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1500 Palavras
Becca Narrando... Becca: Já não sei mais pai... - respirou fundo - Já se passaram 25 anos e até agora nada! Nem uma pista dela, nem da pessoa que a levou, nada... - disse com a voz embargada Gonçalves: Calma, minha filha! Não perca a fé, tenha esperan.. - interrompeu. Becca: Esperanças??? É isso? - o encarou. - Eu não sei mais o que fazer... - levou as mãos no rosto. Gonçalves: E Cláudio? Becca: Cláudio não descobre nada! Tá sempre prometendo muito e entregando-me nada. Além do que, estou a achar ele muito estranho. Esses dias ele estava no telefone conversando com alguém e quando me viu aproximando desligou rapidamente ficando nervoso, como se estivesse a esconder algo sabe? Cláudio atualmente é meu marido, ele é policial e trabalhou com o meu pai que era delegado no mesmo departamento da polícia Federal. Estamos juntos já fazem 15 anos, ele se aproximou de mim depois que também entrei para polícia, e comecei a trabalhar no mesmo departamento que ele com a ajuda do meu pai, que hoje em dia já está aposentado, mas, ainda tem muito poder. Gonçalves: Desconfia de alguma coisa? Ouviu alguma coisa dessa conversa? Becca: Não sei, não tenho certeza de nada ainda. E não, não ouvi nada sobre o que ele falava. Mas consegui escutar ele dizendo que precisava desligar, pois eu me estava a aproximar. Sei lá... achei um pouco suspeito! Gonçalves: Mas precisamos ter certeza né, minha filha? Além do que, você não ouviu nada de mais e ele é seu marido, e ama-te. Conheço Cláudio, ele não esconderia nada de você! - disse acendendo o seu charuto. Becca: Pensando bem... ele se aproximou de mim do nada! Veio se a chegando na nossa família prometendo fazer o impossível, e ago... Ah, quer saber? Deixa para lá! Se o senhor que foi um ótimo delegado de um departamento federal não conseguiu nada, imagine ele né? - disse irônicamente. Gonçalves: Você sabe que quando começamos com essa investigação eu já estava me aposentando e colocaram outra pessoa já estava no meu lugar no departamento e arquivou o caso. Você sabe que fiz de tudo minha filha, é da minha neta que estamos falan... - interrompe. Becca: Que na época você a rejeitou no inicio né sr Gonçalves? Quis que eu a tirasse, e quase me botou na rua!!! - gritou. Gonçalves: Cala sua boca, Rebecca!!! - deu um grito - Eu não admito que fale assim comigo, eu sou seu pai! Eu cometi um erro naquela época, mas depois me redimir... - disse em um tom arrependido. Becca: Me desculpa... - disse calma se redimindo. - Mas toda essa situação me deixa cega! Mas sei o quanto se esforçou, eu sei... mas agora está na hora de eu agir. Gonçalves: Pode deixar comigo, eu tenho muitos contatos. Minha carreira na policia serviu pra alguma coisa... não vou deixar você meter-se nisso, não sabemos quem está por trás e quem são estas pessoas. Becca: Pai, o senhor me desculpa! Mas, não vou mais esperar por ninguém você querendo ou não! Eu vou agir... - foi rude. Gonçalves: Tudo bem, faça como preferir. Mas estou aqui se precisar de mim, e hoje mesmo irei conseguir um investigador... - assenti peguei a minha bolsa e saí de sua sala indo em direção a cozinha. Becca: Mãe? Já estou indo. Vânia: Minha filha... - me encarou com olhar lacrimejando. - Eu escutei tudo daqui, não fique assim com o seu pai. Sabemos que além da casca grossa que ele é, teu pai te ama e também desejamos encontrar a nossa neta. - disse segurando o meu rosto com as mãos. - Eu tenho fé no nosso Deus maior que iremos encontrá-la minha querida. - beijou minha testa. Eu não disse mas nada, apenas balancei a cabeça e fui embora. Estava cansada, nervosa, triste e desanimada... Ah vinte cinco anos atrás eu dava luz a minha filha no Hospital Estadual da mãe de Mesquita com os meus dezesseis anos. Uma jovem menina, cheia de sonhos e com um belo futuro pela frente. Perdi minha virgindade com o garota do colegial, o qual eu era perdidamente apaixonada naquela época. Ele tinha lá seus dezessete anos, estava no terceiro ano e eu no segundo ano do colegial. Um belo dia ele me convidou para ir até sua casa já que seus pais não estavam. Ao contrário do que os meninos do colegial eram naquela época, que