Três

3136 Palavras
TERESA - Menina do céu! Falei pra você levar só o necessário! – minha mãe entra no meu quarto indignada olhando minhas duas malas enormes em cima da cama - Tá pesado! – coloquei a mão na cintura – e tá tudo que eu preciso, meus vestidos, absorvente, perfume, desodorante, creme... - Quero ver a cara do seu pai quando vê isso tudo. – minha mãe fala e sai do quarto Meu pai não vai, infelizmente. Alguém precisava cuidar da queijeira e da fazenda, e ela não ligou em ficar. Mas ele disse que não perderá o casamento. - Terê? – Pedro entra no meu quarto e senta na minha cama – não ir. - Oi? Por que?! - Lá não vai ter nada, eu gosto daqui, vou falar com pai para ir e me deixar cuidar de tudo, sou homem, posso ficar Sozinho. - Você só tem 15 anos. – cruzei os braços – e outra, não vou ficar lá sem você – ele me olha em negação – se é homem entende que as vezes é preciso fazer coisas que você não quer. Agora levanta esse poupança e vai arrumar seus trem. Ele levanta da minha cama resmungando alto. Eu estou MUITO animada, ir na cidade, conhecer gente nova, vê como as coisas em outros lugares funcionam!! Perfeito!!! Eu nasci aqui mas também nasci para explorar, ainda mais pra ver minha irmã se casando com senhor Christofi, o m*l educado que desligou o telefone na minha cara. - Eu vou senti saudade de você! – Pedro meu amigo fala assim que sai de casa carregando minhas duas mala - Eu também. Cuida de Pirata? – falo e ele assente – queria levar ele, minha mãe não deixou. - Lá não teria lugar pra ele. - Tem lugar pra ele onde tem pra mim. – dou um beijo na bochecha de Pedro – vou me despedir dele. Corro até a cela do meu cavalo e chego lá em segundos. Acaricio seu rosto e ele parece sentir que estou prestes a partir - Vou sentir saudade amigão – falo e ele relincha – mas não vou demorar – dou um beijo nele - TERESA! – escuto meu pai gritar e saio correndo Quando estava prestes a chegar acabo escorrendo e por sorte não cai no meio da lama, mas ela sujou a barra do meu vestido então antes de entrar no carro escondo pra minha mãe não ver. Merda... Grande merda.. ....... ...... ...... ... Mais de 5 horas no carro. As 5 horas mais entediante da minha vida! Eu costumo ser uma pessoa muito inquieta, minha vó vivia me chamando de lavada e mulecona e que eu nunca vou mudar, e é a mais pura verdade, não aguento ficar parada nem por um segundo. Minha boca forma um “O” ao fitar a mansão enorme do senhor Christofi, tem um jardim grande, e consigo vê o azul intenso da piscina. Ele não deve morar sozinho, como ele conseguiria diante uma casa tão grande? - Acho que caberia o pirata aqui. – Pedro fala e minha mãe ri baixo - SÓ O PIRATA? – falei empolgada - Para de gritar que você não tá na sua casa. – minha mãe fala e eu reviro os olhos Meu pai estaciona o carro e tiramos a mala para fora. O porteiro pergunta se ele não quer entrar e meu pai n**a e disse que tem que voltar por causa da fazenda. Três homens se aproximam de nós e um deles pegam nossas malas - Pode deixa, eu carrego as minhas. – falo - Mas tá muito pesado senhorita. – o homem fala e eu bufo alto fazendo salivas respingar nele, que bom que ele não percebeu. - Já sou acostumada a pegar peso senhor! – falo e vou pegando minhas duas malas - Eu insisto – o homem mais velho pega a frente e pega minha mala. Ele faz uma careta ao perceber o peso das minhas duas bolsas mas mesmo assim carrega. Os três homens sai com a mala na frente e nessa mesma hora um homem se aproxima de nos, ele é baixo, careca e magro. - Seja bem vindos a casa do senhor Christoffer Lins – o homem fala animado – eu sou o mordomo Silvano, e irei mostrar a vocês cada canto da mansão e dar o conforto que merecem. - E Lorena, onde está? – minha mãe pergunta - Mãe. – Lorena vem andando até nos em cima de um salto enorme. Ela está mais linda do que nunca, com um vestido sem estampa e um salto de plataforma alto. Minha mãe e ela se abraçam e eu vou