- Sofia Aarden reconheça seu marido Charlie Peter Gates. - Josh disse fazendo meus olhos focarem nos olhos dele. Meu amigo simplesmente havia perdido alguns neurônios porque os castanhos no qual eu sempre me perdia todas as noites, o mesmo castanho que jurei que nunca voltaria perder estava ali.. A poucos metros de mim me encarando como se eu fosse um dos seus piores pesadelos.
Haviam tanto ódio, amargura, rancor e decepção neles. Todas essas sensações fizeram eu me quebrar um pouco mais... Apenas mais uma rachadura para esse pequeno coração que lutava todos os dias para se manter firme e forte, eu lutaria por ela e reconquistaria seu amor novamente. Havia algo sobre Sofia que mais ninguém sabia e exceto eu, por ter presenciado muitas vezes em nosso quarto ou em qualquer quarto de hotel: mesmo com todos aqueles anos vivendo nos holofotes do mundo, ela ainda era o ser mais sensível a críticas que eu conheci em toda a minha vida. Era certo que antes dela, eu jamais pensei em me envolver em todo aquele meio, industria tóxica e pessoas que sugam absolutamente tudo o que você tem à oferecer e até as coisas que você não tem, mas Sofia parecia ter um bloqueio contra todas essas coisas, mas era no vazio dos seus inúmeros quartos de hotéis que ela desabava, o apoio psicológico que ela possuía era incrível, mas todos esses anos de terapia não conseguiam mudar características da sua personalidade, como o rancor. Então eu ficaria ali e enfrentaria tudo o que tivesse em meu alcance para recuperar o seu amor, mas antes eu precisava saber sobre os seus limites... Até que ela me peça para deixá-la.
Dei alguns passos até chegar perto do meu filho que se animou quando me viu, Vítor para um bebê de um mês e era bastante esperto, eu adorava isso nele, peguei ele em meus braços ainda sobre os olhares de Sofia sobre mim, eu me sentia um pouco intimidado e pela primeira vez eu temi suas palavras.
- Calma pequenino, o papai está aqui. - Disse passando meu dedo indicador na pontinha do seu nariz.
Ele sorriu da maneira que só ele sabia fazer e me fez acompanhá-lo como se nada mais no fundo importasse.
- Acho melhor nós deixarmos vocês à sós. - Ally disse vindo para o meu lado.
- É melhor que vocês fiquem, vocês fazem parte disso e é melhor dessa maneira. - Eu disse olhando para Sofia. - Tudo bem pra você? — Ela parecia não está ali. Seus pensamentos deveriam está à quilômetros de distância do seu corpo e por alguns momentos, quando seus olhos voltaram a ter foco em mim, me senti m*l.
- Oh.. C-claro. — O silêncio dominou todo o cômodo em que estávamos.
- Acho melhor começar por você. Me diga o que precisa saber? - Perguntei receoso.
- Acho que preciso entender isso tudo. Quer dizer, eu não lembro de nada do que aconteceu depois daquela noite no qual você beijou... Aquela noite. - Sofia me olha atordoada e depois olha para Julia. - Depois Julia entra com esse garotinho nos braços e diz que é meu filho, como isso pode?
Eu suspirei, em todas as minhas sessões com Josh nós nunca havíamos conversado sobre essa possibilidade, mesmo que ela existindo.. Talvez o medo tenha nos cegado.
- Você e eu somos casados há alguns anos, mas devido a sua agenda apertada e os meus compromissos, acertamos que o assunto: filhos, seriam deixados para um momento mais oportuno, porém há uns 2 anos atrás, você decidiu que era o momento. Segundo suas palavras: "o meu relógio biológico está quase parando e se não for agora, não será nunca mais. Eu sinto que já conquistei todas as minhas metas e a única que me resta é ter um bebê com você." Então passamos a tentar alguns meses e bom... Não conseguimos, eu confesso que estava desanimado pelas tentativas, mas você procurou ajuda em algumas clínicas e bem... Conseguimos e bem, em uma manhã algum tempo depois... Houve esse acidente, você estava no shopping com Júlia quando foi parada por alguns fãs e acabou causando um pouco de transtorno e um cara bêbado acabou atropelando você e te arremessando por alguns metros, você bateu a cabeça muito forte, forte demais e isso te trouxe traumas graves, como você já deve saber... E ficou em coma, parte do tempo para cirurgias onde você teve parte do corpo quebrado e porque descobrimos que estava grávida, inicialmente fui totalmente contra o avanço, mas eu estava tão sem esperanças que... Vítor não tinha culpa das nossas escolhas e erros, após isso... Bom, os médicos não sabem explicar com certeza os motivos que te impediram de acordar, você simplesmente nunca acordo e assim Vítor nasceu, você parecia piorar cada dia que se passava e agora está aqui... Com sequelas, como os médicos haviam descritos. — Eu não era um homem de masculinidade frágil, eu chorava sempre que achava ser o necessário e foi diante da minha família que me permitir deixar algumas lágrimas escorrerem, doía como o inferno explicar para o amor da minha vida que ela me amava também. — Caso tenha interesse em saber sobre sua carreira, seu último ensaio fotográfico saiu à sete meses atrás, para a Vogue pra ser claro... Em uma manhã Ally me disse que eles entraram em contato com ela para saber se tinham autorização para publicar suas fotos como um... Tributo. - Minha última palavra não passou de um simples murmúrio.
