Pov's Mary Jane.
Fazenda/ Interior.
Anna havia se alegrado. E ela já havia andado de bicicleta e caído algumas vezes.
Agora estávamos na beirada da fogueira. O nosso marido assava carne para comermos.
Eu estava sentada num tronco de árvore, os dois no outro. Ele admirava a minha irmã, com os olhos brilhando.
Seu braço quis encostar no ombro dela, e rapidamente Anna se afastou do toque.
Anna: Acho que eu vou dormir, quero acordar cedo pra escola.
Minha irmã se levantou de perto dele. E sua fisionomia se encontrava inquieta, como se quisesse fugir dali.
Bryan: Mas já, Anjinha?
O semblante dele murchou na hora. O sorriso até desapareceu.
Anna: Tô com sono. Boa noite! A paz do senhor.
Ela entreolhou para mim antes de entrar para baia e fechar a porta.
Fiquei ali, sentada, abanando o fogo da fogueira.
Bryan ficou do outro lado, cabisbaixo. Acho que ele estava um pouco frustrado.
Me aproximei, lhe estendendo um petisco de carne.
Mary Jane: Quer?
Bryan: A Anjinha tá um pouco cansada, né.
Ele quis justificar, e suspirei fundo.
Me afastei, para voltar ao meu lugar, mas senti o toque da sua mão em meu pulso.
Parei, ficando com as minhas pernas trêmulas. Suspiros de tensão escaparam dos meus lábios.
Bryan: Quer me fazer companhia?
Ele pegou o petisco, mordiscando um pedaço. Encarei o gesto, timidamente.
Mary Jane:P-pode ser.
Gaguejei, me sentando do seu lado.
Era a primeira vez que ficava sozinha na presença de um homem. Não sabia como agir. Estava tão nervosa.
Eu m*l o encarava.
Bryan: Você canta muito bem na igreja. Tem uma voz bonita.
De repente, o encarei de relance. Fiquei com as bochechas coradas ao ouvir o elogio.
Mary Jane: Todo louvor que canto, é pra Deus.— apontei pro céu — Todo o dom vem d'ele.
Nos olhávamos, e sorri de canto, quando comecei a cantar um hino a pedido do mesmo.
A noite fria do arredor da fazenda, fazia eu sentir a presença do Senhor, enquanto louvava de olhos fechados.

Era tão bom cantar, eu me sentia tão bem.
Abri os olhos, escutando o homem bater palmas. Havia um sorriso destacado no canto da sua boca.
Fizemos uma breve oração, após, entramos para dentro da baia.
Fui deitar na minha rede e Bryan seguiu para ir ver Anna.
Fiquei no canto observando-o. Ele estava parado próximo da rede da minha irmã, vendo-a dormir.
Curvei a cabeça, e segui pro meu canto.
Eu não tinha a menor chance.
(....)
Pov's Bryan.
Anjinha dormia serenamente. Era tão bom apreciá-la, ela era tão perfeita, parecia até um anjo.
A cubri com a coberta. Alisei levemente seu braço, Anjinha se remexeu um pouco, mas não acordou.
Eu queria que pudéssemos dormir juntos, dormir abraçados.
Bryan: Anjinha...
A chamei, baixinho.
Anna: Me deixa.
Simplesmente ouvi aquela resposta, e para não incomodá-la recuei, me deitando perto da rede.
Demorei a dormir, olhando em direção a onde Anjinha dormia. Ela era coisa mais linda.
Fechei os olhos, fazendo uma oração.
Estava agradecendo a Deus pelo presente que havia me dado. Minha Anjinha era tudo aquilo que eu havia sonhado.
(....)
NA MANHÃ SEGUINTE.....
05:30 AM.
Pov's Anna
Revirei os olhos, quando avistei o jumento deitado no chão do feno, quase encostado na minha rede.
Levantei de ponta de pé, para não despertá-lo. Fui para fora da baia, indo buscar água no poço.
Tomei banho na água gelada, estava tão ansiosa para ir a escola. Escovi os meus dentes, e após fui preparar no fogão a lenha o café.
Pus um vestido, penteie o cabelo e fiz uma trança..
Assim que terminei de fazer o café, fui buscar o meu material escolar lá dentro.
Me assustei, quando esbarrei sem querer com o caipira...
Bryan: Anjinha, você já está de pé?
Anna: E-é, eu já tô indo.
Bryan: Tão cedo?
Anna: Eu quero ser a primeira a chegar, no meu primeiro dia de aula.
Bryan: Deixa que eu te levo.
Anna: Não, não precisa.
Neguei consecutivas vezes. Porém, o jumento insistiu, fazendo-me frustrar.
Bryan: Faço questão, espere só um minuto.
Ele saiu. E mirei para Mary Jane que estava no canto.
Coloquei a mochila debaixo do braço, e fiquei o esperando do lado de fora.
Ele apareceu.
Bryan: Vamos.
Anna: Eu vou na minha bicicleta.
O cortei, quando o vi puxando o cavalo.
Bryan: Me der a sua mochila, que eu levo.
Anna: Não precisa.
Neguei, abaixando o olhar incomodada.
Bryan: Você está estranha, Anjinha.
O jumento suspeitou desconfiado e suspirei fundo.
Bryan: Nem parece a mesma de quando nos encontrávamos, depois dos cultos.
Levantei o olhar desesperadamente. Dessa vez, seu tom de voz era sério.
Anna: Quer me levar na garupa?
Assim que sugeri para disfarçar, o bobão abriu um sorriso e toda incerteza que havia em sua face, sumiu.
Subi na garupa e ele foi pedalando, e me levando.

Acenei dando tchau para Mary Jane, que estava na porta da baia.
(.....)
07:00 AM.
Quando cheguei na escolinha, foi a realização de um sonho.
Eu sempre sonhei com isso quando eu era pequena, mas os meus pais nunca permitiu que nem eu e nem a minha irmã estudasse.
As crianças corriam para entrar, eu era a única adulta. Me sentia um pouco deslocada.
Daí, o caipira segurou na minha mão na entrada da sala de aula, eu até quis soltar, mas..
Bryan: Anjinha, eu venho te buscar as 11 horas.— ele sorria tão largamente.— Que Deus esteja do seu lado.
Adentrei, e quando vi a professora, ela me recepcionou tão bem.
Me sentei na primeira fileira, tão feliz.

O caipira ainda estava do lado de fora parado, olhando para mim, como se sentisse orgulho.
Sinalizei para que fosse embora.
Mas ele me chamou.
Anna: O que ainda faz aqui?
Bryan: Acho que você esqueceu de uma coisa, Anjinha...
Franzi a testa, sem entender.
Anna: Do quê?
Meus olhos o encararam, confusos.
Inesperadamente fui pega desprevenida, quando lhe sentir circular os seus braços no meu corpo, me roubando um selinho.

Eu fiquei tão surpresa e de olhos arregalados, assim como o mesmo.
Bryan: Pronto, Anjinha, agora pode ir.
Retornei para aula, ainda com o toque dos lábios dele, nos meus lábios.
Eu não sabia como reagir. Era o meu primeiro beijo.