17: Odessa: A Ópera Silenciosa da Executora

1423 Palavras
(Os esgotos e ruas frias de Odessa. Mais tarde, o Teatro de Ópera. Madrugada.) O barulho da porta quebrando ficou para trás. Era como se o passado estivesse sendo destruído, e esse som era o fundo perfeito para a nossa fuga. A adrenalina limpava o meu corpo como um choque de eletricidade. "Telhado, agora! Movimento sem barulho. Sem tiros, " eu ordenei, mesmo sabendo que a Serafiny já estava um passo à frente. Ela já subia a escada de emergência, leve como um fantasma. Eu a seguia, com o fuzil de assalto firme na mão, e o corpo ignorando a dor no ombro como se fosse algo sem importância. Nós tínhamos a vantagem do susto e do truque. O pendrive falso gritava "Código Arsênico aqui!" enquanto nós sumíamos. A ganância dos mercenários por aquele pendrive era o que me salvava a vida. Pulamos o espaço para o telhado vizinho. A Serafiny apontou para o túnel de ventilação que levava aos esgotos. "O túnel é o nosso caminho. Eles vão revistar o apartamento primeiro, depois o telhado. Não vão perder tempo nos esgotos. É muita sujeira para pouco ganho," disse ela, escorregando para dentro. Eu fui atrás. O cheiro ali era pesado, um t**a de mofo e esgoto, mas era seguro. A escuridão e o emaranhado de canos eram os meus novos amigos. Corremos, o som seco das botas ecoando nos túneis. "Sebastian não agiria assim se só quisesse fugir," eu comecei, forçando a conversa. "Ele me deu o Arsênico. Ele quer que eu o decifre. Ele poderia ter sumido para sempre." Serafiny, na frente, respondeu com a voz distante e fria, quase sem emoção. "É um truque de manipulação, Íris. Um traidor nunca dá um mapa sem uma armadilha. Ele dá a isca, ele está te guiando para onde a caça é mais perigosa." "Mas o EMP não é dele. A tática de elite não é do Sebastian. Foi de Alguém que quer o Arsênico com desespero. E esse Alguém é quem matou o Capo e quem está limpando os rastros," eu argumentei, a voz rouca ecoando nas paredes. "Sebastian está me mostrando o caminho, apontando para A Pessoa Que Sabe Mais." A Serafiny parou de repente, me forçando a parar também. Ela se virou, os olhos azuis brilhando na luz fraca da lanterna. "Ele está te usando como uma ferramenta para o plano dele, seja qual for. Focar no sentimento ou na 'traição' dele é a sua fraqueza. É isso que o verdadeiro chefe quer que você faça. Se A Pessoa Que Sabe Mais está jogando, ela usa o Sebastian para te moldar. E se ela usa a sua filha para te atrair, o que ela quer não é só o Trono. É o controle total e a sua destruição." Ela continuou andando, o tom firme como sempre. "Foque na sobrevivência. Saímos dos esgotos em dois minutos. Guarde as ideias para quando estivermos seguras atrás." A frieza dela me irritava. Ela aceitava a ameaça de "A Pessoa Que Sabe Mais" (o cérebro por trás), mas tratava o Sebastian como algo descartável, sem valor. Saímos dos esgotos a cerca de um quilômetro e meio do Teatro de Ópera. O céu começava a clarear, mas o ar ainda estava gelado. Vestimos casacos escuros e bonés. Roubamos um carro de trabalho e dirigimos pelo centro da cidade. A Ópera: Um Palco de Ouro e Sangue O Teatro de Ópera de Odessa era uma beleza antiga, com ouro e mármore branco. A riqueza dele contrastava de forma dura com a sujeira da nossa fuga. "O Teatro não é para trocar. É para pegar ou ser pega," eu disse, enquanto nos aproximávamos. "Ou nos tiram daqui, ou tiram o Código de mim. É um palco para o assassino, Serafiny. O EMP foi a marca tática de elite ,isso é maior que a Máfia, é pessoal." "Temos que achar que os mercenários já descobriram que o pendrive falso é uma armadilha e estão vindo," disse Serafiny, olhando o mapa do Teatro no tablet. "O ensaio geral da ópera russa, Eugene Onegin, começa em vinte minutos. O Barão local está na lista de convidados." "Sebastian escolheu bem. Eugene Onegin é sobre um duelo por causa de uma traição de honra. Ele está me dando a história," eu disse, ajustando o colete. "O nosso alvo não