capitulo 162

1081 Palavras

📓 NARRADO POR ROBERTO MONTEIRO ALBUQUERQUE — Reparação. — repeti, quase rindo. — Não existe reparação pra abandono, Camila. Não existe “desfazer” cicatriz. Ela ficou me olhando. Tremendo, mas de pé. Eu respirei fundo e falei, sem rodear: — Quando tu saiu por aquela porta… eu virei pai e mãe ao mesmo tempo. — minha voz veio firme, dura, sem pausa. — Eu que segurei ela chorando até dormir. Eu que aprendi a fazer trança olhando tutorial no YouTube. Eu que fiquei noites acordado porque ela tinha febre. Eu que vi ela se odiar no espelho porque tu ensinou que ela ocupava espaço demais. Meu peito queimou. Mas eu continuei. — Eu que ensinei ela a se amar. Eu que ensinei ela a existir sem pedir desculpa. Tu não foi ausência. Tu foi ferida. Camila levou a mão ao peito, como se eu tivesse at

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