Sangue Que Une

1008 Palavras
— Escute algo, Eve’s: eu sou uma Falange, quer você queira quer não, e eu tenho todo direito de estar aqui, da mesma forma que você tem. Espero que isso seja o suficientemente claro sobre isso. — Não, você não tem o mesmo direito de estar aqui do que eu! E pare de me chamar de “Eve’s”! Ela rebolou os olhos dentro das órbitas. — Que seja. Posso até não ser uma Natural Elementar cheia de dons ou a preferidinha de alguma estrela i****a, mas ainda assim, eu sou uma Falange, e eu estou aqui porque Miriad aceita todas as Falanges que queiram estar. Argumentos. Onde estão eles? — Espere só até tia Peg chegar e ver você aqui. — eu disparei meu canhão, mas antes que pudesse escutar o bum, ela apenas deu de ombros. — Foi sua tia quem me convidou. — COMO-É-QUE-É!? — Eu só... — ela suspirou, se deixando cair em meios aos estofados, e um puro sentimento de derrota se estampou em todas as suas linhas faciais — Como você acha que eu sei de tudo? Desde pequena, Pégasus me ensinou sobre nosso mundo, Eve’s. E por mais que eu a odiasse por tudo, não pude negar a ajuda em entender todas as partes de mim que me tornavam... esquisita. Milhares de respostas rudes e irônicas se alinharam em minha língua, batendo continência e esperando pelo “Fogo!”, mas tudo que consegui fazer, foi piscar diante de sua figura abatida. E de repente, eu estava cansada demais para discutir ou encontrar argumentos para chutar seu traseiro. E não era como se eu precisava de muitos. — Eu não acredito que você está confessando que dizia todas aquelas coisas horrorosas sobre minha tia mesmo enquanto ela te contava sobre coisas que nunca contou a mim! Não acredito que você sempre foi tão... vaca como ela mesmo depois que te revelou tudo que sempre me privou de saber! Você é tão... desprezível! Ela não respondeu. 77 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Ao invés disso, se manteve centrada em manter sua atenção focalizada na lareira apagada, enevoada nos tons de cinza que ainda salpicavam o ar, as brasas amontoadas no fundo convertidas em pequenos pedaços escuros de carvão. — Você não entende. Você e sua vidinha perfeita. Eu sempre tive problemas em lidar com tudo isso. O suspiro balançou minhas estruturas. — Sim, Hanna Winchester, essa foi a primeira coisa sensata que você disse em toda a história da humanidade: você tem problemas. Ela voltou a emudecer, e eu voltei a encarar meu problema com os olhos esbugalhados. Ela era como um teorema de Pitágoras: eu sabia e conhecia o que era, eu só não sabia lidar com ele e encontrar um jeito fácil de solucioná-lo. — Ela me convidou a vir. Antes de tudo acontecer. Antes mesmo de seu namorado chegar. Ela me disse que aqui eu encontraria paz, que me livraria da família arranjada que nunca me aceitou de verdade. Que eu poderia... começar de novo. A surpresa dançou por mim, encontrando falhas em todas as minhas suposições, que foram por água abaixo assim que seu tom sincero e consternado me envolveu. Levei os dedos a fonte, tentando clarear os pensamentos. — Hanna, eu vou tentar mais uma vez: o que você quer “aqui”? Ela levantou os olhos, deslizando-os pelos meus e deixando a determinação coroar suas palavras. — Eu quero me tornar uma Falange Guerreira. 78 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. — Tem de estar aqui... eu juro que o vi em algum lugar... — Edra Pinnbolrg assegurou enquanto dedilhava os milhares de exemplares de capa puída e empoeirada enquanto seus olhos terrosos se estreitavam no rosto pálido. — A Biografia de Evangeline não seria algo que eu não conheceria. Eu vi! — Bem... continue procurando. — Dublemore se conteve em dizer, procurando em uma prateleira próxima a sua — Se estava aqui uma vez, deve ainda estar em algum lugar. Isso n******e simplesmente ter sumido de uma hora para a outra. Edra parou por um momento, como se estivesse pensando sobre algo. Logo depois, seus olhos encontraram os olhos gelados de Dublemore, que a inspecionava por entre a fresta entre alguns livros. Dublemore rapidamente desviou o olhar, as faces coradas de repente. Edra fingiu não ter percebido. ― Sabe o que é i****a? Dublemore não escondeu sua surpresa. Seus cabelos brancos amarrados num r**o de cavalo chicotearam suas costas enquanto ela endireitava a coluna. ― O que é i****a? ― Estamos tentando ser inteligentes. Sabe, tentando ter as melhores ideias para obter as respostas. Dublemore pensou por algum momento. ― Não estou certa sobre ter entendido seu ponto de vista. Edra suspirou, se levantando e a encontrando do outro lado da prateleira da enorme biblioteca. Ambas estavam na última galeria da biblioteca da Academia, e as mesas e cadeiras dispersas ao redor de ambas pareciam ter participado de um grande tornado, jogadas e desarrumadas. Mas de certa forma, elas tinham: alunos Falanges. ― Pense comigo: no que ainda não pensamos? Dublemore hesitou. ― Hum... acho que em tudo, menos em uma resposta coerente. ― Não tente ser coerente. ― Edra atestou, balançando a cabeça em tom desaprovador ― Veja, vamos pensar de forma i****a por um momento. Qual seria o último lugar onde Zórem maluca esconderia uma biografia que ela queria que ficasse longe de Eve? Dublemore piscou, cruzando os braços e se recostando na estrutura de madeira. 79 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Não tenho certeza. Exatamente. ― Edra se aproximou um passo ― Veja, o último lugar, seria em uma biblioteca pública. Mas todos dizem que viram...- Exatamente. Porque isso era o que Zórem queria que pensássemos, para que passássemos o resto dos dias ocupados, procurando e procurando entre livros e mais livros, o suficientemente distraídos com isso até que alguma coisa acontecesse. Não lhe parece óbvio? É quase como se ela soubesse o que íamos fazer. Que alguma coisa ia acontecer nesse meio tempo.
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