Dublemore piscou, seus olhos mais azuis enquanto acompanhava a teoria.
Isso me parece razoável. Quando tirou essas conclus ões?
Mamãe teve visões. Nada muito explícito, mas ela está sentindo.
Alguma coisa está a caminho, prestes a acontecer ou simplesmente se consumando. Ela tem estado assustada com as constantes ondas de mudanças no futuro. Eu só... liguei as coisas.
Dublemore engoliu, o mau agouro cortando caminho por seu peito enquanto ponderava as palavras da pequena garota a sua frente.
Acha que isso pode ser relacionado à Eveline?
Eu não sei. Realmente não sei a que se refere, mas a que mais poderia ser? O nosso mundo acabou de se recuperar de um grande transe... tudo está calmo demais. E você sabe o que costuma vir depois da calmaria. ..
Dublemore assentiu.
Se havia alguém para ter experiências bastante desagradáveis com esse tipo de metáforas... bem, ela era essa pessoa.
Então... o que você sugere?
Uma ideia i****a. Pense: estamos procurando apenas nas sessões proibidas. Qual seria o lugar mais i****a em que se procurar?
Os olhos de Dublemore se abriram mais, e ela rapidamente se desprendeu da estante, correndo velozmente em direção as escadas que desaguavam para as galerias inferiores, sem parar para se conter e pulando por cima do patamar, usando de suas habilidades para girar sobre as grades e cair na última galeria.
Edra a acompanhou, e isso a surpreendeu.
É claro! Como não havíamos pensado nisso antes? As sessões livres!
Quem sabe até as infantis...
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Ambas se lançaram sobre as pilhas de livros infantis esquecidos numa pilha de arquivo morto nos pontos mais reclusos da última estante, e logo depois de alguns minutos, Dublemore gritou, assustando Edra ao seu lado.
― Aqui!
O encadernado era simples, uma capa marrom disforme e puída parecendo ter milênios de existência o revestia, e não havia nenhuma identificação na capa a não ser um pequeno nome manuscrito em caneta tinteiro na ponta direita inferior: EVANGELINE TRAVIS.
Mas espere... Travis? ― Dublemore estranhou, passando os olhos e o dedo indicador acima das letras miúdas ― Que diabos? Eu achei que...
Ora! Deixe disso! ― Edra tomou o acadernado de suas mãos, sorrindo misteriosamente ― Nós achamos. O restante agora é com Eveline e os demais .
Dublemore piscou novamente.
Mas...
Dubb... ― Edra se aproximou, a silenciando com o indicador enquanto levantava as sobrancelhas.
O que eu disse a você sobre deixar de pensar com coerência? O que eu disse sobre ideias idiotas?
Sentindo o rubor se alastrar por suas bochechas congeladas, Dublemore engoliu, o formigamento familiar fazendo conexão com seu peito e trabalhando em todos os seus membros. Ele parecia se ativar automaticamente quando Edra lhe enviava aquele olhar.
Eu... receio não ter compreendido.
Num movimento inesperado, no qual Dublemore jamais seria pega em outra ocasião, ela se viu sendo jogada sobre uma cadeira próxima, pouco antes da criatura semelhante a uma ninfa passar um joelho sobre suas pernas, sentando-se em seu colo e empurrando suas costas contra o encosto.
Então permita-me explicar-lhe, garota da neve...
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Você... você... ― era tudo que eu conseguia repetir, meus olhos travados no ser abstratamente loiro amontoado em meu sofá. ― Você... quero dizer... O QUÊ?
Hanna Winchester não desviou seus olhos dos pedaços de carvão, e quase me senti ofendida por perder sua atenção para eles.
Você me ouviu muito bem, Eve’s. Não preciso repetir.
No inferno! Pare de malditamente me chamar de “Eve’s”! E você por acaso está ciente de que para se tornar uma Falange Gurreira, é necessário ter afinidade com algum dos elementos?
Eu tinha sua atenção. Seus olhos azuis se prenderam nos meus, as sobrancelhas curvas se arqueando como se ela estivesse esperando esse argumento.
Não é bem assim. As Falanges Elementais são únicas obrigatoriamente regidas pelo senso a se tornarem Falanges Guerreiras. O Códice não diz nada sobre Falanges que não sejam Elementais se oferecendo para treinar.
Em face de tudo, eu só conseguia piscar. E porque eu não tinha enfiado um garfo em seu peito quando tive a oportunidade?
Deus... se eu dominasse o fogo agora eu totalmente queimaria seu traseiro.
Você tem a mínima ideia do que está propondo? O que deu na sua cabeça, Hanna Winchester? O pouco de cérebro que você tinha escorregou pelo nariz em forma de gosma gigante? Você acabou de falar em aprender a lutar, arrancar vísceras, discrepar seres vivos. Sabe, sangue, sujeira e... mais sangue. E muitas unhas quebradas. Isso eu posso assegurar.
Seus olhos transmitiram pânico por uma pequena fração de segundos, que se diluiu rapidamente quando ela se levantou sobre os saltos, uma postura decidida a delineando contra a decoração âmbar de minha sala.
Eu quero isso. Já tomei minha descisão, e nada do que você vá me dizer vai mudar meu ponto de vista. Eu cansei de ser isso, Eve’s! Não me trate como se me conhecesse.Eu caí muito, e com isso, aprendi a quebrar. Então, tive que aprender a ser como vidro quebrado: tive que aprender a cortar. Não
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tente me privar de realmente ser algo que eu quero ser pela primeira vez desde que descobri que tenho sangue Falange.
Não sei como aconteceu, mas quando dei por mim, eu já estava a guiando pelas escadas em direção a um dos quartos, ainda meio incerta sobre o que fazer com Hanna Winchester. Talvez seu traseiro de bruxa não funcionasse enquanto ela dormia, o que dizia que eu poderia tentar afogá -la com um travesseiro. Ou talvez...
Seu namorado esteve por aqui. ― ela disse, e não foi uma pergunta.
Ele tem um nome. ― repeli, incapaz de conter minha curiosidade só para mim e minha língua parada dentro da boca. ― E como você sabe?
Hanna deu de ombros quando olhei sobre os ombros, e tenho que dizer: a visão de suas malas flutuando atrás dela como cachorrinhos alienígenas cor de rosa enquanto ela me seguia era tanto bizarra quanto de dar arrepios.
Eu sei lá. É estranho, esquisito e nojento. ― ela disse, se sacudindo como estivesse tentando se livrar de algo quando parei a frente da porta de um quarto vago ― Eu meio que... sinto ele em você. Ou você sentindo ele. Vocês por acaso não andaram fazendo... argh... aqui-
Eu me virei enfurecida.
Quais as probabilidades de você ter algum AVC intestinal?
Isso ao menos existe?
Eu adoraria descobrir os possíveis resultados em você.
Me desejar um AVC intestinal não muda os fatos: eu sou sua irmã.
Ok, obrigada por lembrar... eu quase havia esquecido. Posso vomitar
agora?
Ela deu de ombros, suas malas ainda flutuando ao seu redor.
Contanto que não seja em cima de mim. Agora, vocês fizeram não fizeram? Fizeram aqui-
Não! ― eu cortei ― Nunca termine essa insinuação! Regra número 1:
eu levantei um dedo à frente de seu rosto ― Você não fala de s**o comigo, tipo, nunca!
Pelos bebezinhos conjuradores! Você falou essa palavra! A imagem totalmente se impregnou na minha mente e... ― ela levou as mãos ao rosto com uma careta. ― Ah, meus olhos! Eu realmente pensei nessa cena!