Capítulo 5 - Seth

1465 Palavras
Tudo estava na mais profunda paz até essa serva chegar, nunca quis uma sacerdotisa, todos sabem o desgosto que tenho por essa criação de meu pai e mesmo assim ele a trouxe pessoalmente, quero entender o porquê disso, o porque daquela humana ter me chamado atenção na biblioteca e o porquê de tê la beijado, mesmo desprezando todos iguais a ela. A criatura é atrevida, e tem uma língua afiada, entretanto tenho certeza que há alguma armação de meu pai por trás disso. Ele nunca se importou tanto com sua criação para ter tanto cuidado e trazê-la até aqui. Resolvi ir pessoalmente falar com meu pai, não era normal ele me trazer uma humana, e uma humana como ela. Nefertari é esse o nome dela, e esse também era o nome que estava perturbando meus pensamentos havia dois dias. Essa mulher me intrigava tanto, o cheiro dela me perturbava, o cabelo dela me chama a atenção, eu a queria na minha cama, queria fazê-la minha, queria ouvir ela chamando meu nome quando eu tirasse a virgindade dela, porque eu senti isso no primeiro momento que a vi, a pureza de seu corpo. Na noite que ela chegou e eu a vi na minha biblioteca, fiquei intrigado, pela beleza dela, confesso que nunca tinha notado uma humana, mas essa me chamou a atenção, qual seria o plano de meu pai? Passei a noite com uma perturbação em minha cabeça, e resolvi que ia pela manhã até o céu para especular sobre a vinda dela até mim, porque conhecendo Rá como eu conheço tinha um propósito por trás. A manhã chegou rápido, dei as ordens necessárias para meus servos e fui em direção ao céu, queria falar com meu pai pessoalmente. Fazia muito tempo que eu não subia ao céu, mas especificamente 50 anos, desde a pequena confusão com o corpo do meu irmão, eles não entenderam que era somente uma brincadeira, fui até banido de vez por isso, mas isso ficou no passado. Os portões estavam abertos e pousei em frente ao Palácio, fui recebido por servos que me disseram que meu pai já me esperava, claro que ele me esperava, ele sempre sabia de tudo. Fui em direção ao grande salão, onde ele me aguardava. — Olá meu filho, que bom vê-lo. - falou. Eu nunca sabia se ele estava sendo irônico ou não. — Porque você levou uma humana até minha casa, uma que está viva ainda? - pergunto diretamente. — Não me saúda e já vem com pergunta? - falou. — Você me expulsou daqui, porque eu deveria saúda-lo? - falei. — Você está tentando se vitimar? Você matou e partiu seu irmão em vários pedaços e espalhou pelo rio Nilo. - falou. — Vamos direto ao caso, porque ela está em minha casa? - perguntei mais uma vez. — Acho que te obrigar a viver com minha criação que você despreza, faça você ser um Deus melhor, além disso serão somente 5 anos. - disse. Ele realmente achava isso, não me conhecia mesmo. — Ela não vai ficar lá, quero ela fora daqui. - falei. — Bom você vai ter que aceitá-la, porque ela vai ficar lá, e não quero que você a corrompa. - falou. — Do que você está falando? - perguntei. — Você sabe que não sou muito de me gabar pela minha criação humana, mas aquela mulher é uma das mais belas que já vi, e não quero que você toque nela de nenhum modo. Lá ela vai aprender a se portar depois eu a trarei para morar aqui, e me servir. - falou. Será que ele estava louco, desejando uma humana? — Você perdeu o juízo, a mamãe sabe dessa sua loucura pela humana? - perguntei. — É meu desejo é não preciso de permissão sou o Deus Sol, agora se já terminou quero que saia, você já me aborreceu. - falou. Eu me virei para sair, isso era inaceitável, um Deus desejando humanos, era o início do nosso declínio total. — Não esqueça, não toque nela. Era muita audácia me obrigar a viver como uma humana para que ele a tomasse depois, acho que não era mais meu pai que estava falando comigo, mas eu resolveria do meu jeito. Voltei para casa, sem ter nada decidido ainda, não sei se poria ela pra fora ou se ficaria com ela para poder torturar meu pai, confesso que a