um cavalo e eu não sei montar. — Melissa riu. — Tudo bem, podemos caminhar até a fazenda, não é uma caminhada muito longa. — Desceu do cavalo e segurando nas rédeas do animal caminhou até o homem. — Me chamo Melissa e você? — Falou se aproximando do homem que tinha as mãos cheias de graxa. — Eu sou o Guilherme. — Sorriu. De perto os olhos dele eram tão azuis que poderia ser confundido com um pedaço do céu. — Então, vamos? — Falou, após admirar a beleza do homem. — Claro, me deixa só pegar o meu celular e fechar o carro. — Falou e rapidamente pegou o aparelho. Melissa percebeu o quão sujo ele estava. — Algo me diz que você nunca mexeu com isso, nunca precisou consertar ou tentar consertar um carro, não é? — Mel riu. — Não mesmo, minha função é consertar pessoas mesmo. — Respondeu. — Então é médico? — Perguntou. — Sim, sou traumatologista! — Revelou. — E o que está fazendo por aqui, a cidade fica na direção contrária e pelo seu sotaque suponho que não é do interior? — Mel estava curiosa, aliás apenas a fazenda de seus pais e as casas de seus funcionários ficavam naquela região. — Eu estava vindo para encontrar com o senhor Augusto Albuquerque. Eu trabalho no posto da cidade, faço atendimentos uma vez por semana. É um serviço voluntário. Então estava indo até a fazenda dele porque ele é um dos contribuintes para que esse trabalho aconteça, estava indo visitá-lo. — Respondeu. — Eu não sabia que o meu pai apoiava esse tipo de causa, mas agora estou feliz sabendo disso. — Mel falou, deixando Guilherme surpreso. — Você é filha do senhor Augusto e irmã do Vinicius? — Perguntou bastante surpreso. — Sim! — Afirmou sorrindo. — Eu nunca a vi aqui, estava viajando? — Casada! Eu não vinha porque meu marido era muito ocupado e não podia deixar o trabalho. — Ah, então está à passeio? — Guilherme era curioso e precisava de assunto para não seguir o caminho em silêncio e tornar o tempo que levariam para chegar na fazenda, chato. — Não, eu me divorciei, voltei para ficar. — Revelou. — Que bom! — O homem expressou animado. — Digo: que bom, que veio para morar e sinto muito pelo fim do seu casamento. — Guilherme acabou ficando envergonhado. — Está tudo bem, Guilherme, não precisa pedir desculpas. Relaxa! Mas me diz; o seu trabalho aqui… como posso dizer? — Melissa pensou. — Você tem muitos pacientes? Estava tentando formular uma pergunta certa. Pergunto isso porque não é comum vermos um profissional como você em postos de saúde, é sempre o básico mesmo. — Talvez Guilherme não fosse o único curioso ali. — Bem mais do que na cidade, Melissa. Muitos já estão em tratamento. Aqui é uma região onde as pessoas fazem muito trabalho braçal, tem a colheita do café, da soja e de muitos tipos de frutas. É uma região agrícola, então no decorrer dos anos, as pessoas vão adquirindo problemas ósseos que só aparecem na velhice. — Respondeu. — Tenho dois pacientes que passarão por cirurgia na coluna vertebral em breve. — Respondeu. Melissa pareceu bastante interessada naquele assunto e algo lhe dizia que a relação entre ela e Guilherme seria bastante interessante. — No que eu puder ajudar é só falar, eu vou ficar muito feliz em ajudar em algo desse tipo. — Prontificou-se a ajudar. — Olha, talvez você possa ser bastante útil em algo. Eu estou precisando de alguém para me ajudar no consultório, eu ainda não consegui uma assistente, preciso de alguém para marcar as consultas, remarcar, entre outras coisas, se não tiver ocupada será de grande ajuda. — Seria apenas um dia por semana e ela não fazia nada mesmo, então ajudar o povo da sua região seria ótimo para ela, Melissa amava todos como se fossem sua família e ali ela era bastante querida por todos. — Eu quero! — Disse animada. — Preciso manter a minha cabeça ocupada e acredito que fazer o bem para essas pessoas vai me fazer sentir muito melhor. — Os dois riram. Talvez algo à mais estivesse crescendo ali entre os dois. [...] Patrick despertou após simplesmente