- Eu continuei com minha carreira? - Ela perguntou depois de um tempo.
- Depois do que tudo que ele disse você só se importa com isso? - Júlia perguntou incrédula para ela.
- A deixe, Julia... Ela quer saber. - Josh interviu.
- Acho melhor nós deixarmos vocês à sós, qualquer coisa estaremos lá fora com Vítor. - Ally se levantou e pegou meu filho do meu colo que começará a bocejar, ele deveria está cansado e com fome.
- Ally, ele precisa mamar. - Lembrei.
- Vou com a Ariana, ela pode conseguir leite. - Josh pegou a bolsa do bebê e saiu, Julia ficou relutante.
- Chancho está acordada agora, ela pode fazer isso. - ela deu a idéia e eu apenas olhei para Ally e Sofia que parecia incrédula como se aquilo fosse uma idéia r**m.
- Acho melhor n... — Fui interrompido.
- Me dê ele. - Ela pediu para Ally que me olhou como se pedisse autorização.
- Ela é mãe. - E então ela entregou meu filho para Sofia que sorriu quando o teve em seus braços. Fiquei aliviado ao saber que ela não o ignorou.
- Sim. - Eu disse fazendo Camila olhar para mim. - Você continuou com sua carreira e na verdade você foi considerada uma das melhores cantoras da atualidade, você ganhou muitos prêmios e mesmo depois do acidente... Continuou fazendo sucesso.
Ela pareceu ficar feliz com minhas palavras, eu sabia que Sofia adorava aquilo que fazia.
- Meus fãs... Sempre foram demais. - Ela sorriu.
- Eles aumentaram bastante. - eu brinquei com meus dedos. - Me ajudaram bastante também, sou grato à eles. — Ally pegou seu celular e mexeu em algumas coisas, Julia havia saído da sala que eu nem havia notado. Ela estava um pouco distante, mas eu não iria interferir. Ela deveria ter seus motivos.
- Eu não me lembro. - Ela disse com a voz baixa, como se revelasse um segredo. - Eu não me lembro sobre você, sobre minhas escolhas ou sobre querer ele.
Seu rosto olhou para Vítor que dormia tranquilamente no colo dela ainda mamando, sua não fazendo carinho no rostinho dele o fazendo se aconchegar mais nos braços de suas mãos, ele deveria está adorando aquilo. Ele sempre adorava dormir nos meus braços.
Meus olhos começaram a arder e eu entendi que em breve as lágrimas começariam a surgir.
- Tudo bem... Você vai se lembrar quando voltarmos para casa. - Eu disse a encarando.
- Nós moramos juntos? - Ela pareceu um pouco assustada. - Eu não tenho uma casa na qual você não more comigo? — Senti uma sensação r**m passar por meu corpo.
- Você tinha, em Miami.. Mas não gostou de lá porque dizia que ficava longe de mim.. Dizia também que já havia ficado muito tempo viajando pelo mundo sozinha e não precisava mais ficar longe de mim. Vejo que isso mudou.
- As coisas mudam. — Vítor começou a resmugar como se tivesse sentindo o clima estranho e ela me olhou um pouco assustada, sorri fraco ignorando suas palavras e me levantei indo até ele o pegando de seu colo.
- Calma aí baixinho, papai está aqui com você. - Disse o aninhando no meu colo e fazendo pequenos movimentos para ele se acomodar mais e dormir tranquilamente, mas antes disso eu o fiz arrotar.
- Uau. - Sofia disse, fazendo Ally que ainda continuava calada olhando tudo atenta sorrir.
- Vamos lá, pequeno.. Você precisa ir pra casa tomar um banho e trocar essa roupinha suja. - Disse ainda o vendo resmugar.
- Nós trouxemos algumas roupas dele e suas, nós esperávamos que você passaria a noite aqui novamente... Vou pegar pra você lá no quarto. - Ally disse me salvando naquele momento.
- Obrigado. - Agradeci a vendo sair me deixando sozinha com Sofia.
- Quarto? - Ela perguntou confusa.
- Eu também sou dono desse hospital e no tempo em que você ficou em coma eu passei a morar aqui por medo de... Perder você. - Eu disse sem olhar para ela. - Depois que ele nasceu e você passou a responder aos medicamentos e o seu médico que se chama Sebastian achou que fosse melhor voltar para nossa casa.
