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Tudo que Patrick mais desejou depois de Melissa assinar o divórcio, nada aconteceu. Sua vida estava pior do que antes. Quando ela estava com ele, pelo menos uma casa arrumada, roupas organizadas e comidas prontas em seus horários certos ele tinha. Mas pensar que ela só lhe fazia falta por isso o deixava incomodado, não queria pensar nela como uma funcionária sua. Dois meses já tinham se passado desde a sua partida e ele jamais pensou nela o quanto tinha pensado nos últimos dois meses, até mesmo o quarto dela tornou-se o seu lugar favorito, o qual ele não deixava ninguém da limpeza mudar nada.
A vida estava lhe mostrando que as coisas nem sempre são como ele desejava, tudo estava acontecendo tão rápido e tão diferente, que ele não conseguia acompanhar bem e os últimos acontecimentos estavam deixando ele ainda pior. Rubens estava partindo e em breve ele ficaria sozinho, Raquel não lhe dava notícias e ele já não sentia a sua falta como antes, Melissa tomou o seu lugar e era dela que ele estava sentindo mais falta, o que o fazia ficar em dúvida do porquê pensar tanto nela, quando já tinha acontecido o que ele mais queria: o divórcio entre eles.
Quase uma semana que ele passava a maior parte do seu dia e a noite com o seu pai, no hospital. Rubens tinha passado m*l e restava-lhe pouco tempo de vida. Os dias do pai de Patrick estavam contados e aquilo o deixava de coração partido. Patrick que sempre foi muito apegado ao pai, apesar de suas desavenças, ele o amava incondicionalmente e vê-lo partir significava ficar sozinho.
— Há quanto tempo está acordado? — Patrick perguntou ao seu pai, levando as mãos ao rosto tentando espantar o sono.
— Não muito tempo. Você deveria ir para casa, precisa descansar também. — Disse Rubens.
— Não pai, eu estou bem e vou ficar aqui com você, sem falar que aquela casa não é tão diferente daqui, aqui pelo menos estou com você. — Rubens sorriu fraco, ele sabia o que aquilo significava.
— Sente falta dela, não é? — Patrick desviou o olhar.
— Não sei do que você está falando. — Tentou não pensar em Melissa.
— Porque está fugindo dos seus sentimentos por ela, meu filho? Você mudou bastante nesses dois meses e nem falou mais na Raquel. — Rubens o provocou.
— Pai, a Melissa foi embora e eu nunca a amei, quanto a Raquel, ela está cuidando da mãe dela e não quero falar sobre elas, não com você. — Respondeu.
— Eu estou partindo, Patrick. E eu não quero morrer sem te contar o que tenho para te falar, então conversar sobre as duas é necessário nesse momento. — Patrick não gostou de ouvir seu pai falando que ia morrer, era duro ouvir aquilo, era inaceitável.
— Não fala isso, você não vai morrer. — Disse ficando de pé, passando as mãos pelos seus cabelos.
— Quem você quer enganar, eu já aceitei e estou bem, finalmente vou encontrar a sua mãe. Eu recebi esse diagnóstico há dois anos, você já deveria ter aceito também. — Rubens falou, tentando fazer Patrick aceitar que ele não tinha mais salvação.
— É difícil aceitar a morte de quem amamos, pai. Eu só tenho você. — A voz do homem começou a ficar embargada.
— Você teria a Melissa agora e seria mais fácil passar pelo luto quando eu partisse, mas infelizmente você não entendeu o que eu queria para você, não tentou amar a mulher que te ama e agora está aí, se lamentando pelo que vai ter que enfrentar sozinho e tentando entender o que sente pela Mel. — Patrick o encarou negando tudo aquilo que seu pai estava dizendo.
— Eu amo a Raquel, pai. Ela é a mulher certa para mim, é ela que eu quero para o resto da minha vida. — Retrucou.
— Isso é uma grande mentira, Patrick, nem você acredita no que fala. Percebeu que sente algo pela Melissa, mas não sabe que é amor porque você nunca amou de verdade. — Patrick continuou o encarando e negando com a cabeça.
— Claro que eu sei o que é amor, eu amo a Raquel. — Rubens riu.
— Se a ama mesmo, então me diz; o que sente quando está com ela ou quando estão sem se ver? — Rubens sabia que aquelas perguntas seriam bastante importantes para ajudar seu filho a entender os seus sentimentos. — Eu quero que seja sincero comigo e fale apenas a verdade. Eu sou o seu pai e tudo do que você falar aqui eu levarei para o túmulo.
Patrick caminhou pelo quarto, estava procurando palavras para explicar ao pai o que estava sentindo, era sua única oportunidade de falar com seu pai e aquele assunto ele não falaria com mais ninguém além dele.
— Eu não consigo explicar o que eu sinto quando estou longe da Raquel, mas quando estamos juntos é bom, ela é divertida, vamos para festas, temos bastante coisas em comum e o sexo é maravilhoso. — Disse.
— Só isso? Então você só viveu com ela momentos bons, nunca viu como ela seria como uma mulher de verdade, que estará ao seu lado em qualquer momento, nos bons e ruins? Qualquer uma pode fazer isso que a Raquel faz. — Rubens perguntou.
— Nós nunca passamos por momentos ruins, pai, somente momentos bons. Então, eu não sei qual seria o comportamento dela. — Revelou.
— E sobre filhos, ela quer? — Perguntou.
— Não, ela não quer. — Rubens riu fraco.
— E a família dela, você já conhece? — Voltou a lhe fazer perguntas.
— Não. — O encarou.
— Você confia na Raquel? — Perguntou.
— Onde o senhor quer chegar com essa conversa? — Patrick estava ficando irritado com tantas perguntas, só não sairia dali, pela situação em que seu pai se encontrava.
