Luna
Acordei no dia seguinte de manhã caminhei até o banheiro, fiz as minhas higienes pessoais e em seguida fui escovar os meus dentes. Pois é, depois de ontem o troglodita veio desamarrar-me e trouxe algumas coisas para mim.
Sendo essas coisas, jogo de cama, coberta, coisinhas para o banheiro, mais algumas roupas, etc. Coisas básicas mesmo sabe? O necessário para ir-me mantendo aqui dentro mesmo trancada.
Não sei se contei, mas além da Janela que tem aqui dentro do quarto também tem uma porta de correr que dá acesso a uma pequena sacada ao lado de fora. Agora que estou desamarrada tenho acesso a elas, podendo abrir e fechar a hora que quiser.
Porém, raramente eu boto a minha cara para fora, só abro mesmo para poder entrar um ar e a claridade já que ninguém merece ficar trancada e no escuro ainda. Mas assim que fui para abri-las vi que tem muros enormes em volta da casa.
A casa é bem no centro do quintal enorme que tem aqui, mas tendo em vista um pequeno jardim um pouco depois da entrada. Daqui se dá para observar quase tudo que tem para frente, mas não o que tem atrás da casa... fora uns homens enormes que fazem a segurança logo na entrada.
O meu café da manhã, almoço, e janta como sempre é o troglodita que continua a trazer pra mim. Depois de ontem do que rolou após o meu banho o clima ficou meio-chato entre nós dois... vejo nitidamente no jeito dele como ele fica sem jeito quando vem aqui trazer-me algo. m*l consegue-me encarar, e me olhar nos olhos.
Depois da atitude que ele teve ontem, comecei a ver ele com outros olhos. Vejo nele um homem diferente, como se ele tivesse no lugar errado fazendo tudo forçado, contra a vontade dele sabe?
Ele não me parece ser um cara mau, sinto muito isso nele. E depois de ontem só me confirmou mais ainda, ele me trata de um jeito meio que cuidadoso e eu gosto disso nele.
Daqui a pouco ele aparece trazendo o meu café da manhã!
Já tinha virado rotina, tudo isso aqui para mim. O que me fazia bem no meio desse caos todo era ele e eu nem sei por que já que ele é todo fechado e m*l conversa comigo...
Tirei o meu pijama e vesti uma roupa básica. As roupas não era lá essas coisas, do que eu realmente tinha costume de usar e tal, mas estava improvisando. Vesti um vestido florido que ia até os joelhos e fiz uma trança no meu cabelo e fiquei ali aguardando pelo café da manhã!
Logo vejo o barulho de chaves e a porta aberta em seguida. Ele caminhando até a cama onde eu estava sentada com aquela – fuzil atravessada nas costas que me causava medo nenhum dele.
Luna: Bom dia! - sorri.
IG: Bom dia, garota. - disse colocando a bandeja sobre a cama.
Luna: Você já tomou café da manhã? - o encarei.
IG: Não... - disse e coçou a cabeça de lado - já já o meu turno termina e sou liberado. - disse e virou-se para sair mais puxei o mesmo pelo antebraço.
Luna: Senta aqui… - bati com a mão na cama. - Toma café da manhã aqui, comigo!
IG: Tá maluca? Se o patrão sonhar com umas paradas dessa arranca a minha cabeça fora.
Luna: Por favor? - o encarei.
IG: Pô garota, tu quer dificultar para mim mesmo né? - me encarou serinho. - Toma o teu café aí cara, fica de boa... Além de que, não sou teu amigo muito menos teu colega.
Luna: Prometo não te perturbar mais se você aceitar. Coisa rápida, ninguém vai saber o que depender de mim... - ele encarou-me meio confuso por alguns segundos, mas se sentou na cama.
IG: Tu me venceu na insistência, na moral... - me encarou - Malucona, rapá! - balançou a cabeça em negativa.
Tinha um bule com café na bandeja com duas xicaras e leite. Bolacha salgada como sempre, dois pães e dois pratinho com queijo e mortadela enrolados como um charuto.
Luna: Há quanto tempo você trabalha para esse seu patrão aí? - puxe assunto.
IG: Vai mudar o que na tua vida, saber?
Luna: Você é um grosso!!! - revirei os olhos.
Reinou alguns minutos de silencio, mas logo ouvir ele dizer alguma coisa comigo.
IG: Tu tem quantos anos?
Luna: 25 e você?
IG: Tenho 28
Luna: Hum... Você é casado, tem filhos?
IG: Solteiro, tenho filhos não.
Luna: Entendi... desculpe-me por ontem, fui extremamente grossa com você!
IG: Que isso, se alguém aqui tem que pedir desculpas esse alguém sou eu Pô... Fui um filho da p**a, agir inconveniente contigo e assumo. Na situação que você estava o meu dever era só ajudar e não atrapalhar mais...
Luna: É, verdade. Aquilo que você disse não soou muito bem no momento. - o encarei e soltei uma risada sincera e em seguida ele riu também.
IG: Papo reto!
Luna: Mas você ajudou-me e muito! Obrigada pelo… O que fez para mim. Nunca pensei que te agradeceria algum dia, já que fui raptada e estou presta né? - debochei e nós dois rimos.
IG: Foi nada cara, senti que foi necessário naquele momento... - me encarou - Você pode não acreditar mais eu não estou nessa vida por que eu quero não, ou por que apoio toda essas paradas erradas, tá ligado? Mas, foi por pura precisão mesmo. A minha mãe tinha acabado de descobrir um câncer na época e ela precisava de um hospital maneiro para fazer os tratamentos e todas essas paradas aí que precisa. Eu não tinha como ajudar, estava desempregado nesse tempo, e vi uma oportunidade para mim nessa vida mesmo... - desabafou. - Foi tudo por ela, pela minha coroa. Faço tudo por ela, papo reto. - respirou fundo - Mas estou vendo aí, pra meter o pé disso tudo logo!
Luna: Poxa... que história de vida hein! Mas eu te entendo, acho que faria o mesmo. - o encarei e o mesmo me encarou de volta.
Do nada nos encaramos no mesmo momento e ficamos assim por alguns segundos, até que fui-me aproximando mais dele e o mesmo colocou a sua mão no meu rosto do lado esquerdo, alisando o mesmo.
IG: Caralho... vou meter o pé! - disse e ia se levantando mais puxei o mesmo pelo colarinho da sua t-shirt e lhe taquei um beijo.