A Helena do Passado

1258 Palavras

Estou terminando a comida. Não sei se é dia ou noite. Aqui dentro não existe tempo. A casa está toda fechada, as cortinas pesadas impedem qualquer tentativa de luz, e o silêncio é tão perfeito que parece ensaiado. Como se até o som tivesse sido proibido. Eu mastigo devagar, mais por obrigação do que por fome. Mas eu sinto. Sinto meu corpo reagindo. Como se aquela comida fosse uma âncora… me puxando de volta para mim. Alice está perto, observando sem parecer observar. Ela tenta ser gentil. Tenta. Mas eu não consigo esquecer que ela me apagou. Eu não consigo esquecer que, por um segundo, eu deixei de existir por causa dela. E mesmo assim… Ela é a única presença feminina aqui. A única coisa que não me parece uma ameaça imediata. Eu engulo a última mordida. E apoio o prato na

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