Escolinha

1047 Palavras
Pov's Mary Jane. Fazenda/ Interior. Anna havia se alegrado. E ela já havia andado de bicicleta e caído algumas vezes. Agora estávamos na beirada da fogueira. O nosso marido assava carne para comermos. Eu estava sentada num tronco de árvore, os dois no outro. Ele admirava a minha irmã, com os olhos brilhando. Seu braço quis encostar no ombro dela, e rapidamente Anna se afastou do toque. Anna: Acho que eu vou dormir, quero acordar cedo pra escola. Minha irmã se levantou de perto dele. E sua fisionomia se encontrava inquieta, como se quisesse fugir dali. Bryan: Mas já, Anjinha? O semblante dele murchou na hora. O sorriso até desapareceu. Anna: Tô com sono. Boa noite! A paz do senhor. Ela entreolhou para mim antes de entrar para baia e fechar a porta. Fiquei ali, sentada, abanando o fogo da fogueira. Bryan ficou do outro lado, cabisbaixo. Acho que ele estava um pouco frustrado. Me aproximei, lhe estendendo um petisco de carne. Mary Jane: Quer? Bryan: A Anjinha tá um pouco cansada, né. Ele quis justificar, e suspirei fundo. Me afastei, para voltar ao meu lugar, mas senti o toque da sua mão em meu pulso. Parei, ficando com as minhas pernas trêmulas. Suspiros de tensão escaparam dos meus lábios. Bryan: Quer me fazer companhia? Ele pegou o petisco, mordiscando um pedaço. Encarei o gesto, timidamente. Mary Jane:P-pode ser. Gaguejei, me sentando do seu lado. Era a primeira vez que ficava sozinha na presença de um homem. Não sabia como agir. Estava tão nervosa. Eu m*l o encarava. Bryan: Você canta muito bem na igreja. Tem uma voz bonita. De repente, o encarei de relance. Fiquei com as bochechas coradas ao ouvir o elogio. Mary Jane: Todo louvor que canto, é pra Deus.— apontei pro céu — Todo o dom vem d'ele. Nos olhávamos, e sorri de canto, quando comecei a cantar um hino a pedido do mesmo. A noite fria do arredor da fazenda, fazia eu sentir a presença do Senhor, enquanto louvava de olhos fechados.  Era tão bom cantar, eu me sentia tão bem. Abri os olhos, escutando o homem bater palmas. Havia um sorriso destacado no canto da sua boca. Fizemos uma breve oração, após, entramos para dentro da baia. Fui deitar na minha rede e Bryan seguiu para ir ver Anna. Fiquei no canto observando-o. Ele estava parado próximo da rede da minha irmã, vendo-a dormir. Curvei a cabeça, e segui pro meu canto. Eu não tinha a menor chance. (....) Pov's Bryan. Anjinha dormia serenamente. Era tão bom apreciá-la, ela era tão perfeita, parecia até um anjo. A cubri com a coberta. Alisei levemente seu braço, Anjinha se remexeu um pouco, mas não acordou. Eu queria que pudéssemos dormir juntos, dormir abraçados. Bryan: Anjinha... A chamei, baixinho. Anna: Me deixa. Simplesmente ouvi aquela resposta, e para não incomodá-la recuei, me deitando perto da rede. Demorei a dormir, olhando em direção a onde Anjinha dormia. Ela era coisa mais linda. Fechei os olhos, fazendo uma oração. Estava agradecendo a Deus pelo presente que havia me dado. Minha Anjinha era tudo aquilo que eu havia sonhado. (....) NA MANHÃ SEGUINTE..... 05:30 AM. Pov's Anna Revirei os olhos, quando avistei o jumento deitado no chão do feno, quase encostado na minha rede. Levantei de ponta de pé, para não despertá-lo. Fui para fora da baia, indo buscar água no poço. Tomei banho na água gelada, estava tão ansiosa para ir a escola. Escovi os meus dentes, e após fui preparar no fogão a lenha o café. Pus um vestido, penteie o cabelo e fiz uma trança.. Assim que terminei de fazer o café, fui buscar o meu material escolar lá dentro. Me assustei, quando esbarrei sem querer com o caipira... Bryan: Anjinha, você já está de pé? Anna: E-é, eu já tô indo. Bryan: Tão cedo? Anna: Eu quero ser a primeira a chegar, no meu primeiro dia de aula. Bryan: Deixa que eu te levo. Anna: Não, não precisa. Neguei consecutivas vezes. Porém, o jumento insistiu, fazendo-me frustrar. Bryan: Faço questão, espere só um minuto. Ele saiu. E mirei para Mary Jane que estava no canto. Coloquei a mochila debaixo do braço, e fiquei o esperando do lado de fora. Ele apareceu. Bryan: Vamos. Anna: Eu vou na minha bicicleta. O cortei, quando o vi puxando o cavalo. Bryan: Me der a sua mochila, que eu levo. Anna: Não precisa. Neguei, abaixando o olhar incomodada. Bryan: Você está estranha, Anjinha. O jumento suspeitou desconfiado e suspirei fundo. Bryan: Nem parece a mesma de quando nos encontrávamos, depois dos cultos. Levantei o olhar desesperadamente. Dessa vez, seu tom de voz era sério. Anna: Quer me levar na garupa? Assim que sugeri para disfarçar, o bobão abriu um sorriso e toda incerteza que havia em sua face, sumiu. Subi na garupa e ele foi pedalando, e me levando.  Acenei dando tchau para Mary Jane, que estava na porta da baia. (.....) 07:00 AM. Quando cheguei na escolinha, foi a realização de um sonho. Eu sempre sonhei com isso quando eu era pequena, mas os meus pais nunca permitiu que nem eu e nem a minha irmã estudasse. As crianças corriam para entrar, eu era a única adulta. Me sentia um pouco deslocada. Daí, o caipira segurou na minha mão na entrada da sala de aula, eu até quis soltar, mas.. Bryan: Anjinha, eu venho te buscar as 11 horas.— ele sorria tão largamente.— Que Deus esteja do seu lado. Adentrei, e quando vi a professora, ela me recepcionou tão bem. Me sentei na primeira fileira, tão feliz.  O caipira ainda estava do lado de fora parado, olhando para mim, como se sentisse orgulho. Sinalizei para que fosse embora. Mas ele me chamou. Anna: O que ainda faz aqui? Bryan: Acho que você esqueceu de uma coisa, Anjinha... Franzi a testa, sem entender. Anna: Do quê? Meus olhos o encararam, confusos. Inesperadamente fui pega desprevenida, quando lhe sentir circular os seus braços no meu corpo, me roubando um selinho.  Eu fiquei tão surpresa e de olhos arregalados, assim como o mesmo. Bryan: Pronto, Anjinha, agora pode ir. Retornei para aula, ainda com o toque dos lábios dele, nos meus lábios. Eu não sabia como reagir. Era o meu primeiro beijo.
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