segunda opção me deixava bem interessado. Entrei e fui saber como estava a travessia das almas, era responsável pelo submundo e por todas as almas que por ali passavam. Quando terminei entrei em meu Palácio, precisava de um banho, e ninguém melhor que a protegida de meu pai para isso. — Yunet peça para a humana vir até aqui, quero que o banho seja dado por ela. - falei, seria um momento perfeito para ver como ela agiria, e até onde ia essa pureza. — Mas senhor sou sempre eu que lhe dou banho, não gosta mais dos meus serviços? - perguntou. Se onde estava vindo esse sentimentalismo barato? — Você está impondo dificuldade em minhas ordens? - perguntei já sendo tomado pela ira. — Não senhor, vou agora mesmo. - falou e saiu mais rápido que eu pudesse falar mais alguma coisa. Tirei minha roupa e segui para a sala de banho, entrei na água e a esperei, ela demorou absurdamente, quase saí da água para buscá-la pessoalmente, mas enfim ela entrou, mas imediatamente eu notei que estava diferente, em dois dias eu já sabia exatamente como ela era e essa que entrou não era a que deixei quando saí . Estava com um vestido sem graça, de mangas longas, e de cabeça baixa. — Quero que você passe as essências em mim. - falei sabendo que a deixava irritada, mas isso não aconteceu ela assentiu e veio até mim. Ela não tinha dado uma só palavra até agora, e pelo que pude ver ela não perdia a oportunidade de me contrariar, então resolvi dar mais uma cartada. — Quero que tire o vestido e entre aqui para poder passar melhor as essências. - falei e obtive finalmente alguma reação mas não foi a que eu esperava. — Não, eu não posso tirar meu vestido. - falou, não era o que eu estava esperando, tinha algo errado. — Ontem você não se preocupou com pudor quando se ofereceu para mim. - falei. — Mas hoje não quero, por favor. - pediu. Eu sai da água e andei em direção a ele, ela me olhou e em seguida desviou o olhar, afinal eu estava completamente nu. Quando estava com meu corpo quase encostado ao dela segurei os botões do vestido que cobria todo aquele corpo que tanto repudiei e agora desejava e não podia ter. — Então é melhor eu ir até a terra, fazer uma visita aos seus parentes, o que acha? - falei e eu sei que golpe baixo, mas eu sabia fazer isso. Senti seu corpo tremer e um soluço sair de sua garganta, será que eu era tão repugnante assim para ela? Pensei que somente eu odiava a humanidade assim, nunca pensei que uma humana tivesse tanto asco assim de um deus. Esperei que ela me dissesse algo, mas ao invés disso ela segurou os botões e os abriu deixando assim seu corpo exposto, e eu não pude acreditar no que estava vendo, seu corpo pequeno estava cheio de manchas roxas e vermelhas, estava charo que ela tinha sido acredita por alguém. Eu me enchi de ódio, fui invadido por um sentimento de proteção que não sabia de onde tinha vindo, eu queria matar quem tinha feito isso. — Eles tocaram na sua pureza? - perguntei, os ferimentos que ela carregava no corpo era de alguém que tentou lutar contra um estupro, eu mataria o culpado por isso. — Eu consegui correr. - disse baixinho. Eu segurei a vontade que tive de abraçá-la, mas converte a faria justiça, não era feito em meu mundo sem que eu desse permissão. — Quem foi? - perguntei, tenho certeza que ela sentiu o ódio em minhas palavras, que ela acabou olhando para mim, seu rosto incrivelmente perfeito estava coberto de lágrimas. — Eu não sei quem era, e ele conseguiu fugir, e Yunet me disse para deixar pra lá, já que ele não tinha conseguido nada. - falou. Eu não estava acreditando que ela tinha falado isso pra ela. — Quero que tome um banho para amenizar essas marcas e depois descanse, vou encontrar e punir quem fez isso a você. - falei. — Porque se preocupa com um simples mortal como tanto fala? - perguntou. — Porque está é minha casa, e não admito esse tipo de coisa aqui dentro. - falei e era só isso mesmo.
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