O som da cafeteira preenchia o silêncio da cozinha como uma trilha de fundo para a confusão interna que dominava Isadora naquela manhã. A luz suave do sol filtrava-se pelas janelas da cobertura, refletindo em sua pele ainda arrepiada de lembranças. O beijo da noite anterior. Não foi um impulso. Não foi encenação. Foi real. E isso a assustava mais do que qualquer contrato. Estava de pé, de frente para a bancada de mármore, com a xícara nas mãos, mas sem beber. O gosto que ainda sentia era o de Leonardo — seu cheiro, sua boca, a firmeza das mãos dele ao segurá-la. Como se, por um momento, tivessem se pertencido de verdade. E depois... ele simplesmente recuou. Nenhuma palavra. Nenhuma explicação. Apenas o barulho da porta do quarto dele se fechando. Agora, ela não sabia o que pensar.

