Lev Bolshakov
Alguns casais saem para passear em restaurantes caros, outros em bares e baladas, e alguns até para acampar e poderem ter mais privacidade.
Porém, eu e Adelie somos um pouco diferentes. Agora, por exemplo, estamos rastejando em um gramado, enquanto uma chuva leve cai.
Descobrimos que o dono da gangue mora em uma zona nobre, e que por mais que os vizinhos chamem a policia pelo som auto ou barulhos de tiro, o homem parece ser muito protegido por algumas pessoas importantes, sendo assim, acaba se livrando das acusações.
Assim que paramos na porta dos fundos, notamos uma movimentação muito grande na casa. Não é pequena, mas também não é enorme para esse tipo de movimento.
_ Eles têm um porão, e é enorme! _ Murmurou Tulio ao olhar as câmeras de segurança da casa.
Graças a Benno conseguimos as câmeras sem que eles percebessem e as imagens do lado externo onde estamos estão travadas na mesma cena.
_ Vamos logo, podem ter reféns! _ Disse Adelie ansiosa.
_ Espere, vamos seguir o plano! _ Repreendi.
Adelie não gostou, e notei seus olhos desviarem para a janela, procurando alguma coisa. Será que ela sabe de alguma coisa que eu não saiba?
Ficamos quase cinco minutos parados no meio da chuva. Tulio acionou um alarme na frente da propriedade, chamando atenção dos homens.
Alguns começaram a se deslocar para o lugar onde o alarme estava tocando, enquanto outros corriam para todos os lados escondendo alguma coisa no tal porão.
Tulio deu o sinal, e finalmente invadimos.
Primeiro, os nossos homens chegaram atirando, baleando quem estava a frente. Adelie correu em direção a um corredor, e assustado com sua atitude, corri atrás.
Minha noiva fez algo que eu nunca havia visto. Ela correu em direção a um homem que estava vindo em nossa direção. Ela pegou impulso e pulou com uma perna em cima de uma pequena mesa que havia ali, e em seguida jogou as pernas em direção a cabeça do homem, ficando praticamente em sua garupa. Ela rodopiou o corpo, impulsionando o homem a cair para trás, e em um jogo perfeito, Adelie quebrou o pescoço do infeliz, deixando-o retorcido no chão.
Ela nem sequer caiu, saiu andando como se não tivesse feito nada. Eu não podia ficar atrás, então corri atrás dela.
Fomos surpreendidos por um homem relativamente enorme, que daria medo em qualquer um.
Ele estava desarmado, e por isso puxei minha faca que ganhei do meu pai. Adelie ia avançar, mas parou quando viu outro homem menor vindo nos atacar.
_ Eu fico com esse! _ Anunciei.
Ela apenas concordou e iniciou uma luta corporal com o outro homem.
O cara que tentava me cortar com sua faca parecia amador, na verdade, todos eles parecem.
Desferi um golpe em seu braço, forçando-o a largar o objeto cortante, e quando ele veio com o outro punho fechado me acertar, desviei e com um corte rápido atingi seu pescoço, fazendo jorrar sangue.
Quando olhei para o lado, Adelie havia f**o o mesmo movimento, e me olhava e ria.
_ Somos almas gêmeas, bonitão! _ Disse ela feliz.
Adelie estava coberta de sangue, porque o homem que ela cortou era um pouco maior, e o jato havia atingido seu rosto e seu peito.
_ Vamos, os tiros estão cessando! _ Falei ao garantir que os homens estavam mortos.
Adelie me seguiu, e quando entramos na sala parecia uma cena de guerra.
Haviam muitos mortos, e por sorte nenhum dos nossos. Descemos até o tal porão, e me surpreendi com o que vi.
_ É um laboratório de drogas. _ Disse minha noiva.
_ É perfeitamente organizado, incrível! _ Elogiou Tulio.
Adelie passou por nós, adentrando mais o ambiente. Caminhei atrás dela com pressa para alcança-la. Não quero ela andando sozinha, mas agora sei que ela não é uma garota fraca e frágil.
_ Droga.. _ Murmurou.
_ São viciados, Adelie. _ Pontuei ao observar as três pessoas com correntes em seus pés.
Era mais do que óbvio que todos ali eram viciados, e que não valeria a pena nem sequer tentar salva-los. Provavelmente vieram para serem usados como cobaias, ou acabaram nas mãos na gangue por deverem alguma coisa.
_ Precisamos leva-los para um hospital, Lev! _ Adelie olhou para mim com um olhar piedoso.
Senti meu peito se enchendo de orgulho por ter alguém tão perfeita ao meu lado.
