Capítulo 6

1128 Palavras
Adelie Cortez _ Quebre os dedos dele, Max, minhas mãos estão doendo! _ Resmunguei ao limpar minhas mãos na água corrente da pia. Estamos no meio do mato em busca de pistas. Meu primo na Alemanha conseguiu informações bem interessantes e proveitosas, que nos levaram até um espião albanês, mas o desquerido é incrivelmente forte, e não cedeu aos meus métodos. Pode ser que uma mão masculina na pele dele ajude a soltar a língua. _ Acho que estou fora de forma, poxa, meu corpo todo está doendo… _ Murmurei ao ouvir os gritos dele com Max quebrando seus dedos. _ O filho da p**a é bem resistente, a culpa não é sua. _ Disse Max ao se afastar do homem que ficou abalado com a dor. _ Meu tempo está acabando, amigo, e se eu não conseguir nenhuma pista, essa viagem terá sido perda de tempo! _ Soltei um longo suspiro. Max se aproximou e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto. _ Vamos descobrir alguma coisa Adelie, não fique em pânico. _ Ele também suspirou. Estamos cansados, destruídos. _ Vou dar uma volta no bar, preciso beber alguma coisa. _ Você não pode se expor muito, senão aquele maluco vai aparecer! _ Ele se referia a Lev, que intensificou a espionagem sob meus ombros. _ Eu sei, e na verdade é isso que eu quero. Preciso fazer o papel de boa moça indefesa, senão ninguém vai acreditar. E também… estou morrendo de saudades daquele b****a! Ele começou a rir. _ Vai lá, mas tenta não ficar vulnerável, logo logo ele aparece pra salvar a princesa indefesa! _ Ironizou Max. _ Ciúmes, senhor “não quero morrer antes da hora” e “fica longe de mim, eu gosto do meu pescoço”? _ Agora foi minha vez de ironizar, e Max soltou uma risadinha. Logo em seguida, ele acertou o rosto do homem com força, fazendo-o cuspir sangue. _ Nossa, acho que é ciúmes mesmo! Saí da cabana que fede a mofo e umidade. Peguei a moto que Max estava usando e o deixei com o carro não rastreável que usamos para trazer o traste até aqui. Assim que parei na cidade respirei fundo e fui até o bar. Talvez o barman tenha alguma informação, já que ele conhece muitas pessoas, e a máfia é de conhecimento coletivo aqui. Assim que sentei no bar, puxei minha carteira de identidade falsa. O barman, que deve ter o dobro da minha idade, ergueu uma sobrancelha e soltou uma risada. _ Você de novo com essa porcaria falsa? _ Sua voz saiu baixa enquanto me olhava. _ Porcaria? Isso aqui custou caro, sabia? _ Com certeza você é filhinha de papai e não sabe escutar um não. _ Ele bufou. _ Poxa, seja legal comigo, e me faça um suco alcoólico, eu vou pagar! _ Não é sobre dinheiro, pestinha, é sobre consciência! _ Ele começou a pegar os ingredientes e começou a fazer a mistura. Comecei a rir, pensando que talvez Sebastian tivesse cedido para a minha insistência, mas quando ele colocou um canudo cor de rosa e soltou uma risadinha, estranhei. Assim que puxei a primeira golada, senti o doce do morango, e o sabor da água com gás. _ Poxa! _ Resmunguei. A bebida estava boa, e não quis fazer desfeita. Tomei tudo, e deixei meus pensamentos passearem por aí. Me senti péssima por estar tão lenta assim nas minhas buscas, mas devo admitir que tenho consciência de que estou me enfiando em uma coisa que pode ser muito maior do que eu imagino. Suspirei e baguncei meus cabelos, que agora estão mais longos do que eu gostaria. _ Preocupada? _ Perguntou Sebastian. _ Sim, problemas da vida adulta. _ Falei com ironia, referindo-me a identidade falsa que diz que tenho vinte anos. Sebastian começou a rir e eu embarquei junto. Um homem estranho sentou ao meu lado, ele me olhou diversas vezes, e sabe aquela sensação de que a pessoa tem muitas intenções ? O olhar dele parecia de homem t****o, nojento, e minha bebida quase voltou. Ele me deu um sorriso, perfeitamente branco e alinhado, e suas roupas são em um tom bege claro, o legítimo predador. Esse bar é no estilo rock de garagem, e todos aqui se vestem de acordo. Já ele está chamando atenção por suas roupas de filhinho de papai com mais de trinta anos. _ Uma bebida, por favor. _ Pediu com sua voz afinada. Voltei a beber meu suco e peguei meu celular, abrindo minhas conversas com Lev. Já tem muito tempo desde que conversamos pela última vez, e estou morrendo de saudades do cheiro dele, da voz e de admirá-lo. _ Ela é menor de idade! _ Disse Sebastian para o homem. Olhei para os dois confusa. _ Oi? _ Perguntei, perdida ao ver o olhar massacrante de Sebastian para o homem. _ Eu disse que iria pagar uma bebida para você, mas agora que sei que é uma mocinha, não posso fazer! _ Disse o homem com um tom mais que contente. _ Oh.. é, é verdade. _ Concordei com Sebastian. Não posso passar a faca nesse maluco, pelo menos não sem chamar atenção caso encontrem o corpo dele em alguma vala por aí. Meu celular começou a vibrar, e quando vi no visor quem estava me ligando meu coração disparou. Lev desligou antes que eu atendesse, mas quando abri nosso chat de mensagens fiquei arrepiada. Lev me enviou uma foto de mim no bar, naquele exato momento. “ Estou a caminho, e quando colocar as mãos em você, vamos conversar muito sério!” _ c*****o… _ murmurei ao me levantar. Peguei uma nota de 100 euros e coloquei no balcão, Sebastian franziu a testa. _ Fica com o troco, preciso ir! _ Encrencada? _ Perguntou ele rindo. _ Você não tem noção do quão encrencada estou! _ Falei rindo. _ Parece feliz, essa encrenca não deve ser tão terrível assim! _ Disse ele. O outro homem nojento estava atento na nossa conversa. _ É terrivelmente boa, meu amigo! Ele começou a gargalhar e eu também. Corri para a moto e dirigi até a casa da pessoa que vai poder me ajudar a conter Lev. Assim que parei nos portões de Thalia respirei fundo, precisava vestir minha fantasia de garota virgem e calma, que está fugindo de um noivo maluquinho. Se Thalia soubesse as coisas que eu faço, pensaria duas vezes antes de ser minha amiga. Bom… não somos tão amigas… acho que nem amigas somos. Como será que é ter uma amiga? Assim que os portões se abriram soltei um longo suspiro. Meu noivo estava a caminho, e finalmente pude vê-lo e provocá-lo do jeito que eu gosto. Lev é meu, somente meu!
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