Quando Clara chega, eu já estou com a bolsa no ombro e o celular na mão. Ela para na porta, surpresa. — Helena…? — Preciso resolver algo pessoal. Minha voz sai firme, mas por dentro eu estou tremendo. — Não sei se volto hoje. Clara abre a boca para perguntar alguma coisa, mas eu não dou espaço. Não hoje. Não agora. Passo por ela sem olhar para trás. O elevador parece demorar uma eternidade. Quando finalmente chego na garagem, vou direto para o meu carro, destravo a porta e entro rápido, como se alguém pudesse me seguir. Fecho a porta. E o silêncio me engole. Eu fico alguns segundos parada, com as mãos no volante, olhando para frente… sem realmente enxergar nada. Respiro fundo. Uma vez. Duas. Meu coração ainda está acelerado desde ontem. Desde o sonho. Desde Laura. Des

