📓 NARRADO POR LOBO Fiquei olhando pra ela no chão aquele corpo magro, sujo, encolhido, como se quisesse sumir dentro do próprio casaco. Tinha algo ali que me doía olhar. Talvez porque eu lembrava da Camila que um dia saiu do morro de cabeça erguida, cuspindo fogo no mundo, e agora tava ali, quebrada, sem rosto de rainha nem alma de gente. Soltei o cigarro, fui até ela e agarrei o braço. — Levanta. — falei, seco. Ela hesitou, tremendo. — Eu… não consigo. — Consegue sim. — puxei mais forte, levantando ela pelo braço. — Tu já levantou de coisa pior, não vai cair agora. Ela se ergueu com dificuldade, o corpo vacilando. Tava leve demais, como se o vento pudesse carregar. A sujeira no rosto misturada com sangue e lágrima. Olhei nos olhos dela. — Onde você tava, Camila? — perguntei,

