(Ambientação: Camião de Carga / Museu Kunsthaus Zurich) A viagem de camião até à fronteira suíça foi um teste de resistência física e mental que eu não desejaria ao meu pior inimigo. O espaço era claustrofóbico, o ar era rarefeito e o cheiro a tecidos industriais tornava cada respiração um esforço. Eu sentia cada solavanco da estrada como se fosse um golpe direto na minha coluna. A Alice, coitada, tentava dormir no meu colo, mas o barulho do motor e o frio que entrava pelas frestas do metal tornavam o descanso impossível. O Marco estava num canto, a sua silhueta massiva quase imóvel, mas eu via o brilho dos seus olhos sempre que passávamos por baixo de uma luz de estrada. Ele era o meu escudo, mas até os escudos começam a rachar sob tanta pressão. Cruzar a alfândega foi o momento mais t

