📓 Narrado por Roberto Monteiro Albuquerque O motor ainda roncava baixo, o cigarro já tinha virado cinza no asfalto, e eu continuei parado, olhando pro nada. A rua tava vazia, mas minha cabeça… cheia. Cheia dela. Do cheiro, do gosto, do riso debochado que ainda ecoava nos meus ouvidos. Soltei um suspiro pesado, encostei as costas no banco e fechei os olhos por um instante. A merda é que o silêncio faz a gente pensar. E pensar demais nunca foi meu ponto forte. Estiquei o braço pra trás, puxei a mochila de couro jogada no banco traseiro minha companheira de plantão e pecado. Abri o zíper. Lá dentro: o colete, o coldre reserva, a prancheta com os BOs, o distintivo… e o cheiro de responsabilidade que eu tinha largado umas horas antes. Peguei a pistola, limpei o cano com o pano que sempr

