Isso é... uau! ― eu me assombrei com meu próprio tom de voz, me deliciando com a visão enquanto sentia a brisa morna afastando meus cabelos. Aquele lugar não era de fato tão r**m.
Acho que sou a única pessoa a vir aqui. As ruínas não costumam ser a preferência da maioria. Mas para alguém fragmentado, esse é um ótimo lugar para se estar.
Melhor do que a minha casa? ― a pergunta saiu sem pensar, e eu quase tive v*****e de enfiar a cabeça num dos muitos buracos ao nosso redor quando as palavras fugiram.
O olhar surpreso de Eron me encontrou, suas íris ficando mais douradas enquanto suas pálpebras piscavam.
Eu... meu Deus, não! Eu não disse isso. ― ele replicou, e foi impossível impedir que minha mente voasse para o beijo na cozinha daquela manhã, o que parecia ser a mesma coisa acontecendo por detrás daquelas pupilas escuras e cada vez maiores. ― Eu só... ― ele desviou novamente os olhos, respirando fundo, completamente frustrado e parecendo ter muitos anos a menos. ― Eu estava aqui, pensando sobre a queda e o fogo. As duas coisas sempre têm muito em comum, e isso é pesaroso.
Arquei, meu cenho franzindo e a confusão se enroscando em minha garganta. Certo. Eu meio que não esperava por aquilo, mas tão pouco consegui dizer algo antes que ele prosseguisse.
Eu ainda não sei o que pensar sobre a queda, mas sei que ela é inevitável. Você lembra de Ícaro, Ev? ― ele perguntou, seus olhos perdidos em meio ao nada enquanto divagava, não parecendo estar à espera de uma resposta.
Ícaro estava livre. Poderia ser ou fazer qualquer coisa que quisesse. Aquelas asas garantiam que ele poderia. Mas ele quis ir mais longe, atraído pelo calor e pelo fogo, o fascínio pelo inexplicável, chegando mais perto até que se tornasse insuportável. Foi imprescindível e inevitável ao mesmo tempo. Suas asas queimaram, e ele caiu. Você percebe a razão de sua queda? É o que acontece quando as pessoas chegam perto demais do fogo. Ou elas se queimam, ou elas caem.
Surpresa, eu estava prestes a perguntar se Eron estava bem, não conseguindo chegar nem perto de seu ponto de vista. Mas antes eu pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, fui empurrada de costas contra o chão morno, e no
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próximo segundo, Eron estava em cima de mim, quente, alcançável e enlouquecedor.
Era isso que ele fazia com minha cabeça. A enlouquecia.
Suas mãos estavam firmadas ao redor de minha cabeça, sustentando o corpo magnífico numa distância torturante, e seus olhos completamente dourados chiavam em minha direção. Era impossível descobrir onde a respiração dele começava e onde a minha terminava. E tudo era ele e o mundo rodando na minha cabeça.
Você não tem medo de se queimar, Ev? Não tem medo de cair?
A pergunta pareceu levemente retórica, mas foi impossível pensar em responder com aquele poder em cima de meu corpo, provando todos os meus limites de sanidade enquanto arrepios crepitavam por cada pedaço de minha pele.
Eu acho que já me queimei... ― eu finalmente ofeguei, incapaz de resistir ao calor de sua proximidade.
Eron abafou um gemido, sua mão descendo para minha cintura, afagando a pele por baixo da camiseta e se infiltrando por baixo dela logo depois. Seus dedos grandes encontraram a pele nua e arrepiada, e ele grunhiu alguma coisa inteligível enquanto meu mundo explodia em vermelho para dentro dos olhos.
Ev... porque? Porque isso precisa ser tão complicado? Você faz todas essas coisas comigo, e eu não consigo entender como. Eu sou a essência do fogo, eu sou insondável. Não existe uma maneira de dobrar o fogo em mim...
mas você... ― ele desceu seu rosto, violando do espaço que nos separava e descendo a ponta do nariz por meu pescoço ― Mas você... porque você tem de ser tão... tão... tão... tão boa?
O chiado fino escapou por meus lábios, minhas mãos encontrando a curvatura sexy entre seu pescoço e os ombros enquanto eu o deixava enlouquecer um pouco mais a minha cabeça.
Talvez as pessoas só sintam livres de verdade enquanto estão caindo...
eu ofeguei, o atraindo para perto quando seus lábios roçaram a pele sensível de meu pescoço, esbaforindo pequenas rajadas de calor perto de minha orelha.
Talvez a queda seja melhor... bem melhor... oh, Deus! ― o gemido escapou quando os quadris de Eron se afundaram de forma indelicada na parte inferior de meu corpo, e o prazer explodiu em ondas brilhantes por minhas pálpebras, se convertendo num amontoado de nós por meu estômago.
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Ah, Deus... ― Eron grunhiu, sua mão descendo para minha coxa num aperto firme e desestabilizante ― Eu quero cair, Ev. Desesperadamente. O mais fundo que eu puder.
E tudo fazia sentido novamente. Ali, naquele momento, tudo era certo, tudo estava no lugar, tudo estava em seu eixo de origem. As lembranças do que eu havia ido fazer ali fugiram para algum lugar sem importância, se escondendo atrás de uma porta que fiz questão de fechar.
Meus dedos deslizaram para sua nuca, se embrenhando em seus cabelos, e meus lábios se entreabriram por v*****e própria.
Me beije... apenas me beije.
Eron ofegou, seus dentes se trincando enquanto seus olhos se fechavam, parecendo buscar um controle sobre-humano e impossível.
Eu... eu... não posso. Ev, por favor, eu não posso.
Por que?
Eron apertou meu corpo contra a grama, e o cheiro de orvalho tomou minhas narinas, mas sua busca pelo controle ainda estava ali, enquanto ele repousava a testa sobre a minha, seu peito descendo e subindo de forma poderosa.
― Ev... se.. se eu te beijar agora, eu não vou conseguir parar...
A realidade me acertou, galopando em marcha por meu peito. Mas eu não conseguia me livrar do poder da presença dele, então eu a chutei para longe novamente. Eu não fazia muita ideia do que estava oferecendo, mas minha cabeça me alertava que Eron... era tudo que eu queria.
A palma de minha mão desceu por seu peito, experimentando o calor abrasador dos músculos rígidos enquanto cada ponta do corpo de Eron estava tomado de tensão.
― Talvez... talvez você não precise parar.
Seus olhos se abriram, alertas, todo o dourado do mundo concentrado dentro deles, e ele engoliu de forma tensa, se afastando o quanto permiti.
― Não. Isso... não! Eu não vou machucar você, Eve.
Retesei, decepcionada, ainda tentando acreditar que eu estava prestes a dizer aquilo.
― Mas você... você não vai me machucar.
Eron voltou a fechar olhos, balançando a cabeça.