📓 Narrado por Roberto Monteiro Albuquerque Bastos ficou me olhando em silêncio. Aquele silêncio de quem já sabe demais e ainda assim quer cutucar. Pegou outro cigarro, acendeu, tragou fundo e soltou a fumaça em direção à janela. — Me diz uma coisa, Monteiro… — começou, arrastando as palavras. — E esse cheiro aí? Franzi o cenho. — Que cheiro? Ele arqueou uma sobrancelha, debochado. — Esse cheiro de mulher. De perfume caro, misturado com suor e culpa. — soltou um riso curto, quase um assobio. — Tá impregnado na sala, p***a. Até o cinzeiro tá com vergonha. Revirei os olhos, me recostando na cadeira. — Cê tá sentindo cheiro demais pra um fumante, Bastos. — Ah, cala a boca, Monteiro. — ele rebateu, rindo de canto. — Eu te conheço há mais de vinte anos. Sei quando tu volta de missão e

