Quando chego na cafeteria, Valentina já me aguardava. Sentada perto da janela, com as mãos cruzadas sobre a mesa, como se o mundo lá fora ainda fosse perigoso demais para ela. Valentina era uma amiga antiga. Uma das poucas. E vê-la envelhecer… sempre me causava um incômodo silencioso. Eu paro ao lado dela e toco seu ombro. Ela levanta os olhos e sorri. — Já pedi nosso café. Aviso. — Eu imaginei. Ela diz, com aquela voz calma que sempre teve. Eu sento de frente para ela. Observo. Valentina olha ao redor, como se estivesse esperando alguém aparecer do nada. Eu suspiro. — Estamos seguros, Valentina. Ela não relaxa. — Você precisa sair mais de casa. Ela me encara, séria. — Você precisa entender que nem todos têm o seu privilégio, Dante. Eu não respondo. Porque ela tem ra