é m***r todo mundo. É seguir o rastro." "E se for ele lá? E se o Isco for o alvo que o seu pai queria, para proteger o clã?" Serafiny perguntou, e pela primeira vez, a pergunta dela não era só sobre tática; era um teste à minha força. Eu levantei os olhos para ela, a Executora tomando conta de mim. "Se ele estiver, ele é o meu primeiro alvo. Ele tem que morrer para o clã sobreviver." "É uma escolha esperta, Íris," respondeu Serafiny, o rosto sem expressão. A concordância fria dela me gelou mais que o ar de Odessa. A Valsa da Infiltração Entrei no Teatro pela porta de serviço, me misturando com os técnicos de luz. A sala principal era enorme. O palco estava sendo arrumado. O som dos instrumentos aquecendo criava um barulho bagunçado, perfeito para esconder o que eu fazia. "Estou dentro. Três homens armados no corredor do Camarote 7. São os mesmos do apartamento, Vão ser os meus primeiros alvos," sussurrei no comunicador. "Entendi. Estou garantindo a entrada dos túneis de serviço. Eles tentam entrar pelos fundos. Você tem vinte minutos, Íris. Depois, ativo o Protocolo Ares," respondeu Serafiny. Eu subi as escadas. Não os enfrentei. Deslizei para uma sala de roupas ao lado. Eles passaram por mim. Não fui ao Camarote 7. Fui ao Camarote 6, que era uma sala de segurança com acesso aos fios de luz. Rastejei pelos dutos de ar até o controle de luz. Com um corte rápido, parti os fios principais. O palco e o camarote mergulharam na escuridão total. O silêncio curto foi quebrado pelos gritos da orquestra. "Fogoo! Onde está o Código?" ouvi a voz do chefe dos mercenários gritando. Na bagunça, deslizei para o Camarote 7. Eu tinha que estar lá para ver o que eles procuravam. Eu tinha que ver a marca dA Pessoa Que Sabe Mais. Plantei o meu segundo truque, um pendrive vazio que mandava um sinal de rádio, no respiradouro. Me escondi debaixo da poltrona principal do Camarote 7. Os três mercenários voltaram, usando óculos para ver no escuro. "O Código deve estar aqui. Ele cortou a luz para nos forçar a sair," sibilou o líder. Eles revistaram a sala. Um deles achou o pendrive que eu plantei. "Achei! É o pendrive Corleone. Vamos embora!" O líder, porém, parou de repente. Ele olhava para o pequeno espelho na parede. Tocou no espelho e ele deslizou, revelando um esconderijo. Eles não procuravam um pendrive que desse controle do Leste. Procuravam algo físico que o meu pai ou Sebastian teriam escondido. O esconderijo tinha só um item: um pequeno cartão de ópera, preto e dourado, do Teatro de Odessa. Não havia código, nem mapa. Só um nome escrito à mão, na letra de Sebastian: "Onde o Fogo Encontra o Gelo." Isso não era uma pista de resgate. Era um enigma. Era o jeito de Sebastian me dizer que a próxima parte da caça não era sobre lugares, mas sobre pessoas. O Teatro era um ponto de encontro, não o fim. "Onde o Fogo Encontra o Gelo" era o nome da mansão de verão da família Corleone na Sicília, um lugar de velhas tradições e segredos. Ele me mandava para o centro do perigo. Ele me chamava de volta para o Trono. O mercenário pegou o cartão de ópera. Não esperei. Atirei. O tiro, quieto pelo supressor e pelo som da orquestra voltando, acertou a cabeça do líder. Os outros dois caíram rápido nas minhas mãos. A Executora não perdoa. Saí de debaixo da poltrona, peguei o cartão das mãos sangrentas do líder e deslizei para fora do camarote. A minha tarefa estava feita: eu peguei a pista e os mercenários levaram o pendrive falso. "Serafiny, Protocolo Ares. Ative o desvio," sussurrei no comunicador. "Odessa acabou. Vamos para a Sicília." "Entendi, Íris. Que a caça a Sebastian seja a sua última," respondeu Serafiny. O tom dela era tão calmo que me deu arrepios. Eu segurei o cartão de ópera de Sebastian. Ele me mandava para o coração do perigo. Ele me chamava de volta para o Trono, onde a verdadeira luta esperava. O jogo do Isco Vivo estava terminando. O Trono vazio era a armadilha final.
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