apagar no quarto que era de Melissa, o homem tinha os seus braços em volta do travesseiro dela, onde seu cheiro continuava nele. Em toda a sua vida não se lembrava de ter dormido tanto como naquele dia. Olhou em volta e percebeu que tinha dormido ali. Com o corpo relaxado e com a certeza de que dali em diante uma nova vida começava, ele levantou-se, fechou o quarto e foi para o seu, onde tomou seu banho. Em frente ao espelho enquanto fechava sua camisa, Patrick viu a peça em seu dedo mindinho reluzir, era a aliança de Melissa. Passou os dedos sobre ela e ficou a observar aquela peça, a tirou de seu dedo e a colocou no cordão que sempre usava, o qual ele ganhou de sua mãe antes de sua morte e sempre estava em seu pescoço. O café da manhã, que sempre foi feito por Melissa, dessa vez foi tomado em uma lanchonete próximo à empresa, ele sentiu falta da mesa cheia. Saiu da lanchonete e seguiu para o seu trabalho. Quando chegou em sua sala, seu sorriso foi de canto em canto, Raquel o esperava em sua sala. Caminhou a passos largos e a pegou pela cintura, a beijando com volúpia e desejo, ela retribuiu. Mas o beijo não durou muito, ela o afastou e fez a sua melhor cara de tristeza. — Amor, o que aconteceu? — Perguntou preocupado. — É a minha mãe, vida. Está muito doente e precisando de mim. Por isso que não atendi as suas ligações, eu estava procurando formas de ajudá-la daqui mesmo, sem precisar sair daqui, do seu lado, mas não posso, tenho que ir. — Mentiu, enquanto deixava falsas lágrimas caírem. — Mas Raquel, não precisa chorar. É a sua mãe e eu entendo que ela precisa de você, não precisa se preocupar comigo. Você vai cuidar dela e quando tudo estiver bem com ela você volta, que eu ainda vou estar aqui te esperando. — Disse e a abraçou. — Por isso que eu te amo. Mas, Patrick, não é só isso, minha mãe vai precisar fazer um tratamento muito caro. — Ele sorriu. — Não tem problema, eu te ajudo. — Abriu a carteira e tirou um cartão de uso pessoal. — Aqui, pode usá-lo, é um cartão pessoal, assim meu pai não vai implicar por você está usando. Aí está todo o meu dinheiro, eu sei que você vai usar para o que é certo. — Raquel pegou o cartão com um sorriso nos lábios. — Obrigada, meu amor. Mas e a senha? — Vou te mandar por mensagem. — Disse e deu-lhe um selinho. Raquel sabia que naquele cartão estava os lucros e percentuais que ele tinha na empresa, também tinha anos de depósito feitos por Rubens, era uma conta milionária. — Agora eu tenho que ir, eu te dou notícias de quando eu chegar lá e também quando eu estiver de volta. — Falou. — Vou sentir a sua falta. — Patrick era um t**o e foi fácil Raquel o enganar com aquele falso amor. Ela tinha passado anos arrancando dinheiro dele, roupas, jóias e sapatos caros, assim como um apartamento e um carro de luxo. — Eu também vou morrer de saudades. Mas tenho que ir agora, senão eu perco o horário do voo. Pelo menos algo era verdade naquela história, os pais dela moravam em outro estado. Raquel saiu daquela sala com um gostinho de vitória, finalmente teria acesso a todo o dinheiro de Patrick, só lamentava não ser o dinheiro da empresa de seu pai, o qual ela também queria. — E aí? Conseguiu? — Victor perguntou dentro do seu carro, enquanto a esperava na esquina da empresa. — Sim, a história da mamãe doente fez o i****a cair feito um patinho e sabe o que eu tenho aqui? — Ele negou. — O cartão que dá acesso a toda a grana dele, é uma pena não ser o da empresa, mas aqui já tem o bastante. — Entrou e beijou o seu amante. — Que delícia, vamos curtir um pouco às custas desse i****a. — O homem disse dando partida no carro. Patrick tinha caído na armadilha de Raquel. Ele era apaixonado por ela e seu sonho era casar com a mulher, mas Rubens nunca acreditou nela e sabia que o filho tinha entrado numa grande enrascada e que ele só iria acreditar quando caísse do cavalo, e aquilo não demoraria para acontecer.
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