📓 Narrado por Lobo O dia tava arrastado. Sol quente, rádio estourando no fundo, cheiro de churrasco vindo da laje de alguém e o vai-e-vem da boca rodando no ritmo de sempre. Eu observava tudo de cima, braço cruzado, cigarro pendurado no canto da boca, contando na cabeça cada passo, cada olhar. Era assim que se mantinha o poder na atenção, não no grito. Até que vi ela. Dina. Vindo lá do beco, passo firme, expressão fechada. Não disse nada, não olhou pra ninguém. Só veio. E foi aí que eu soube: tinha coisa. Ela parou perto de mim, acendeu um cigarro, tragou fundo e ficou quieta. Quietude demais pra quem sempre chegava soltando palavrão. — Fala logo, Dina. — soltei, sem rodeio. — Quando tu chega calada assim é porque vem merda. Ela olhou pra mim, demorando um segundo a mais do q

