Assim que Helena encerra a ligação, batem na porta. Uma batida curta. Seca. Como se não fosse um pedido. Como se fosse uma ordem. Meu corpo inteiro trava. Eu fico apavorada. O celular descartável ainda está na minha mão, e por um segundo eu penso em jogar pela janela, correr, me esconder, fingir que não estou aqui. Mas eu sei. Eu sei que não adiantaria. Eu caminho até a porta com passos pequenos, silenciosos, e encosto o olho no olho mágico. E o mundo… para. Ele está ali. Alto. Postura impecável. O tipo de homem que parece ter sido feito para intimidar. E antes mesmo que eu consiga respirar, ele fala. A voz atravessa a madeira como se não existisse barreira nenhuma entre nós. — Precisamos ser rápidos. Sou Lucas. Meu estômago revira. Meu sangue gela. Porque eu sei exata