até Lorena e a abraço também - Senti saudades! – falo e ela me solta rapidamente - Também senti – ela sorri pra mim – o que houve com seu vestido? Engulo um seco e olho para baixo. Merda... Não consegui disfarçar a lama na barra do meu vestido. Minha mãe me olha com cara feia. - Tive um incidente, mas já vou me trocar. – falei e ela sorri - E ai Pedrinho, como vai? – Lorena pergunta ao nosso irmão que o abraça de má vontade - Oi. – ele fala sem querer – Teresa e eu vamos vê se tem pé de fruta aqui ok? – falou com birra Eu e Pedro tínhamos combinado de olhar o jardim antes de entrar a alguns minutos atrás - Teresa... – minha mãe fala mas Lorena a interrompe - Tudo bem, podem ir se quiser, o jantar sai a noite, Teresa – eu a encaro – a noite podemos conversar a sós se quiser, temos muito o que falar. - É claro – falei animada – vamos Pedro, quem chegar primeiro vai casar com tatu!! Pedro sai correndo na frente e eu vou atrás, é claro que eu vou ganhar, eu sempre ganho. - Olha, um pé de jaca ali? – Pedro grita Encaramos de boca aberto a pé de jaca bem na nossa frente, e é justo nossa fruta favorita. Sem pensar duas vezes, subimos na árvore e pegamos a do topo, a maior que tinha, jogamos ela no chão e ela se abriu - Menos m*l! – Pedro fala de boca cheia – sinto que vai dar muita merda esse tempo que vamos ficar aqui! - Por que diz isso? – perguntei encarando ele enquanto tiro fio de jaca do meu dente. Minhas mãos estão toda melada - Não gosto de Lorena, não preciso mentir – ele fala – e sinto que não vou gostar do noivo dela também, e também odeio esse lugar, e as pessoas daqui... - Fala uma coisa daqui que você gostou!! – gargalhei alto - Esse pé de jaca. – ele fala e eu balanço a cabeça – se mãe nos ver ela vai matar a gente. - Vamos subir pela janela, e procurar um banheiro pra gente tomar banho. – dei a ideia e ele me olha surpreso como se tivesse adorado - OU VAMOS PULA NA PISCINA! – ele fala e eu rio - Tá doido? – falei e o abracei indo pra mansão – tá escurecendo, vamos. - Mas e a ideia de subir pela janela? – perguntou e eu dei um empurrão nele que ele caiu pra frente no chão - É melhor correr, se não eu te dou uma voadora!! – ele grita e eu corro feito louca Subi os três degraus da entrada da mansão e Pedro vem logo atrás de mim, corro olhando pra trás e quando me viro pra frente esbarro em um homem alto deixando um líquido quente cair tudo em cima de mim - Jesus... – comecei a sacudir minha roupa no meu corpo – tá queimando!! - Mil perdões! – o homem agarra meu braço me levando pra algum lugar mas não me importo agora, só me importo com o líquido quente na minha roupa e nos meus braços Sinto a água gelada no meu corpo todo e tomo um susto. Ele me colocou debaixo de um chuveiro próximo a piscina - TÁ MALUCO!!! – empurrei o homem mas ao mesmo tempo senti o alívio na minha pele, então só quando relaxo me lembro que a culpa foi minha Assim que abro minha boca para me desculpar, meus olhos se encontram com o do homem que me ajudou. Ele é muito alto, sua pele é morena e seu cavanhaque perfeito, seus olhos é de um azul bem claro, e ele usa um terno bastante formal, por sorte não se molhou. - Christoffer? – Lorena vem andando até nós – o que ouve? Escutei lá de dentro alguém falando que se queimou. Eu devia ter imaginado... - É que ele derrubou café, não foi nada demais. – falei meio sem jeito - Uffa! – Lorena fala e vejo minha mãe lá da porta – você está toda encharcada, vou te levar até seu quarto para se trocar. Mas antes... Chis essa é minha irmã Teresa, Teresa esse é meu noivo, Chis. Estende a mão para o homem que continua me encarando me deixando no vácuo - É um prazer conhecer você Teresa. – falou indiferente e eu franzo o cenho Será que ele ficou com nojo de pegar na minha mão por que eu estou molhada? - O Prazer é meu. – falei fria no mesmo tom que ele e ele arqueia as duas sobrancelha – me mostra meu quarto, tô anceosa! - Ansiosa. – Lorena me corrige - Olha não começa! – falo e ela gargalha Chegamos no quarto e eu tomo um banho rápido. Lorena ficou me esperando em cima da cama o tempo todo. Meu quarto é enorme, tão grande que achei desnecessário. Mas gostei muito do ambiente tem até banheira no meu banheiro. Tiro a toalha ficando pelada na frente de Lorena e ela me encara - Desculpa! – falei me tampando – esqueci que... - Não tudo bem – ela fala – devemos reconstituir nossa i********e, é que você tá com um corpo muito lindo. Você malha? - Obrigada! E não... Só que pego muito peso na roça e vivo correndo pra cima e pra baixo! – falo enquanto coloco meu colete - Se quiser te empresto algumas roupas mais confortáveis. – disse gentilmente - Não, obrigada, eu gosto dos meus vestidos. – falo e ela assente – acho que deve ter um momento sozinha com Pedrinho, sendo sincera mas... Ele não gosta muito de você. - Eu percebi – ela entrelaça os dedos – vou deixar você se arrumar, e ver se o jantar está pronto. Ela sai do quarto e eu termino de me vestir colocando meu vestido rosa e branco. Solto meu cabelo do coque formando as ondas louras no meu cabelo Me olho no espelho e me sinto bem, Lorena estava usando tanta maquiagem que eu não a reconheci, pensei em passar mas me n**o na hora. Saio do quarto e encaro o corredor enorme - Merda! Me perdi! – falo e vou andando pela casa Tem muitos quartos, e não encontro nenhuma saída visível! Escuro um barulho vindo em um dos quartos e vou até lá, pode ser o da minha mãe. Mas e se não for? Espio através da fechadura da porta e vejo Lorena e Christofi se beijando, e pior! Dentro de um quarto! - Jesus amado não creio! – falo pra mim mesma - Que coisa feia espiar atrás da porta. – diz a voz de um garoto e eu tomo um susto Me viro pro garoto e engulo um seco. Ele aparenta ser da minha idade, seus cabelos e olhos são pretos e ele é alguns centímetros mais alto que eu - Eu não estava espionando. – falo e ele sorri - Tudo bem, não vou contar. Prazer me chamo Cícero, sou o jardineiro da casa. – ele estende a mão e eu aperto – porém esqueci minhas coisas no meu quarto e vim pegar. - Ah... – levantei a sobrancelha - É irmã de Lorena? – ele fala e eu assenti – todos os empregados estão falando de vocês, o senhor Christoffer disse que era pra receber vocês muito bem e deixar tudo agradável. - Você é a primeira pessoa agradável que vejo por aqui. – falo e ele cora - Obrigado. - Pode me mostrar o caminho até lá em baixo? – pergunto e ele assente - É no final desse corredor a primeira escada que ver é só descer. - Valeu. – falo e vou até lá Desço as escadas correndo e no final dela o mordomo me espera - Perdoe a intromissão senhorita Teresa, mas se continuar correndo desse jeito pela casa vai acabar se machucando. – ele falar eu rio alto - Ah não tem problema, eu caio toda hora mesmo em chão liso – fiz gestos displicentes e ele me olha esquisito – viu meu irmão? Essa casa é muito grande. - Está na mesa do jantar. – ele fala - Onde? – pergunto e o mordomo revira os olhos Por que ela tá me tratando assim? - Por ali senhorita. – me mostrou e vou até lá Me sento ao lado de Pedro enquanto vejo a comida toda tapada com tampas que parecem ser de prata. Conversamos sobre a casa enquanto esperamos todos chegar e não demorar muito pra minha mãe, Lorena e Christofi aparecer. Eles se sentam na mesa em silêncio e eu sinto a tensão - Eu adorei a mansão, só que é muito grande me perdi lá em cima. – falo pro senhor Christofi e ele me encara e sorri sem mostra os dentes Que homem chato! Por que ele está fazendo isso comigo? Me ignorando dessa forma! Que falta de educação! Mas calma... Deve ser só impressão minha, não quero criar teorias só porque não o conheço. - O cheiro da comida tá boa. – falo de novo ao a Christofi e ele sorri de novo sem mostrar os dentes Estreito os olhos pra ele e sem pensar duas vezes chuto sua canela por debaixo da mesa. Eu e essa mania de ser impulsiva. - Ai! – ele fala e todos o