ficavam com meninas e depois ás zoavam e saiam falando m*l de todas elas, o João foi um cavalheiro comigo. Me recendo muito bem em sua casa e sendo muito carinhoso. Nós conversamos e depois ele me chamou para irmos pra piscina e brincamos como dois adolescentes bobões... lembro que depois me chamou para comer algo e assistirmos juntos! E no meio daquele clima bom, iniciamos um beijo que ascendeu uma chama em mim e foi rolando uma mão boba aqui e ali, e quando vi estávamos indo pros finalmente. Me perguntou se era aquilo que eu queria, e eu assenti. Ele foi todo carinhoso, sem pressa, bem devagar e me perguntava a todo momento se estava tudo bem e eu delirando de prazer só dizia que estava sim e que estava gostando... E foi do jeitinho que eu sempre sonhei, quando fosse na minha primeira vez. Uma semana depois reparei que ele não ia mas para escola, e quando eu soube os pais dele havia indo embora, saído do país. Eu fiquei muito m*l na época, pois gostava muito dele e as coisas pioraram quando um mês depois descobrir estar grávida dele. Aí meu mundo desabou por completo! Na época meu pai e minha mãe surtaram, mas minha mãe acabou aceitando já que não tinha mais jeito há não ser aceitar o que já estava feito! Meu pai não soube aceitar muito bem, ele era Policia na federal na época! Um homem muito casca grossa, bastante rígido. Ele não falava mais comigo e quase me expulsou de casa, só não fui jogada pra rua por que minha mãe não deixou. Ele chegou até me ameaçar, disse que eu tiraria o bebê mas minha mãe nunca permitiu uma barbaridade dessas. Ela dizia que se o problema fosse eu ter uma criança e perder minha juventude, ela criaria a criança. Lembro como se fosse hoje! Fui para o hospital dar a luz, estava com contrações fortes. Mas o parto normal não deu muito certo. Me levaram ás pressas para sala de cirurgia, eu estava toda assustada sem entender nada. E minha mãe o tempo todo comigo segurando minha mão me dizia pra me acalmar que daria tudo certo, que iriam apenas fazer parto cesárea pois eu não tinha passagem para o bebê sair mas que o procedimento que iriam fazer em mim não seria perigoso e que seria até melhor, pois depois da anestesia não sentiria mas aquela dor. Me levaram ás pressas, mas não deixaram minha mãe entrar na sala comigo. Entrei em desespero, não queria ficar só e estava com medo. Rapidamente me aplicaram a anestesia geral, pois eu estava muito nervosa e minha pressão estava subindo. E só me lembro de ter apagado completamente... Quando acordei estava muito dopada ainda, mas vi que a minha mãe estava ao meu lado sentada numa cadeira. Perguntei a ela com a voz baixa onde estava a minha filha, eu estava muito grogue e ela não me respondia e começou a chorar. Então comecei a desesperar-me e perguntar toda hora onde ela estava. E foi aí que ela começou a falar... Logo depois da cirurgia eles foram até ela dizer que tinha ocorrido tudo bem com a minha cirurgia. Mas quando ela perguntou da criança eles diziam que estava tudo bem também, mas que estava em observação e que no momento ela não podia ver, mas que logo poderia, e que ela ficasse calma! No final do dia, a enfermeira chegou nela para dizer que a minha bebê tinha sido levada, que eles não sabiam por quem e não souberam dar explicações... Eu entrei em desespero, chorava muito pedindo a minha filha. Brigava com os médicos por que ninguém me sabia dizer o que aconteceu... um mês depois entrei em depressão e demorei para me recuperar. Não tinha mais vontade de nada, não ia pro colégio só ficava no meu quarto. Eu senti aquela dor, e sinto até hoje! Eu gerei, carreguei durante nove meses. Senti mexer, chutar... eu aprendi a ama-la, nasceu um amor genuíno dentro de mim então foi muito difícil assimilar, por que aceitar eu nunca aceitei. Com o decorrer do tempo, fui melhorando e me reerguendo e terminei meus estudos. Fiz faculdade de direito e quando me formei fui na cara e coragem e me inscrevi no concurso público e passei com muita dedicação! Concluí cada etapa com sucesso e já fazem três anos que faço o que eu amo! Ser uma grande policial, colocando em prática tudo o que aprendi com meu pai.
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