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Gêmeos da Máfia
Capítulo 1 – O Conquistador e o Líder
Lorenzo narrando
A Itália nunca dorme. Pelo menos não o lado que pertence à máfia.
Roma, Nápoles, Milão… cada cidade tem seu próprio inferno escondido atrás de fachadas de luxo, mas Florença é o coração dos Donatello. É aqui que minha família ergueu seu império. É aqui que eu e Matteo crescemos, filhos de Isis e Sebastian, criados entre sangue e poder, mas também entre disciplina e amor.
Tenho 21 anos, meu irmão também. Gêmeos idênticos, mas não poderia existir contraste maior entre nós.
Eu sou o que segura as rédeas. Matteo… é o cavalo selvagem que insiste em correr.
Desde cedo, aprendi que carregar o nome Donatello significa não ter direito a fraquezas. Meu pai sempre foi claro: “Lorenzo, um dia tudo isso será seu. O império não espera. O trono não perdoa.”
E eu aceitei.
Mas Matteo? Ele sorriu, ergueu a taça de vinho e disse: “Perfeito. Assim sobra mais tempo para eu me divertir.”
Ele não é irresponsável. Não se engane. Matteo é tão inteligente quanto eu. Sabe negociar, sabe m***r, sabe liderar. Mas prefere conquistar. Mulheres, amigos, rivais. Ele tem esse maldito magnetismo que o mundo inteiro parece não resistir.
Hoje, por exemplo, a festa em nossa mansão é apenas mais uma desculpa. Reunião política entre famílias, acordos, brindes, alianças. Para mim, trabalho. Para Matteo… caça.
Estou no salão principal, vestido de terno preto impecável, gravata ajustada, observando tudo.
Meu irmão surge ao meu lado com dois copos de whisky e um sorriso preguiçoso.
— Não vai sorrir nem um pouco, Lorenzo? — ele me entrega um copo.
— Não estamos aqui para sorrir. — respondo, seco.
— Você nunca está.
Ele se afasta antes que eu responda, mergulhando na multidão. Olhos azuis faiscando, cabelo castanho penteado para trás, sorriso perigoso. Matteo não precisa de esforço. As mulheres literalmente se voltam para ele.
Eu observo, meio irritado, meio aliviado. Porque sei que, no final da noite, sou eu quem vai limpar a sujeira.
O baile segue, música suave, conversas tensas. Eu circulo entre os aliados, ouço reclamações sobre rotas, controlo ânimos exaltados. A máfia não é glamour. É guerra em silêncio.
Até que percebo o movimento.
Meu irmão está dançando.
Com uma loira.
Ela não é qualquer mulher. Reconheço de imediato.
Lorena Mancini.
O sangue me gela.
Os Mancini são nossos inimigos históricos. Uma família tão poderosa quanto a nossa, conhecida pela frieza e pela ambição sem limites. Eles controlam Milão com mão de ferro e têm uma rede de contatos políticos que sempre foi uma ameaça para nós. Fora o histórico h******l que o nome carrega juntamente com a nossa família.
E ali está Matteo… com a filha deles.
Lorena não é qualquer loira. É a mais perigosa.
Dizem que herdou da mãe o veneno no olhar e do pai a crueldade no coração. Cresceu ouvindo que o ódio aos Donatello era sagrado.
Mas olhando para ela agora… parece que o ódio deu lugar a outra coisa.
O vestido prateado gruda em cada curva, os lábios vermelhos sorriem de forma calculada, e os olhos verdes miram apenas meu irmão.
Ela é uma serpente.
E Matteo? O t**o que acha que pode brincar com cobras sem ser picado.
Termino meu copo em um gole e caminho até eles.
Quando chego perto, Matteo gira Lorena no compasso da música e ri no ouvido dela. Ela também ri. E aquilo me irrita mais do que deveria.
— Matteo. — digo, firme.
Ele se vira.
— Lorenzo, irmão! Estava justamente pensando em você. — ele segura a mão de Lorena com naturalidade. — Conhece Lorena Mancini?
— Conheço. — minha voz é seca, quase um aviso.
Os olhos dela brilham de diversão.
— Então você é o famoso Lorenzo Donatello. O gêmeo sério. O herdeiro disciplinado. Já ouvi muito sobre você.
— Espero que não tenha ouvido mentiras. — respondo.
Ela sorri. Um sorriso venenoso.
— Acho que prefiro as mentiras. Elas são mais divertidas.
Matteo gargalha, encantado.
— Viu, irmão? Até os inimigos sabem se divertir mais que você.
— Não é hora para isso. — sussurro, baixo, só para ele. — Está dançando com uma bomba-relógio.
— Relaxa. Eu gosto de viver perigosamente. — Matteo pisca.
Lorena aproxima os lábios do ouvido dele, mas fala alto o suficiente para que eu também ouça.
— A vida é curta, Donatello. Às vezes precisamos cruzar linhas proibidas para sentir que estamos vivos.
O coração aperta. Eu sei onde isso vai dar.
E sei que será um desastre.
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Mais tarde, quando a festa esvazia, encontro Matteo no jardim, encostado em uma pilastra, com Lorena ao lado. Os dois estão rindo, bebendo, como se não carregassem séculos de ódio entre as famílias.
Me aproximo, furioso.
— Acabou a brincadeira. — digo, firme. — Vai para dentro, Matteo.
Ele ergue uma sobrancelha.
— Não me dá ordens, irmão.
— Dou, sim, quando se trata da segurança da família.
Lorena cruza as pernas devagar, como se se divertisse com nossa briga.
— Ai, que fofo. O irmão responsável tentando salvar o outro do pecado. Mas me diga, Lorenzo… quem salva você?
Ignoro a provocação dela.
— Matteo, você sabe que brincar com uma Mancini é brincar com a morte.
Ele dá um passo à frente.
— E você sabe que viver com medo não é viver.
Nos encaramos por segundos que parecem horas.
E é ali que percebo: não vou conseguir pará-lo.
Matteo já escolheu.
Lorena se levanta, ajeita o vestido e sussurra no ouvido dele:
— Amanhã, meia-noite. Piazza San Marco. Sozinho.
Ela lança um olhar rápido para mim antes de sair.
Frio. Mortal.
E desaparece na noite.
Fico olhando para meu irmão.
Ele sorri como se tivesse ganhado o mundo.
Eu vejo apenas o início do fim.
— Você não entende, Lorenzo. — ele diz. — Ela é diferente.
— Ela é uma Mancini. Isso basta.
— Isso me intriga ainda mais.
Eu aperto os punhos.
Porque sei que a partir desse momento… nada mais será igual.
Dizem que irmãos gêmeos dividem o mesmo coração.
Se isso é verdade, então o meu está prestes a ser partido em dois.
Porque Matteo acabou de abrir a porta para uma guerra.
E eu… vou ter que segui-lo até o fim.