- Você fez... Isso? - Ela perguntou assustada.
- Fiz muitas coisas por você. Faria todas elas novamente. - eu disse a verdade, mas não cabia falar sobre isso agora. Não era o momento.
- Onde ele dorme?- Ela mudou um pouco o assunto.
- Nos meus braços. Desde que nasceu, ele dorme nos meus braços.. Às vezes a noite toda, já que ele costuma acordar de madrugada pra mamar ou para trocar as fraldas, ele costuma reclamar quando eu o coloco sozinho no berço dele ou na minha cama quando não estou lá.
- Porque? - Ela perguntou interessada.
- Haviam noites que eram difíceis pra mim.. Você estava naquela cama e todos me diziam que você nunca acordaria, ele foi minha única esperança, Sofi. Então eu passava a noite chorando baixinho para não acordar ele que dormia tranquilamente no meu colo. Ele acabou acostumando e olha só no que deu.. - Eu sorri ao ver Vítor fazer aqueles sons. - Não tem nem dois meses e já é mandão.
Ela sorriu, foi a gargalhada que eu esperei por meses para ouvir novamente, eu senti uma alegria tão grande crescer dentro de mim que por um momento eu senti meu coração doer, mas não foi uma coisa ruim.. Aquilo foi mágico, eu olhei para ela e foi como se sinos tocassem na minha cabeça. Sofia era tão linda que não havia como não de apaixonar por ela, e lá estava eu... Me apaixonando mais uma vez por ela.
- Eu vi você cantando.. A nossa música. - Sofia disse depois de um tempo. - Você levou pra frente sua carreira? — Eu a encarou novamente.
- Oh, não. Aquilo foi apenas uma brincadeira, Ellen costuma fazer esse tipo de coisas com os convidados dela. Ela também fez isso quando nós formos lá na primeira vez..
- Eu fui? - Ela perguntou sonhadora.
- Sim. Você pode pesquisar depois no YouTube ou pedir aos seus fãs, eles sempre sabem de tudo e adoraram conhecê-lo. - Disse me referindo ao Vítor. - Hoje foi a primeira vez que o expôs, talvez a última... Acho que é tudo novo isso pra ele e ir em muitos lugares acaba se tornando cansativo para um bebê como ele. - Vítor parecia está dormindo, mas eu sabia que ele costumava fazer isso pra me enganar, eu sabia que no momento em que eu parasse de me mover ele abriria os olhos fazendo birra.
- Mas ele é meu filho, é claro que ele vai aparecer muito ao meu lado. - Ela disse como se isso fosse simples.
- Ele também é meu filho, Sofia. - Seus olhos encontraram os meus, ela parecia brava. - Não posso ficar expondo como se ele fosse um objeto caro, ele é uma criança que precisa de cuidados...
- Ele precisa está ao lado da mãe. - Ela rebateu firme.
- E ele está. - Eu respondi vendo Ally entrar no quarto com alguns enfermeiros. Eu sabia que aquela não seria o fim dessa conversa.
- Esses aqui são as pessoa que irão te levar até o quarto, eles prepararam tudo para vocês passarem a noite aqui e Sofia ficará lá até ter alta dentre três dias. - Os enfermeiros foram a cadeira de rodas até a cama da Sofia e a colocaram com cuidado, eu deixei que eles fossem na frente e os segui. - o casal estão lá... - Ally continuou. - Sofia parece diferente.
Olhei para frente e vi que eles iam um pouco com pressa e que talvez ela não nos ouvisse, mas a questão é que eu também concordava com ela.
- E ela está. Eu queria acreditar que é porque está tudo confuso, mas ela parece sentir uma mágoa de mim e em segundos eu consigo ver o quanto ela está brava comigo. Ela tentou discutir comigo duas vezes desde que você saiu.. Eu apenas ignoro porque talvez eu saiba do que ela está falando.
Disse por fim virando o corredor e encontrando a porta do quarto aberta, Ally sorriu pra mim e passou a mão na cabeça de Vítor.
- Só tenha calma, vocês precisam conversar antes de tudo.. Diga para ela a mesma coisa que você disse naquela mesma noite. - Ally tentou.
- Naquela noite eu levei um tapa dela e ela quebrou meu coração da mesma maneira que eu fiz isso mesmo sem querer, levei meses tentando chegar perto dela novamente.. Você viu o quanto foi difícil ter dois minutos do seu tempo.
- E o pior que sei... Nunca vi você tão eufórico com uma coisa, mas o engraçado foi o rosto dela ao te ver no meio dos fãs em um M&G no Brasil. Se eu não estivesse lá, diria que aquilo tudo não passou de uma grande mentira. — Eu respirei fundo com as lembranças que aquilo me trouxe.
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