encara – eu... Pensei que algo tinha picado meu pescoço. – ele explica e eu gargalho baixo - Do que está rindo Teresa? – minha mãe pergunta - Nada. Os empregados começam a destampar a comida e eu ajudo eles a destamparem também - Tê, não precisa, deixe que os empregados fazem. – Lorena fala - Não vejo problema em ajudar. – Falo e ela assente. O cheiro de comida saem das tampas dos pratos, mas pela cara de Pedro ele não gostou nem um pouco, porque não tem carne. - Que foi Pedrinho – Lorena pergunta – não gosta de nada do que está sobre a mesa? Pedro fica sem graça - Não, está bom. – ele diz e volta a se emburrar Minha mãe faz cara feia pra ele e antes que ela diga algo me exito - Pedro está acostumado a comer carne. – falo – mas uma vez na vida e outra na morte não tem problema. - Mil perdões – Senhor Christofi fala e eu me surpreendeu por ouvir sua voz grossa e Áspera – Lorena e eu somos vegetarianos e acabei esquecendo desse detalhe. - Não se preocupe que amanhã mandarei fazer sua sobremesa favorita – Lô fala – do que você gosta? - Não precisa me trata feito criança, eu já disse que está bom. – ele fala enquanto as empregadas serve ele e eu me sirvo sozinha - Estou ansiosa para o casamento senhor Christofi – minha mãe diz a ele – achei a sua casa formidável. Por que minha mãe tá falando palavras difíceis agora? - Fico feliz, a casa é sua. – ele diz – e pode me chamar de Christoffer. Mas nós já chama ele de Christofi. - Quantos anos você tem Christofi? – pergunto e ele me encara sério - 26. – falou e não perguntou minha idade de volta Agora tive a certeza que ele não foi mesmo com minha cara. Aposto que o café que ele jogou foi de propósito, sim é isso, e ele desligou na minha cara Quando conversamos por ligação também. O que há de errado com ele? Por que ele não gostaria de um doce como eu? - Teresa tem 19 meu amor – Lorena fala mesmo sem ele ter perguntado – vai fazer 20 daqui uns dias. Ele solta um “hum” bem curto e eu reviro os olhos, mas só ele viu. Na verdade ele permanece seus olhos em mim, me olhando de um jeito que ninguém nunca me olhou. Como se eu fosse um saco, ou entediante, ou muito feia. - Que que foi? – perguntei só pra ele ouvir enquanto todos conversam entre si, até Pedro que conversa um pouco com Lorena Christofi desvia os olhos e toma um gole grande do seu vinho Abusado! Ele acha que só porque vim da roça eu não sou acostumada com indiferenças. - Acabei! – falei me levantando da mesa – vou pro meu quarto tô me sentindo exausta. - Tudo bem querida, nos falamos amanhã – Lorena fala e eu assento - Boa noite. – falo e todos respondem com um boa noite menos o senhor Christofi Agora ficou nítido! Subo as escadas e vou para o meu quarto, espera... Mas onde é meu quarto? Vou andando pelos corredor e abro a porta do quarto, assim que acendo a luz tenho certeza de que não é o meu quarto, ou é? Não importa se não for amanhã eu resolvo! Vou até a cama e me deito, de barriga para cima, o travesseiro tem um cheiro muito gostoso, um perfume bom, o clima aqui tá ficando cada vez mais pesado então me sento na cama olhando para o nada tentando lembrar o caminho do meu quarto. Não quero ter que voltar lá em baixo e perguntar. Vou até o banheiro e acendo as luzes, abro o armário e vejo uma escova de dente verde pendurada. Será que esse é o quarto do senhor Christofi? - Agora que estamos sozinhos? O que acha de eu tirar toda a sua roupa? Hum? – escuto a voz dele vindo aqui desse quarto e arregalo os olhos - Acho uma ideia ótima! – escuto Lorena falar Saio do banheiro e vejo ela em cima dele. Os dois me encara num susto. Não creio nisso, não mesmo... - Teresa?! – Lorena pergunta perplexa,como se tivesse visto um fantasma. Saio do quarto praticamente correndo e entro no primeiro que vejo, por sorte é o meu. Não pretendo sair daqui tão cedo. Agora confio no que Pedro disse, esse tempo aqui não vai ser nada bom.
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