Agarrei sua mão e puxei seu corpo para ficar contra o meu. Queria falar mil coisas bonitas, ainda mais por vê-la tão tingida de vermelho, mas me segurei.
_ Senhor, pegamos alguns homens no andar de cima para interroga-los. _ Disse um soldado para Tulio.
_ Lev, pode cuidar disso? _ Perguntou o homem.
Tulio havia se ocupado em mexer nos computadores e pegar arquivos que estavam ali.
_ Claro. Você vem? _ Perguntei para Adelie.
Ela sorriu e passou na minha frente.
Subimos as escadas e tive que admirar como essa garota fica bonita com roupas desse tipo. Roupas que indicam o quão bem armada ela pode estar.
Adelie está completamente de preto, com uma trança enorme que vem do topo de sua cabeça até sua cintura. Eu poderia fazer loucuras com ela assim.
_ Se concentra Lev.. _ Murmurei.
Adelie olhou para mim e riu. Pisquei algumas vezes, espantando qualquer pensamento impuro. Ainda não é o momento, mas quando for, vou aproveitar muito.
Chegamos no quarto e os homens estavam amarrados de costas um para o outro. Um deles era novo e o outro muito velho.
_ Sempre tem um velho barrigudo e nojento no poder, né? _ Disse minha noiva.
_ Sim, parece requisito. _ Murmurei.
Adelie não esperou por nada. Ela pisou bem no meio das pernas do velho barrigudo. O homem gritou de dor enquanto minha viborazinha ria.
_ Vamos lá, desembucha que estamos sem tempo. Por que mandaram me m***r? Quero um motivo melhor do que “ precisamos nos livrar dos inimigos”. _ Disse ela revirando os olhos como se estivesse entediada.
Achei uma verdadeira graça.
Me sentei para assistir Adelie dar um verdadeiro show. Cada movimento que ela fazia, cada dedo que ela quebrava me deixava ainda mais apaixonado. Ela cravou a adaga no velho de uma forma tão bonita, que suspirei de paixão.
Senti meu corpo inteiro ficar quente, como se eu estivesse com uma febre extremamente forte.
Ela acabou com o velho em segundos, sujando ainda mais seu corpo com sangue inimigo, e me fazendo ainda mais doido por ela, mesmo que sem intenção.
Como pode? Não somos normais! Não é natural achar sexy e bonito sua noiva rasgando pescoços, quebrando ossos e gargalhando feito uma maluca enquanto desfigura uma pessoa.
Mas é isso que eu acho. Bonito. Adelie está simplesmente me deixando maluco somente com esses atos tão antinaturais.
_ E-Eu juro que estou falando a verdade... _ Disse o outro homem mais novo, já que o velho já se foi há muito tempo.
_ Ele diz a verdade, viborazinha. _ Murmurei todo bobo.
_ Por que você acha isso? _ Perguntou ela meio contrariada.
_ Por que você já arrancou todos os dedos dele, acho que ele fala a verdade. _ ME levantei, estralando minhas costas. _ Vamos atear fogo em tudo?
Eu sabia que se dependesse de Adelie ela arrancaria cada pedaço do homem ali, somente para se divertir, mas a ideia de colocar fogo na casa, com ele dentro e vivo, a deixou ainda mais alegre, e seria bem mais rápido.
_ Sim! _ Respondeu feliz.
Adelie pulou no meu colo e me beijou, deixando-me ainda mais em apuros. Quando ela desceu começou a me olhar com um jeito sapeca.
_ Está duro feito pedra, senhor Bolshakov! _ Murmurou.
_ Como não ficar? _ Dei de ombros.
Decidi descer na frente, pegar os produtos inflamáveis do laboratório e atirar por tudo com ajuda dos soldados. Quando parei na porta Adelie veio com o isqueiro e um sorriso no rosto.
Tulio e os homens já estavam longe entrando nos carros, já que obviamente a casa explodiria.
_ Pronta pra correr bastante? _ Perguntei já sabendo do perigo que aquilo poderia ser.
_ Sim! _ Disse ela ansiosa.
Adelie acendeu o isqueiro e jogou no chão.
Na mesma hora as chamas começaram a tomar conta do lugar. Adelie e eu começamos a correr, e fiquei impressionado com a velocidade que ela consegue correr.
Quando estávamos longe da casa ouvimos a primeira explosão. Adelie pulou dentro da van e eu também. Ela não parava de rir e acabei me contagiando com a risada maluca dela. Nos jogamos nos bancos da van enquanto o soldado dirigia e Tulio observava tudo do banco da frente.
Olhei para ele que deu uma piscada rápida para mim. Acho que finalmente encontrei um jeito de agradar a minha noiva, e ficar mais próximo também.