📓 NARRADO POR LOBO O delegado sentou. Não porque eu mandei. Mas porque ele sabia que, se não sentasse, a gente ia sair dali se matando. Eu fiquei de pé, cigarro pendurado na boca, o gosto de ferro ainda na língua. — A Camila tá de volta. — falei, sem rodeio. Ele travou o maxilar. Mas não respondeu. Só esperou. Eu continuei: — Ela não sumiu por vontade própria. Ela foi levada. Foi quebrada. Foi usada. Pelo nome que tu conhece tão bem quanto eu: Cascavel. O olhar do delegado escureceu. Não raiva comum raiva que já vem com sangue prometido. — Ela fugiu. — completei. — Chegou aqui a pé, no casco, com o corpo cheio de marca que nenhuma mulher devia carregar. Silêncio. Monteiro passou a mão no rosto, o ar saindo pesado. — E ela vai te contar com a boca dela os motivos por que te a

