Pov's Bryan.
Eu havia dado uma bitoca na minha Anjinha, ela havia gostado.
Fui embora, feliz da vida, era a primeira vez que tinha a beijado.
Passei na padeira, comprei pães e alimentos.
Pedalei na bicicleta até a casinha em construção, precisava terminar a obra logo. Queria dar um lar decente a Anjinha.
Segui para baia. Quando cheguei, a filha do pastor estava cantando alto, enquanto varria.
Encostei a bicicleta no canto e adentrei.
Mary Jane: Bom dia.
Bryan: Bom dia! Está aqui.
Lhe entreguei as sacolas.
Bryan: Não irei almoçar, tô indo terminar a casinha.
Mary Jane: Não vai beber café?
Ela me ofereceu, e parei de andar, olhando para trás.
Após, ela trouxe a garrafa e peguei a xícara. Bebi todo café amargo e depois sai.
(....)
ESCOLINHA.
Pov's Anna.
A professora estava me ensinando eu escrever o meu nome. Ela movimentava no lápis, segurando na minha mão, como eu deveria escrever.
Eu estava sorrindo, era uma sensação muito especial.
Sempre pedi a Deus para ir a escola. E havia conseguido.
Anna: Eu queria aprender a escrever o nome da minha irmã. O nome dela é Mary Jane.
Pedi, e a mulher de óculos de grau assentiu.
Novamente fui ensinada, continuava sorridente. Meus olhos brilhavam de emoção.
Desenhei o coração e fechei o caderno para mostrar a minha irmã, quando eu chegasse. Ela ia ficar tão feliz.
Anna: Professora, eu posso ir ao banheiro?
Dulce: Pode, querida.
Me levantei e sai.
Fui até banheiro que ficava do lado da escolinha.
Fechei a porta e comecei a vomitar no vaso sanitário. Estava enjoada.
(....)
ALGUMAS HORAS DEPOIS.....
10:59 AM.
Pov's Anna
O sino tocou avisando que aula havia acabado.
Sai para fora e ele já estava parado de frente, com a bicicleta me esperando.
Me pus nervosa, ao relembrar do beijo que recebi. Fui andando, receosamente.
Bryan: Anjinha, como foi a aula?
Ele perguntou, e me mantive de cabeça abaixada, constrangida. Nem conseguia encará-lo, por estar tímida.
Anna: Foi bem.
Montei na garupa.
Bryan: Me der a sua bolsa, que eu levo.
Anna: Não precisa.
Respondi, mas o próprio insistiu, pegando a mochila e colocando nas costas.
Bryan: Eu só não te abraço, Anjinha, porque estou todo suado.
Suspirei fundo, não suportando ouvir esse jumento me tratar tão bem.
Enquanto íamos de bicicleta, segurava a minha mão em volta da sua cintura, para não cair.
Anna: Pra onde está me levando?
Perguntei tensa, quando vi que estava desviando o caminho.
Bryan: Vou te levar na casinha Anjinha, quero que conheça os compartimentos.
Quando chegamos ao lugar, desci, com a cara emburrada.
Anna: A Mary Jane tá aqui?
O questionei, olhando-o torto.
Bryan: Não, ela ficou lá na baia. Vamos entrando.
Fui na frente, subindo os degraus da escada principal.
Não havia porta, era uma sala pequena, havia um buraco como se ali fosse ser uma janela.
Bryan: O nosso quarto vai ser aquele.
Ele apontou com dedo, numa felicidade. Estremeci na hora, encarando-o com medo.
Andei até o cômodo, em passos receosos.
Bryan: Gostou Anjinha?
Seu sorriso era enorme. Permanecia travada, sem esboçar nenhuma reação.
Tudo que eu demonstrava era desânimo.
Bryan: O outro quartinho ia ser das nossas crianças...— quando ouvi aquela frase, o olhei desesperada. — Mas vou deixar para sua irmã.
O jumento se aproximou e dei alguns para trás, sem querer que ele encostasse em mim.
Bryan: Me dar outra bitoca, Anjinha?
Ele pediu, fechando os olhos e fazendo um bico na boca. Fiz uma careta
Anna: Eu tô cansada.
Inventei, saindo da sua frente. Contudo, fui impedida.
Bryan: Você não gostou do beijo, Anjinha?
Encarei a boca dele e meus olhos se abaixaram envergonhados, após mantermos uma troca de olhar.
Num impulso, juntei os nossos lábios, pegando-o de surpresa. Queria experimentar como era beijar alguém na boca.
E o jumento mordia os meus lábios, como se também quisesse aprender a beijar.
Nos beijavamos tão eufóricos, que eu nem sabia como mover a minha boca.
Ele me abraçava durante o beijo, todo desajeitado.
(....)
baia.
Pov's Mary Jane.
Fui arrumar as coisas da Anna, ela estava demorando a voltar da escola.
Já havia terminado de fazer o almoço no fogão a lenha.
Fui atrás de pegar as roupas dela, para lavar. Anna era muito descuidada e eu que fazia tudo.
Estava separando as roupas. Até que encontrei no meio dos vestidos, uma folha de papel escondida.
Era um desenho. Havia dois bonequinhos. Uma bonequinha estava deitada na cama e outro em pé. E o bonequinho que estava em pé, tocava na bonequinha que estava deitada.
Anna fazia esses rabiscos que não dava para entender nada.
Guardei o papel e deixei no mesmo lugar.
Sai para lavar roupa.
Lauren: Mary Jane.
Mary Jane: Mãe.— murmurei surpresa.
Lauren: Vim ver onde vocês estão morando.
Mary Jane: O papai não veio também?
Lauren: Austin foi pro roçado.
Ela circulou o olhar para baia.
Mary Jane: Entra.— abri a portinha.
Lauren: Cadê a sua irmã?
Mary Jane: Anna saiu com Bryan.
Lauren: Pra onde?
Seu olhar duro percorreu para mim. Encolhi os ombros, apreensiva.
Mary Jane: Ela foi a escola.
Contei com medo da sua reação, e minha mãe agarrou o meu braço, apertando.
Lauren: Escola? Santo Deus, misericórdia. Eu não criei vocês pro mundo, criei vocês para servir a igreja. Até você está estudando?
Mary Jane: Não, mamãe.— neguei.
Lauren: Não seja como a sua irmã, uma pecadora.
A olhei, com os olhos cheio de lágrimas. Suas palavras machucavam.
Mary Jane: Não critique a Anna, mamãe. Ela só quer estudar, aprender a ler. O sonho dela é ser alguém na vida.
Lauren: Que vida?!— sua voz gritou, causando-me medo.— Vou falar com marido de vocês, tomara que ele proíba.