— Você não respondeu minha pergunta, Patrick. — Rubens era calmo e queria a sua resposta.
— Claro que eu confio nela, estamos juntos há quase sete anos e você sabe, temos uma ótima relação. — Confessou.
— Sete anos de relacionamento, nunca passaram por momentos ruins, sempre saem para festas, vivem uma vida de luxúria, ela não quer ter filhos e todo esse tempo você não conheceu a família dela. Relacionamento perfeito, não acha? — Rubens indagou, arqueando sua sobrancelha, esperando a resposta do seu filho.
— Pai, eu não quero me irritar com você, então acho melhor mudarmos de assunto. — Pediu.
— Não Patrick, eu não posso morrer e deixar você sem saber de tudo que eu sei, você vai ser enganado e vai perder tudo e quando eu digo tudo eu estou me referindo a empresa também. — Continuou.
— Pai, eu não vou perder nada, de onde tirou essas loucuras? — Patrick não queria aceitar que o pai poderia ter algo importante para revelar sobre Raquel, por isso estava tentando fugir daquela conversa.
— Eu sei de muitas coisas, meu filho, tenho meios de descobrir tudo sobre quem é do meu interesse. Você conhece o seu amigo Victor? Sabe quem é ele? Como você o conheceu? — Perguntou.
— Ele é um bom amigo, pai. Eu não preciso saber de toda a vida dele para ter certeza que é um bom amigo e que eu posso confiar, quem me apresentou ele foi a Raquel. — Disse.
— A Raquel, que interessante. Eu soube que você o ajudou em alguns investimentos fora do país? — Continuou com as perguntas.
— Sim, é meu amigo, precisava e eu o ajudei, sei que ele faria o mesmo por mim. — Continuou.
— Certo, que bom que pensa assim. Mas agora, antes de revelar o que eu tenho para falar, sente falta da Mel? — Aquela pergunta o pegou de surpresa e ele teria que ser sincero com o seu pai, não iria mentir para ele em seu leito de morte.
— O senhor sabe como era o nosso relacionamento. — Pensou um pouco. — Mas, eu não acho que seja falta da presença dela em casa o que eu sinto, mas sim do que ela fazia. Eu tenho que confessar, mas apenas para você que é meu pai. Eu amava tudo que ela cozinhava. — Patrick sorriu, pensando que sempre tinha algo diferente para jantar.
— A Raquel nunca cozinhou para você?
— Não, ela não sabe cozinhar. — Respondeu.
— As minhas roupas, ela sabia de como eu gosto de arrumar, e nunca tive dificuldade para encontrá-las, ela sempre as deixavam no lugar certo. Você sabe que eu sempre fui organizado, eu sempre gostei disso e a Melissa também era muito organizada, pai. — Patrick sorria enquanto falava dela.
— A Raquel é assim? Organizada como a Mel. — Patrick negou.
— Porque está me perguntando se a Raquel é como a Melissa? — Sentou-se perto do pai. — Eu só sinto falta do que ela fazia na casa e não sinto falta de outras coisas. — tentou fazer aquilo soar verdadeiro.
— Você sabe que se falar isso para outra pessoa, ela vai dizer que você sente falta dos serviços dela, não sabe?
— Sim, e até me sinto m*l pensando assim. Eu não a amava, não vivíamos como um casal, mas também não a tratava como uma empregada lá em casa. —Revelou.
— Sabe porque você gostava de tudo que ela fazia? Porque o que a Melissa fazia para você era com amor, ela cozinhava pensando que você iria gostar daquilo, que iria passar a gostar dela se começasse a gostar de sua comida, de como arrumava suas coisas, como cuidava da casa. Ela é inteligente e te ama, eu digo isso porque sempre esteve escrito nos olhos dela, mesmo você sendo como era com ela, a Mel te ama. Você também a ama, só precisa entender seus sentimentos, talvez já os entenda só não quer assumir. Patrick, as pessoas tendem a gostar de tudo que é feito com amor e carinho para elas. — Rubens falou.
— Eu não sei se é isso, pai. Mas eu fui muito c***l com ela, não adianta nada sentir alguma coisa por ela. O que eu fiz foi imperdoável. — Patrick assumiu tudo que fez.
— Sim, você está certo e mesmo que um dia ela venha a te perdoar, você vai ter dado um duro danado para conseguir e terá que passar por muitas coisas e provar que a ama mesmo. Eu sou o seu pai e sempre soube o que era certo para você e também estava no seu direito se revoltar e ser contra as minhas escolhas, o seu erro foi descontar a raiva que estava sentindo por mim nela. Mas como pai, eu ainda tenho a minha redenção e o que eu tenho para falar a você, fará você ter a liberdade de lutar pelo perdão dela. — Rubens disse.
— Você fez algo grande e andou investigando a vida de alguém novamente e esse alguém é a Raquel, não é? — Rubens riu, seu filho não era tão burro quanto parecia.
— É sim, mas antes de tudo, eu quero que saiba que eu só fiz isso pelo seu bem e já sei disso há muito tempo, também quero que me prometa que vai buscar a Melissa ainda hoje, eu tenho que falar com ela antes de partir. — Pediu.
— Está bem, eu mando alguém buscá-la. — Falou.
— Não, quem vai buscá-la é você. Você quem tem que convencer ela a vir com você. — Patrick bufou nervoso.
— Tudo bem, eu prometo. — Disse derrotado. — Agora me diz o que tem para falar sobre a Raquel?
— Ela não é quem diz ser, Patrick, e ela e o Victor são amantes, melhor, eles são casados. — Rubens revelou de uma vez.
Patrick sentiu como se tivessem sugando sua alma do seu corpo, aquilo não era verdade, a mulher que ele desejava casar não seria capaz de fazer aquilo com ele ou seria?